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Wook.pt - Na Floresta
😍A prosa de Na Floresta, só por si, já compensa a leitura. Não é todos os dias que encontramos tamanha violência, loucura e sofrimento narrados de modo tão delicado e poético. Edna O' Brien expõe a falta de coragem da sociedade, a facilidade com que finge não estar a ver, desamparando os mais necessitados e deixando que se tornem vítimas de algo pior até serem eles próprios os vilões.


Branco Ósseo by Ronald Malfi
😂Mal chegamos com Paul à pequena localidade no Alasca de Dread's Hand percebemos que há ali qualquer coisa que não bate certo - além das coisas bizarras e inexplicáveis que lá se passam, os locais não são apenas fechados, evasivos e estranhos, são agressivos com Paul e definitivamente querem vê-lo bem longe... Gostei do modo como Ronald Malfi vai construindo Branco Ósseo através de diálogos bem construídos, poupando-nos a descrições extensas e aborrecidas. Senti uma verdadeira inquietação claustrofóbica em relação a Dread's Hand e mantive-me intrigada com o mistério até ao final!


Wook.pt - Os Conspiradores
😠 Os Conspiradores é sem dúvida uma das minhas maiores desilusões literárias de 2019. Não estabeleci qualquer ligação com o protagonista, parecendo-me desinteressante e sem sentido...o que faz com que o livro se torne também desinteressante, aborrecido, inconsistente e sem sentido.



Wook.pt - A Última Viúva
😂 Apesar de volumoso, A Última Viúva lê-se num instante. Gostei imenso da inteligência e astúcia com que os protagonistas vão lidando com as situações. Reconheço, mas não me incomoda, a violência do livro. Sou da opinião que, se é para abordar certos temas, mais vale fazê-lo a sério!  A Última Viúva pertence à série Will Trent da qual ainda não tinha lido nenhum livro. Não que exista qualquer dificuldade em ler este livro sem termos lido os anteriores, o problema é que veio pôr alguma urgência na situação... tenho mesmo que ler os outros!!!


Wook.pt - Esquerda e Direita: Guia Histórico Para o Século XXI
😖 Esquerda e direita não são, de todo, conceitos ultrapassados. Pelo contrário, faz ainda mais sentido falar sobre eles dada a atual crise global. Neste livro, Rui Tavares, sem tentar descomplicar qualquer um dos lados com definições absolutas, procura dar-nos uma ideia do sentido de cada um deles, não obstante a sua visão vincadamente de esquerda.
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0 A Última Viúva | Opinião

A Última Viúva
Will Trent #9
Wook.pt - A Última ViúvaUm sequestro por resolver
Numa noite quente de verão, Michelle Spivey, cientista do Centro para o Controlo de Doenças (CDC) de Atlanta é levada por desconhecidos de um parque de estacionamenteo de um centro comercial. Não há pistas, ela parece ter-se desvanecido como se fosse fumo e as autoridades procuram-na desesperadamente.

Uma explosão devastadora
Passado um mês, a tranquilidade de uma tarde de domingo vê-se sacudida por uma explosão que faz tremer o chão a quilómetros em redor, seguida segundos depois por uma segunda, igualmente potente. O coração de Atlanta, onde se encontra a Universidade de Emory, a sede do FBI da Geórgia, os hospitais e o próprio CDC, foi atacado.

Um inimigo diabólico
A médica forense Sara Linton e o seu namorado, o polícia Will Trent, aparecem na cena do crime... E sem o saberem, mesmo no epicentro de uma conspiração letal que ameaça acabar com a vida de milhares de inocentes. Quando os terroristas sequestram Sara, Will vai-se infiltrar colocando a sua vida em perigo para salvar a mulher e o país que ama.


Autor: Karin Slaughter
Editor: Harper Collins (2019)
Género: Thriller
Páginas: 544
Original: The Last Widow (2019) 
 Goodreads Choice Award Nominee for Mystery & Thriller (2019)


outros livros de Karin Slaughter


opinião
★★★☆☆
”O que é que leva uma organização paramilitar bem treinada e financiada a querer uma mulher especializada na propagação de doenças infecciosas?” - página 167
Eis o motivo para Michelle Spivey estar a comprar lip gloss para a filha num minuto e no minuto seguinte estar a ser raptada do parque de estacionamento do centro comercial.

Comprei este livro pelo seguinte motivo: li Karin Slaughter na capa, só que não reparei na altura que A Última Viúva pertence à série Will Trent da qual ainda não tinha lido nenhum livro. Não que exista qualquer dificuldade em ler este livro sem termos lido os anteriores, o problema é que A Última Viúva veio pôr alguma urgência na situação... tenho mesmo que ler os outros!!!

Apesar de volumoso, o livro lê-se num instante. O ritmo não é afectado pela constante alternância entre perspectivas. Pelo contrário, esta escolha da escritora só vem aumentar a tensão da trama e a nossa inquietação.

Gostei imenso da inteligência e astúcia com que os protagonistas vão lidando com as situações, especialmente Sara que se recusa a ocupar o papel clássico de vítima, recolhendo informação de modo bastante perspicaz e deixando pistas pelo caminho.

Reconheço, mas não me incomoda, a violência do livro. Sou da opinião que, se é para abordar certos temas, mais vale fazê-lo a sério. Tanto mais que o livro refere o uso de violência por par te de certos grupos na tentativa de curvar o resto da população às suas ideias intolerantes.



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0 Na Floresta | Opinião


Wook.pt - Na FlorestaBaseado num caso real que chocou a Irlanda nos anos 90, Na Floresta conta-nos a história do regresso de Mich O'Kane, o Kinderschreck, a casa. Órfão violento e perturbado, tratado desde criança por todos como um bicho-papão, ninguém na pequena comunidade onde cresceu consegue lidar com ele. Até que uma jovem mãe e o seu filho de quatro anos desaparecem na floresta.

Descrito pela crítica como um dos romances mais ambiciosos e expressivos de Edna O'Brien, Na Floresta arrasta o leitor para o interior da mente psicótica de um assassino, compondo um retrato chocante e compassivo da solidão, do desespero e da violência.


Autor: Edna O'Brien   
Editor: Cavalo de Ferro (2019)
Género: Romance
Páginas: 240
Original: In the Forest (2002) 
 Orange Prize Nominee for Fiction Longlist (2003)


opinião
★★★★☆

«O que perverterá uma criança...o que fará com que uma criança deixe de ser uma criança?» - página 191

Foi a prosa de Edna O'Brien que, de imediato, me prendeu ao livro; sendo esta já motivo suficiente para ler «Na Floresta», mas a intrigante construção da história, o suspense que a acompanha e a terrível aura que a caracteriza mantém-nos interessados até ao fim - mesmo conhecendo o seu desfecho desde o início. «Na Floresta» alojou-se-me no pensamento, permanecendo comigo mesmo quando não o estava a ler.

Não é todos os dias que encontramos tamanha violência, loucura e sofrimento narrados de modo tão delicado e poético, sem que tal se faça sentir como grosso contraste, pelo contrário, prosa e conteúdo validam-se um ao outro.

A narrativa vai sendo enriquecida pelas diferentes perspectivas daqueles que, de uma maneira ou de outra, foram afectados por O'Kane. E aqui, mais uma vez, fica exposto o talento da escritora: não nos sentimos minimamente confusos por esta intercalação de pontos de vista, cada um vem acrescentar autenticidade à história, trazer novas variáveis a ter em conta para formarmos a nossa opinião e mostrar que as coisas não são lineares. Claro que o julgamento possível é apenas um, mas é importante tentar perceber o desencadeamento destas situações, o que leva a progressões tão negativas e drásticas.

«Na Floresta» expõe a falta de coragem da sociedade para lidar com casos do género, a facilidade com que finge não estar a ver, desamparando os mais necessitados e deixando que se tornem vítimas de algo pior até serem eles próprios os vilões. Uma sociedade que, no fim, se vê cinicamente surpreendida pelo resultado.

Este livro é muito mais do que a história de um triplo homicídio. Edna O'Brien construiu com enorme mestria uma alma em sofrimento, presa ao último fio de sanidade, convertendo toda a sua loucura em pura maldade.

Frases preferidas
«dir-me-ás que acabaste de descobrir o amor, e dir-te-ei que acabaste de descobrir a desilusão.» - página 49







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0 Esquerda e Direita: Guia Histórico Para o Século XXI


Wook.pt - Esquerda e Direita: Guia Histórico Para o Século XXI
O que são, afinal, a esquerda e a direita políticas? Trata-se de conceitos estanques, flutuantes, ou relativos? Quando foi que começámos a usar estes termos para designar enquadramentos políticos? Esquerda e direita: Guia histórico para o século XXI é um ensaio historiográfico, político e filosófico no qual Rui Tavares responde a estas questões e explica por que razão a terminologia «esquerda / direita» não só continua a ser relevante, como poderá fazer hoje mais sentido do que nunca.

Autor: Rui Tavares 
Editor: Tinta da China (2016)
Género: Política
Páginas: 104


opinião
★★★★☆
«Esquerda e direita» é, pois, a grande divisão política da modernidade – página 33
Esquerda e direita não são, de todo, conceitos ultrapassados. Pelo contrário, faz ainda mais sentido falar sobre eles dada a atual crise global. Neste livro, Rui Tavares, sem tentar descomplicar qualquer um dos lados com definições absolutas, procura dar-nos uma ideia do sentido de cada um deles, não obstante a sua visão vincadamente de esquerda. Acompanhamo-lo num percurso histórico pelos conceitos de esquerda e direita até chegar aos dias de hoje, espreitando também as necessidades de mudança para o futuro.

Antagonistas e rivais, com formas distintas de estar na sociedade e na cultura, são múltiplas e sucessivas as oposições entre esquerda e direita, uma «dinâmica por vezes emancipadora, por vezes mortífera» (página 38). A importância está na aceitação da diferença e não na procura pelo seu esmagamento, na possibilidade de escolha, na interação, no diálogo e na busca pelo equilíbrio - «a conformação do que deve ser a sociedade pertence a todos os seres humanos» (página 36)

O discutível, sempre o discutível, é que nos há-de guiar – página 81
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0 Os Conspiradores | Opinião


Wook.pt - Os ConspiradoresBasta-lhe apertar o gatilho. Mas hesita. Talvez porque o sol se esteja a pôr. Ou porque a visão da sua vítima, a regar as flores do jardim, o faça hesitar. Ou talvez porque, aos 32 anos, e depois de 15 como assassino contratado, sinta um inesperado vazio. Poisa portanto a arma. O sol, entretanto, já se pôs. Reseng deita-se à espera de um novo dia. Então matará o general. Ou talvez não. Porque o velho lhe aparece de repente ao cair da noite. E convida-o para um chá.

O início do livro é extraordinário. Apaixonamo-nos por Reseng, um assassino em crise existencial. E aos poucos, em pinceladas precisas, aprendemos a conhecê-lo melhor. É um órfão, foi acolhido aos quatro anos por um gangster, e vive desde então numa enorme biblioteca - que é também a sede de um sindicato do crime. É ali que recebe as ordens para matar, por entre leituras de Sófocles e Calvino.

Os Conspiradores deram a conhecer ao Ocidente o premiado autor coreano Un-su Kim, que deixou a crítica tão rendida como desconcertada. Surgiram as comparações, falou-se muito em Camus, em Murakami e até em Don DeLillo. Mas se nas referências literárias não foi encontrado um denominador comum, sempre que se frisava o fulgor cinematográfico da obra, o nome evocado era o mesmo: Quentin Tarantino.

Algures entre esses dois polos - um existencialismo mudo a par de uma exuberante coreografia da violência -, desenha-se um romance notável, que nos prende à leitura e nos leva para além dela.


Autor: Un-Su Kim
Editor: Lua de Papel (2019)
Género: Thriller
Páginas: 336
Original: 설계자들 (2010) 
 xxxpremio


opinião
★☆☆☆☆

Este mundo não é uma confusão porque as pessoas são más, mas porque todas têm as suas histórias e desculpas para fazerem coisas más

Reseng foi encontrado num caixote do lixo; cresceu no meio de assassinos a soldo e caçadores de recompensas até se tornar ele próprio num.
Os Conspiradores foi o livro mais aborrecido que li este ano. Não cheguei a desenvolver nenhuma ligação com o protagonista: Reseng não se preocupa muito em questionar quem dá as ordens de assassinato nem porquê, acredita que nada vai mudar e que a queda de um manda-chuva serviria apenas para colocar lá outro, sendo essa a justificação para continuar a exercer a sua «profissão». Mesmo quando surge a oportunidade de fugir de uma vida de crime constante e obrigatório, opta por desistir de uma vida normal e voltar ao mundo dos homicídios por encomenda.

Reseng é desinteressante e faz pouco sentido...o que faz com que o livro se torne também desinteressante, aborrecido, inconsistente e sem sentido. Nunca me senti 100% imersa na história, pelo contrário, forcei-me a prosseguir a leitura até ao final - apenas para me desiludir mais ainda com a conclusão!

Frases preferidas:
Não é por a casa de banho estar suja que cagamos nas calças - página 76

Mas, infelizmente, a vida não é só um jogo de lençóis. Não se pode lavar o passado, as recordações, os erros ou os remorsos - página 195

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0 Branco Ósseo | Opinião


Branco Ósseo by Ronald MalfiO mundo divide-se entre os que não acreditam no bicho-papão… e os que acreditam.

Paul Gallo soube da terrível notícia pela televisão: um assassino em série confessara o seu crime e conduzira a polícia ao sítio onde havia enterrado as suas vítimas, na remota povoação de Dread’s Hand, no Alasca. A mesma região inóspita onde Danny, o seu irmão gémeo, fora visto pela última vez no ano anterior. Atormentado pela angústia do destino incerto de Danny, Paul deixa a sua vida rotineira para trás e viaja até ao agreste Alasca em busca de respostas.

Há algo de diabólico e monstruoso naquele lugar.

Contudo, os sinistros habitantes de Dread’s Hand recebem-no com hostilidade e desconfiança. Ao invés de pistas, Paul encontra um grupo de pessoas supersticiosas, crentes num demónio que rouba almas, numa povoação cercada por cruzes brancas destinadas a afugentar o mal que se encontra à solta na floresta.

Quanto mais os habitantes negam ajuda a Paul, mais ele procura respostas e se torna também parte do mistério. E, aos poucos, também ele começa a sentir o mesmo, uma presença de fazer gelar os ossos…

Autor: Ronald Malfi  
Editor: TopSeller (Setembro, 2019)
Género: Thriller
Páginas: 352
Original: Bone White (2017) 
Goodreads Choice Award Nominee for Horror (2017)

Opinião
★★★☆☆
A entrada de Joe no snack bar da pequena localidade de Dread's Hand, no interior do Alasca, edixa os locais desconcertados. Ninguém o via há anos e não se pode dizer que Joe esteja com o melhor dos aspectos, mas também ninguém estava à espera que ele confessasse que nos últimos 5 anos tem andado ocupado a assassinar pessoas e a enterrá-las no bosque. 

Quando o caso chega ao noticiário nacional, o professor Paul Gallo não pode deixar de questionar se não ficará agora resolvido o misterioso desaparecimento do seu irmão gémeo Danny. É verdade que Danny sempre foi problemático mas desta vez parecia estar confiante que ia encontrar um rumo para a sua vida quando decide fazer uma busca pela alma no remoto Alasca. Por isso Paul decide ir ao local investigar por ele próprio. 

Entramos nesta investigação com Paul e depressa percebemos que há algo que não bate certo. Dread's Hand está cheia de coisas bizarras e inexplicáveis e as pessoas que lá habitam não são apenas fechadas, evasivas e estranhas, são agressivas com Paul e definitivamente querem vê-lo bem longe...

Gostei do modo como Ronald Malfi vai construindo a sua história, mostrando-nos o máximo possível através de diálogos bem construídos e poupando-nos a descrições extensas e aborrecidas que cortam o suspense deste tipo de livro. Senti uma verdadeira inquietação claustrofóbica em relação a Dread's Hand e mantive-me intrigada com o mistério até ao final. 

Muitos thrillers se servem do sobrenatural para espicaçar o nosso interesse e conseguirem potenciar o suspense do livro, dando no final uma explicação perfeitamente lógica para tudo, deixando-nos a sentir ligeiramente enganados. Branco Ósseo não é assim, serve-se do sobrenatural sem se comprometer demasiado nem tornar o livro fantasioso, mas remata-o de modo muito satisfatório. 





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0 Pequenas Misérias da Vida Conjugal | Opinião

Wook.pt - Pequenas Misérias da Vida Conjugal

Balzac revela-se aqui um divertido observador da intimidade dos casais. No essencial, apresenta-nos dois tipos humanos. De um lado, Adolphe, um burguês de desesperante aridez mental; do outro, Caroline, reduzida à dependência. 

Em conjunto, os dois jovens esposos vão percorrer o caminho que leva das promessas de felicidade às desilusões e mesmo às misérias do casamento. Como muitas vezes acontece, o casal vai viver as diferentes fases da experiência da incompreensão mútua.

O resultado é um quadro ao mesmo tempo grave e pleno de humor, onde Balzac mostra o seu talento para entender a psicologia, o amor-próprio e os conflitos das personagens.


Autor: Honoré de Balzac
Editor: Relógio D'Água (Julho, 2019)
Género: Romance
Páginas: 208
 


opinião
★★★★
O senhor que exclama tantas vezes: “Não sei o que tem a minha mulher!...”, há de beijar esta página de filosofia transcendente, pois achará aqui a chave do carácter de todas as mulheres!... Agora, conhecê-las tão bem como eu as conheço, nem por isso seria conhecê-las a fundo: pois se elas não se conhecem a si próprias! Porque até Deus, e ninguém o ignora, se enganou a respeito da única com quem teve de lidar e se dera ao trabalho de fazer.

Pequenas Misérias da Vida Conjugal é miseravelmente cómico.

Damos por nós a acompanhar, através das animadas e afiadas palavras de Balzac, Adolphe e Caroline desde a felicidade de um matrimónio recente até à completa indulgência e desinteresse, passando pelas diferentes fases de desilusão e conflito que aí conduziram. Passei rapidamente pelo livro quase sem dar por ele, genuinamente divertida com as peripécias pintadas pelo autor, mas sem perder de vista a tragédia verdadeiramente retratada.

Frases Preferidas
Quantas vezes as nossas opiniões não são ditadas pelos acontecimentos desconhecidos da nossa vida? – 20

Elas possuem um repertório de malícias disfarçadas de bondade, revestidas de uma indulgência capaz de exasperar um santo, de tornar sério um macaco e de arrepiar um demónio – 34

As mulheres que sabem sempre muito bem explicar as suas grandezas, deixam-nos as fraquezas para nós adivinharmos – 36

O sentimento não é a mesma coisa que o raciocínio, a razão não é o prazer, e o prazer não é, certamente, uma razão – 37

As mulheres têm sempre medo daquilo que se partilha – 44

O senhor que exclama tantas vezes: “Não sei o que tem a minha mulher!...”, há de beijar esta página de filosofia transcendente, pois achará aqui a chave do carácter de todas as mulheres!... Agora, conhecê-las tão bem como eu as conheço, nem por isso seria conhecê-las a fundo: pois se elas não se conhecem a si próprias! Porque até Deus, e ninguém o ignora, se enganou a respeito da única com quem teve de lidar e se dera ao trabalho de fazer. – 53

Pois, na sua cólera contra uma rival, todas as mulheres, até as duquesas, empregam a invetiva e chegam a servir-se das palavras das regateiras; todas as armas lhes servem então – 54

A maior parte dos homens demonstra sempre certa compreensão perante uma situação difícil, quando não a compreende completamente – 55

O Vício, o Cortesão, a Infelicidade e o Amor só conhecem o presente – 57

Nenhum homem descobriu ainda o processo de dar um conselho de amigo a qualquer mulher, nem sequer à sua – 60

Dizem que as mulheres são perversas… Mas quem é que as perverte? – 71

A bisbilhotice nunca adormece, ao passo que a prudência tem os seus momentos de esquecimento – 83
Ó mulheres! Vós fostes ouvidas, pois, se nem sempre sois compreendidas, conseguis sempre que vos ouçam lindamente!... – 96

Para se ser feliz no casamento é preciso: ou ser um homem inteligente, casado com uma mulher terna e espiritual, ou então que, por efeito do acaso, que não é tão comum como se poderia pensar, tanto o homem como a mulher sejam estúpidos em altíssimo grau – 127

Durante a sua juventude as mulheres querem ser tratadas como divindades, adoram o ideal; não suportam a ideia de ser aquilo que a Natureza quer que elas sejam – 129

Meu caro: a felicidade conjugal, como a dos povos, funda-se na ignorância. É uma felicidade cheia de condições negativas – 134


Quando a uma mulher se dão razões em vez de se lhe dar o que ela quer, poucos homens ousaram descer ao fundo deste pequeno abismo chamado coração, para avaliar a força da tempestade que nele se levanta então subitamente - 161

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