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0 Coração, Cabeça e Estômago | Opinião
Autor: Camilo Castelo Branco
Editor: Alêtheia Editores (2016)
Género: Romance
Páginas: 200
opinião
★★★★☆
'Coração, Cabeça e Estômago' é uma excursão sentimental onde cada um destes três órgãos serve de analogia às diferentes fases experimentadas por Silvestre da Silva, sem que nesta falte, claro, o típico humor, ironia e sentido crítico de Camilo Castelo Branco. Assim, passamos da fase romântica em que o jovem Silvestre se deixava guiar pelo 'coração', à fase realista depois do desgosto e da desilusão levarem Silvestre a optar pela 'cabeça'. O naturalismo chega, por fim, quando Silvestre põe de lado pretensões e idealismos, orientando-se pelo 'estômago'. No entanto, apesar do aparente crescimento pessoal e amadurecimento do protagonista, cada órgão parece ter seus males - uma simbiose entre os três órgãos é preferível à atividade exclusiva de qualquer um deles.
Gostei muito deste livro não tanto pela história que conta mas pela concretização de cada uma das 'fases' de Silvestre Silva e da sua evolução ao longo das mesmas. Gostei também da ironia a que Camilo Castelo Branco recorre para descrever a sociedade da época, satirizando-a. Tal como a dissoluta sociedade lisboeta, Silvestre divide-se entre tentações materiais e sensuais, e nem mesmo ele fica à margem das críticas do autor.
«A mais aumenta a versatilidade humana, quando o amor-próprio sai anavalhado destas lutas, em que é grande o orgulho»
«Grande é a angustia do homem que de si próprio quer esconder seu aviltamento.»
«- Não: concluo apenas que és mulher, mistério, enigma, absurdo, paradoxo, mescla de luz do céu e lavareda do inferno, demónio e anjo, etc.»
«Tive, então, nojo mortal da sociedade, e de mim, que Deus fizera d'um barro menos vil, mas amassado no fel e vinagre do que se chama a força da alma e desprezo do martírio.»
«Não é costume nosso matarmo-nos quando o aborrecimento da vida nos enoja. Em país algum seria maior a estatística dos suicídios, de que em Portugal, se o tédio nos vencesse. E no Porto? Deus nos livre d'isso!»
«Todo o estômago, bem regulado, produz um génio»
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0 O Vermelho e o Negro | Opinião
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5 estrelas,
Literatura Clássica,
Romance,
Standhal
Julien acaba por cometer um crime movido pela paixão, por princípios ou por insanidade, que será o seu fim.
O Vermelho e o Negro é uma imagem vívida e satírica da sociedade da Restauração francesa após Waterloo, carregada de corrupção, ganância e tédio. O retrato complexo e compreensivo de Julien, o explorador frio cuja campanha maquiavélica é enfraquecida pelas suas próprias emoções, torna-o a mais brilhante e mais humana criação de Stendhal, e um dos maiores personagens da literatura europeia.
Opinião
★★★★★ (5/5)
O Vermelho e o Negro é simultaneamente um romance sobre os trágicos amores de Julien Sorel e uma sátira sobre a sociedade em que este se insere.
"É preciso confessar que nasci com um carácter muito vulgar e muito infeliz"
Somos apresentados a esta personagem desde as suas origens provincianas; Verrières é uma cidadezinha odienta, cheia de falsidade e velhacaria, preocupada com o "rendimento". Uma cidade onde, como rapidamente nos apercebemos, Julien não se encaixa; abomina a sua terra, "tudo o que lá via gelava-lhe a imaginação" e, uma vez que "a diferença gera ódio", Julien também não é muito estimado pelos seus conterrâneos, nem mesmo pela família. O pai está muito descontente com Julien, "aquela mania de ler era-lhe odiosa" e ele é objeto de desprezo de todos os da sua casa.
Stendhal evolui de forma muito suave pela narrativa, finda a apresentação introdutória, rapidamente passamos a acompanhar Julien na sua estadia na casa dos Rênal como perceptor dos filhos do Sr. Presidente, um conservador facilmente manipulável e um alvo fácil para a ridicularização que Stendhal lhe pratica. É aqui que Julien vai conhecer o seu primeiro amor na pessoa da Sra. de Rênal. Uma alma cândida, naturalmente tímida e apagada mas cuja honestidade e sentido moral contrasta vivamente com o dos que a rodeiam. Tão habituada à insensibilidade masculina, facilmente se encanta com a delicadeza de Julien, mas apesar do adultério cometido, sofre horrivelmente com isso.
A memória de Julien é extraordinária, o jovem deixa todos encantados e perplexos com a recitação de textos bíblicos que decorou, uma devoção que não é senão hipocrisia da sua parte já que Julien vê na religião, como no amor, uma oportunidade de ganhar dinheiro e estatuto.
As desconfianças do marido da Sra. de Rênal empurram Julien para o seminário onde volta a despoletar admiração e inveja. Mais tarde viajamos com ele para Paris, para a casa do Marquês de La Mole, bem para o meio da alta sociedade que Julien tanto odeia e repudia. É nestas duas etapas que Stendhal mais brilha na sua clara crítica à Igreja Católica pela corrupção que nela prospera, pelo uso do nome de Deus para granjear poder pessoal e posição/influência social, e também na sátira do governo da Restauração, de uma França corrupta e estagnada e de uma aristocracia em queda.
Stendhal mostra-nos como Julien se sentia, ao mesmo tempo, fascinado e enojado em relação aos parisienses... E o mesmo em relação a Mathilde, uma jovem egoísta, aborrecida com a vida, de personalidade dramática e também, podemos dizê-lo, desequilibrada. Esta instabilidade reflete-se na noção que Mathilde tem do amor, tão peculiar quanto mostram as seguintes frases "só pensava na felicidade de ter estado prestes a ser assassinada" e "ele é digno de ser meu amante porque esteve prestes a matar-me". Mathilde anseia pelo arrebatamento, vive deslumbrada pelos heróis do passado, pela componente trágica do amor.

Novamente - vaidoso - Julien deixa-se enternecer pelo afago que Mathilde lhe faz ao ego e acaba por se apaixonar por ela sem, no entanto, ignorar a utilidade que este romance com uma jovem de boa posição pode ter para si. O complexo temperamento de Mathilde obriga-o a manipulá-la para que o ame, tocando onde a jovem é mais sensível, no amor-próprio.
Assim, O Vermelho e o Negro compreende também uma análise ao amor, o seu tipo e origem, tendo presente que a pessoa amada não é para nós sempre o que é no num dado momento, que este amor, ou melhor, a manifestação do mesmo, varia conforme a nossa disposição, as reações alheias e as condições/situações.
Este é um livro fantástico, escrito com grande competência. Percebemos rapidamente porque é Stendhal considerado um influente romancista do século XIX. Neste livro, mantém-se como narrador presente e opinativo, gozando com os seus personagens, patenteando as suas intenções e oferecendo-nos uma impressão mais profunda.
"Toda a sua vida não fora senão uma grande preparação para a desgraça"
Embora descrito como sendo superior aos que o rodeiam, quer a nível físico quer a nível mental, Julien falha redondamente em encontrar o sucesso e depara-se antes com um final trágico para a sua existência. A sua sabedoria é tirada dos livros e experiência prática não tem na verdade nenhuma. Tendo por aspiração secreta a figura de Napoleão, ansiando pela vida militar na qual está certo que triunfaria, o seu destino é, no entanto, sempre decidido por terceiros. Orgulhoso, vaidoso e hipócrita, Julien age muitas vezes pelos motivos errados, sendo depois apanhado de surpresa nas consequências dos seus atos.
Do seu último encontro com o liberal Valenod, personagem na qual Stendhal cunhou vários defeitos, Julien vê o remate da tragédia para a qual caminhou ao longo da vida. Aproveitador, traidor, invejoso, corrupto, Valenod já antes tinha tentado comprometer Julien, quando este vivia com os Rênal.
"Há tudo neste jovem excepto juventude"
Desassossegado por triunfar, Julien passa pela sem se encaixar realmente em algum lado, sem encontrar o seu lugar... exceto na nossa memória; inesquecível, Julien é um personagem marcante pela sua complexidade e ambiguidade.
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Frases Preferidas
«Meu Deus, ser feliz, ser amado, é apenas isto?»
«A felicidade deles tinha às vezes a fisionomia do crime»
«Um homem tem mérito aos vossos olhos? Ponde obstáculos diante de tudo o que ele deseja, de tudo o que ele empreende. Se o mérito é real, ele há-de derrubar ou rodear os obstáculos.»
Tal é o efeito de graça perfeita, quando ela é própria do carácter, e sobretudo quando a pessoa que ela adorna não imagina que a tem.»
«Tudo progride lentamente, tudo se faz pouco a pouco nas províncias, há mais Naturalidade.»
«Sou pequeno, minha senhora, mas não sou baixo.»
«Quem me havia de dizer que sentiria prazer em derramar lágrimas, que havia de amar aquele que me prova que não passo de um palerma.»
«pensava nas paixões como nós pensamos na lotaria: logro certo e felicidade que os insensatos procuram.»
«A pureza da alma, a ausência de qualquer emoção odienta prolongam sem dúvida a duração da juventude»
«Assim vai o mundo, é uma partida de xadrez»
«Caído no derradeiro abismo da desgraça, a coragem é o último recurso que resta a um ser humano»
«o homem não pode fiar-se no homem»
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0 Crime e Castigo | Opinião
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5 estrelas,
Fiódor Dostoiévski,
Literatura Clássica,
Literatura Russa,
Romance
Autor: Fiódor Dostoiévski
Editor: Editorial Presença (2007)
Género: Literatura Clássica > Romance
Páginas: 512
opinião
★★★★★ (5/5)
Trágica e emocional, Crime e Castigo é uma obra excecional em vários aspetos, como seja a profundidade psicológica do enredo, a ponderação crítica do mesmo e a complexidade individual das personagens intervenientes. Neste livro, Dostoiévski deixa-nos um extraordinário e profundo estudo da natureza humana, aliado a ponderações filosóficas, religiosas e políticas.
O crime é cometido quando o protagonista, Roskolnikov, assassina uma velha penhorista com o objetivo de lhe roubar dinheiro/pertences e também a irmã desta, que acaba por testemunhar involuntariamente o homicídio. O castigo surge logo depois sob a forma de culpa, remorso e medo.
Psicologicamente torturado, Roskolnikov passa a viver num turbilhão de emoções, alternando entre euforia e pânico, alegria e depressão, amargura e alívio - drama que Dostoiévski descreve de modo extraordinário!
A passo com o desassossego emocional, acompanhamos de perto as motivações de Roskolnikov, a sua atitude niilista e aparente confusão moral. Apesar de o jovem estudante viver na pobreza, este não foi o único fundamento para o malefício cometido; Roskolnikov divide as pessoas em dois grupos: as ordinárias e as extraordinárias. Colocando-se a si próprio no último grupo, Roskolnikov vê-se acima das regras da sociedade, intelectualmente superior e capaz de feitos importantes - não necessariamente éticos - sem sofrer por eles danos ou remorsos. Além de tudo isto, não considera o homicídio um ato condenável se a vítima não for um membro "útil" da sociedade; pelo contrário, encara a morte da agiota como um acontecimento benigno.
Roskolnikov irá - à medida que mente e corpo se corrompem em irracionalidades - que não está realmente no grupo dos extraordinários e a redenção chegará através do seu amor por Sónia, personagem de verdadeira devoção familiar e religiosa, cujo sacrifício (e "crime") tem como objetivo beneficiar os outros e nunca a própria.
Frases Preferidas
«essa sensibilidade de apanhar as coisas todas pelo lado bom também era doentia.» - p. 15
«Porque é necessário ter uma porta onde bater. Porque há momentos na vida em que é indispensável ir a qualquer lado, seja aonde for!» - 19
«O bandalho do ser humano habitua-se a tudo!» - p. 30
«Oh, sim, num caso destes abafamos também o sentimento moral; a liberdade, a paz, até a consciência, levamos tudo à feira da ladra. Adeus, vida!, mas que sejam felizes os nossos seres amados.» - p 46
«Percentagem! São bem bonitas, realmente, as palavrinhas deles, tão calmantes, tão cientificas. Diz-se: percentagem - portanto não é preciso mais nada, não há mais preocupações.» - p 52
«é a doença que engendra o crime ou é o próprio crime que, pela sua natureza especial, é sempre acompanhado por uma espécie de doença?» - p 71
«É assim que as coisas se passam: a pessoa honesta e sensível faz confidências, a pessoa prática ouve e come. E acaba por engolir-te todo, a pessoa prática.» - p 122
«São uns fala-baratos e uns fanfarrões miseráveis! Toca-vos um sofrimentozinho de merda e põem-se a cacarejar em cima dele como a galinha em cima do ovo! Até nisso cometem plágio.» - p 160
«Morrer é inconveniente!» - p 172
«a clareza de espírito, a frescura de sensações e um ardor puro e honesto do coração. Diremos entre parênteses que manter isso tudo é a única maneira de não se perder a beleza, mesmo na velhice.» - p 195
«as pessoas, pela lei da natureza, se dividem em geral em duas categorias: a inferior (vulgares), ou seja, por assim dizer, o material que serve unicamente para engendrar semelhantes; e os homens propriamente ditos, ou seja, as pessoas que possuem o dom ou o talento de dizer, no seu meio, uma palavra nova.» - p 245
«O sofrimento e a dor são sempre obrigatórios para uma consciência ampla e um coração profundo» - p 249
«O manhoso é sempre apanhado nas coisas mais simples.» - p 254
«porque não fazer-me de ordinário, já que esse é um traje tão cómodo para o nosso clima e… e sobretudo, para quem tenha uma inclinação natural para isso.» - p 268
«Era mais um dos muitos que formavam a legião enorme e heterógena de ordinários, abortos débeis e tiranetes diletantes em todas as matérias, que se agarram imediata e obrigatoriamente à ideia que esteja mais em voga, conseguindo banalizá-la num instante e transformar em caricatura tudo o que servem, às vezes do modo mais sincero.» - p 344
«somos pessoas diferentes… E sabes, Sónia, só agora compreendi, agora mesmo, para onde chamei por ti. Mas ontem, quando chamei por ti, eu próprio ainda não sabia. Apelei a ti e vim ter contigo por uma única razão: para que não me abandones.» - p 389
«porque sou tão parvo que não quero ser mais inteligente, só porque os outros são parvos e eu tenho a certeza disso?» - p 392
«quem for forte de espírito e de mente será soberano dos homens! Para eles, quem muito ousar terá razão! Quem menos escrúpulos tiver, será o legislador deles! Quem ousar mais do que os outros, terá ainda mais razão!» - p 392
«Torne-se sol, e será visto por todos» - p 433
«Que feitio tem essa gente toda! Nunca há-de confessar que, no fundo, acredita piamente em milagres!» - p 438
«Se na retidão existir nem que seja uma centésima parte de nota falsa, acontece logo uma dissonância e, a seguir, um escândalo. Com a lisonja, se for tudo falso, até à última nota, mesmo assim será agradável e ouvido com prazer e, mesmo que seja um prazer primitivo, é sempre um prazer.» - p 447
«Ter medo por estética é o primeiro sinal de impotência!» - p 485
«Ressuscitou-os o amor, o coração de um era uma fonte de vida inesgotável para o outro.» - p 510
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0 Noites Brancas | Opinião
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5 estrelas,
Fiódor Dostoiévski,
Literatura Clássica,
Literatura Russa,
Romance
Mas onde se situa a fronteira entre a amizade e o amor? Ambos acabam por admitir que a transpuseram. Mas quando regressa aquele que para a jovem foi o primeiro amor, despede-se do «amigo», lamentando que eles não possam fundir-se numa única e mesma pessoa, para, como desejaria, podes amar os dois indivisa e simultaneamente.
Neste romance, em que, de maneira rápida mas penetrante, se analisam os dilemas, as flutuações e as contradições dos sentimentos humanos, se baseou o filme homónimo, conhecido do nosso público.
Autor: Fiódor Dostoiévski
Editor: Europa-América (2007)
Género: Romance > Literatura Russa
Páginas: 140
opinião
★★★★★ (5 em 5)
«
Criei, nos meus sonhos, romances completos
» - p. 28
O protagonista deste romance, excessivamente tímido, vive em enorme solidão.Passeando pela cidade, estuda os transeuntes sem iniciar com estes qualquer tipo de conversa, absorvendo os sentimentos que lhes adivinha, deixando que influenciem o seu humor: sente contentamento com a alegria alheia e apreensão quando lhes repara tristeza. Este tipo de existência é relatada e colocada em perspetiva quando o jovem - cujo nome não nos é revelado - se cruza com Nastenka, uma rapariga que (des)espera por um outro amor, aguardando o seu contato.
Conversando e partilhando confidências, os dois jovens vão descobrindo afinidades entre eles e acabam por se tornar amigos; ela conta-lhe como tem vivido isolada, sob a rígida autoridade da avó, e como acabou por conhecer o homem que aguarda e ele, intitulando-se «um sonhador», revela-lhe como tem deixado que a vida lhe passe ao lado, vivendo perigosamente isolado do mundo, atravessando dias sucessivamente vazios. « Tenho vivido, assim, como se costuma dizer, metido no meu buraco, isto é, só, absolutamente só, perfeitamente só... » - p. 41 Estas interlocuções e a reação de Nastenka permitem-lhe finalmente reconciliar-se consigo próprio e a amizade evolui, inevitavelmente, para amor.
Nastenka representa este jovem um despertar para a realidade. Contudo, ao sonho, manipulável a gosto, faltará sempre a consistência da veracidade… e a sólida realidade, com os seus vários elementos incontroláveis, tende a sabotar as nossas aspirações.
Infelizmente, Nastenka tem que tomar uma decisão. Poderá «contentar-se» com este novo amor, sabendo que se apaixonou enquanto pensava, falava e ansiava por outro homem ou poderá optar pelo amor pelo qual esperou tanto tempo, sonhando e desesperando pelo mesmo. Quando ao nosso sonhador, sabemos que regressa à solidão, desta vez ainda mais desgostosa e tétrica - « e no que poderei depois sonhar quando, acordado, ao seu lado, fui de tal modo feliz » - p. 64
Este é um livro muito bonito, cheio de significado nesta sua atmosfera melancólica que se harmoniza tanto com o ser «um sonhador». A prosa reflete o caráter do protagonista, a sua fragilidade e a leveza com que passa pela vida, e isso é algo com que raramente me cruzo num livro, ainda mais executado com este nível de excelência.
Frases Preferidas
«Caminhava cantando, pois quando estou contente gosto de cantarolar, como qualquer homem feliz que não tenha amigos, nem conhecidos, e que nos seus momentos de felicidade não tem com quem partilhar a sua alegria» - p. 22
«A inteligência só favorece a beleza» - p.26
«Quando o meu coração fala, a minha boca não se sabe calar.» - p. 27
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