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0 O Crime do Padre Amaro - Opinião


Wook.pt - O Crime do Padre AmaroNa versão definitiva desta obra (1880), conjugam-se três fatores já previamente salientes na carreira de Eça mas cuja importância relativa e cujo significado se irão modificando: um dado propósito de crítica social contemporânea; uma dada perceção de como determinadas personagens, enganando as outras, se enganam afinal a si próprias, fingindo acatar pautas morais de comportamento; e uma certa auréola de sonho que elas exalam. Assim, em qualquer das três versões deste romance se evidencia uma violenta crítica ao clero católico que já tem raízes nos Iluministas ou no romantismo liberal, e aos efeitos da sua burocratização constitucionalista, da sua presença em lares burgueses.


Autor: Eça de Queirós
Editor: Porto Editora 
Género: Romance
Páginas: 512



opinião
★★★★☆
Amor, Paixão, Posse, Martírio – como uma semente impercetível que mal se sente entre os dedos e que se torna, com um pouco de sol e uma pouca de humidade, árvore enorme onde os pássaros cantos e os ventos rugem – 271

Gostei bem mais deste romance proibido entre um padre e uma beata provinciana do que estava à espera graças ao tom crítico e irónico – que chegaria a ser cómico se não refletisse uma triste realidade do seu tempo – com que Eça de Queirós o escreveu.

O escritor arranca do altar estes hipócritas membros do clero lá colocados por um país extremamente religioso, cheio de cegos e devotos seguidores, permitindo-lhes impor ao povo regras que os próprios quebravam sem qualquer consequência.

A corrupção moral destes homens – não mais que isso – é assim exibida; o modo como controlavam os crentes por meio da sua fé, manipulando-os em benefício próprio.

Um clássico que merece bem a nossa atenção.







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0 Adão e Eva no Paraíso | Opinião


Wook.pt - Adão e Eva no Paraíso
Adão, Pai dos Homens, foi criado no dia 28 de Outubro, às duas horas da tarde… Assim o afirma, com majestade, nos seus «Annales Veteris et Novi Testamenti», o muito douto e muito ilustre Usserius, bispo de Meath, arcebispo de Armagh, e chanceler-mor da Sé de S. Patrício. (…) Adão, no terrível dia 28 de Outubro, depois de espreitar e farejar o Paraíso, não ousou declarar reverentemente ao Senhor: «Obri¬gado, oh meu doce Criador, dá o governo da Terra a quem me¬lhor escolheres, ao elefante ou ao canguru, que eu por mim, bem mais avisado, volto já para a minha árvore!...» Mas enfim, desde que nosso Pai venerável não teve a previdência ou a abnegação de declinar a grande supremacia -continuemos a reinar sobre a Criação e a ser sublimes... Sobretudo continuemos a usar, insaciavelmente, do dom melhor que Deus nos concedeu entre todos os dons, o mais puro, o único genuinamente grande, o dom de O amar - pois que não nos concedeu também o dom de O compreender. E não esqueçamos que Ele já nos ensinou, através de vozes levantadas em Galileia, e sob as mangueiras de Veluvana, e nos vales severos de Yen-Chu, que a melhor maneira de O amar é que uns aos outros nos amemos, e que amemos toda a Sua obra, mesmo o verme, e a rocha dura, e a raiz venenosa, e até esses vastos seres que não parecem necessitar o nosso amor, esses sóis, esses mundos, essas esparsas nebulosas, que, inicialmente fechadas, como nós, na mão de Deus, e feitas da nossa substância, nem decerto nos amam - nem talvez nos conhecem.


Autor: Eça de Queirós
Editor: Colares Editora
Género: Romance
Páginas: 80

💬 opinião
★★★

«Sofrendo - por arrastar consigo, irresgatavelmente, esse mal incurável que é a sua alma!» - p. 52

Tudo começou (aparentemente) num domingo, dia 23 de Outubro de 4004 a. C. É daqui que partimos com Eça numa narrativa sobre o início da humanidade, acompanhando Adão e Eva nas suas dificuldades do dia-a-dia.

Tudo é novidade e é precisamente a hostilidade destes primeiros dias, com a consequente necessidade de ultrapassar novos desafios, que conduz à evolução. Uma evolução desejada, mas cujo real benefício Eça nos leva a questionar quando compara o nosso quotidiano cheio de problemas e stress com o pacífico dia-a-dia dos animais, sem dúvidas filosóficas ou religiosas.

Deambulando habilmente entre religião e ciência, incorporando na sua narrativa tanto ensinamentos bíblicos como as evidências do evolucionismo, não parece ser intenção do autor que o leitor perca a sua fé quer num quer noutro, o que torna a leitura muito agradável e cómica, sem escarnecer ou criticar.

Acabei por gostar muito deste pequeno livro; adorei a prosa e a imaginação do autor, o humor com que leva a cabo esta sua história e gostei imenso dos parágrafos finais!



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0 O Primo Basílio + Opinião

  O Primo Basílio, um romance de costumes publicado pela primeira vez em 1878, satiriza a moralidade de uma família burguesa da época.
  Jorge e Luísa são o típico casal burguês da classe média lisboeta. Para a sua felicidade estar completa, esperam apenas um filho. Mas este equilíbrio familiar fica em risco com a partida de Jorge para o Alentejo, onde irá ficar durante longas semanas. É então que Luísa, aborrecida e sozinha em casa, recebe a visita do seu primo Basílio, que lhe fizera a corte antes de partir para o Brasil e enriquecer. Basílio tece uma malha em volta de Luísa, arrastando-a para o adultério numa história de chantagem, imoralidade e tragédia.

Autor: Eça de Queirós
EditorCivilização Editora (Novembro, 2012)
Género: Clássico
Páginas: 376
Opinião
My rating: 4 of 5 stars
Senti a angústia de Luísa, o carinho e adoração que Jorge lhe tinha, o estupidificante egocentrismo do primo, a amargura de Juliana, a ignorante jactância do Conselheiro, a lealdade de Sebastião… caramba, até me pareceu sufocar de calor durante os primeiros capítulos quando na realidade está a chover lá fora! E é esta astúcia de Eça, capaz de nos levar a viver as suas histórias, que acaba por transformar um simples e pouco original caso de adultério numa obra de arte.

Numa prosa que não consigo louvar o suficiente, Eça vai zombando dos seus personagens, tecendo-lhes duras críticas, cheias de humor e sarcasmo, a um ritmo vigoroso; deixando-nos espreitar o que se esconde por detrás de tanta fanfarronada - a verdadeira essência de cada um, por muito anémica em virtude que ela seja.

Entre ociosidade e futilidade, vítimas da sua própria carência ambiciosa e da fé que depositaram no romance como modo de fuga a uma vida que lhes sabia a inútil, depois de Emma Bovary, Luísa é agora a minha segunda adúltera preferida.

Frases Preferidas:
É que o amor é essencialmente perecível, e na hora em que nasce começa a morrer. 
- Amigo Sebastião, eu digo o que penso, tu fazes o que entendes. 
Oh, que estúpida que é a vida! Ainda bem que a deixava! 
Continue as suas orações. Deus é imperscrutável em seus decretos.  
- Sabem o que isto é? Sabem o que tudo isto é? - Fazia um gesto que abrangia o universo. Fitou-as irado, e rosnou esta palavra suprema: - Um monte de estrume!


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0 A Morte do Diabo {Livros Junho 2013}

Composta em 1869, A Morte do Diabo, conhecida apenas por referências em textos dispersos dos seus libretistas Eça de Queirós e Jaime Batalha Reis, esteve perdida durante 120 anos. Foi descoberta no espólio do autor da música, Augusto Machado, na Biblioteca Nacional, numa partitura sem qualquer menção ao título nem aos autores. É esta a opereta inédita que agora se apresenta, com estudos de Irene Fialho (que a reencontrou), Mário Vieira de Carvalho e José Brandão. A Morte do Diabo mostra a expressão humorística dos seus autores, sobretudo de Eça de Queirós, numa faceta pouco conhecida, o verso cómico.

Autor: Eça de Queirós com Jaime Batalha Reis e Augusto Machado
Editor: Caminho (4 de Junho, 2013)
Género: Literatura Clássica
Páginas: 192

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0 Os Maias (Eça de Queirós)

~ Os Maias ~ de Eça de Queirós

Sinopse:
«Os Maias são pura e simplesmente, uma das obras-primas da literatura europeia da época. Por ser longo, o livro tende a ser considerado - como o foi pelos contemporâneos - enfadonho. É um erro crasso. Com ou sem recomendação da escola, com ou sem obrigação de preparar os exames, com ou sem necessidade de analisar o sujeito, o predicado e o complemento directo, deixe-se levar pelo enredo da história, pela descrição dos ambientes e sobretudo pelo esplendor da prosa.» 

Editora: Texto Editores (2009) - original de 1888
N.º de Páginas: 624
Cotação: 




A Minha Opinião:


Eça de Queirós pinta-nos um retrato o mais fiel e abrangente possível da sociedade portuguesa do século XIX - sem pretensões, sem artifícios, mas com uma astúcia que não granjeia muitos. As discussões levadas a cabo por diversas personagens distintas, com os seus próprios pontos de vista e ideais, sejam elas do foro político ou cultural, relativas ao progresso estrangeiro ou à estanquicidade portuguesa, são a ferramenta de crítica que Eça utiliza na sua análise e censura. Um excelente exemplo de tal é o recurso às três personagens do sexo masculino, representantes de três gerações diferentes, que nos oferecem uma visão muito abrangente dos mais diversos assuntos. 

Contrapondo o romantismo com o realismo, Eça engrandece esta magnífica obra com descrições espetacularmente detalhadas e ricas, escrevendo de forma aprimorada e inteligente, e aditando uma quantia saudável de humor e diversão que impedem que a leitura se torne aborrecida. 

As personagens estão soberbamente bem descritas - as suas aspirações, paixões, motivações - e dão vivacidade à obra. 

Um clássico da literatura portuguesa e com fundamento para isso! Uma obra que vale a pena ler mesmo que já se conheça a história. Personagem preferida?! O Reverendo Bonifácio, é claro!
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0 Eça de Queirós

~ O Autor: Eça de Queirós ~ 


José Maria Eça de Queirós nasceu a 25 de novembro de 1845 numa casa da Praça do Almada na Póvoa de Varzim, no centro administrativo da cidade; foi batizado na Igreja Matriz de Vila do Conde . Filho de José Maria Teixeira de Queirós e Carolina Augusta Pereira d'Eça, Com 16 anos foi para Coimbra estudar Direito, tendo aí sido amigo de Antero de Quental. Seus primeiros trabalhos, publicados como um folhetão na revista "Gazeta de Portugal", apareceram como coleção, publicada depois da sua morte sob o título Prosas Bárbaras. Em 1869 e 1870, Eça de Queirós viajou ao Egito e visitou o canal do Suez que estava sendo construído, o que inspirou diversos de seus trabalhos, o mais notável dos quais o Mistério da Estrada de Sintra, de 1870, e A Relíquia, apenas publicado em 1887. Em 1871 foi um dos participantes das chamadas Conferências do Casino. Quando foi despachado mais tarde para Leiria para trabalhar como um administrador municipal, escreveu sua primeira novela realista da vida portuguesa, O Crime do Padre Amaro, que apareceu em 1875. Aparentemente, Eça de Queirós passou os anos mais produtivos de sua vida em Inglaterra, como cônsul de Portugal em Newcastle e em Bristol. Escreveu então alguns dos seus trabalhos mais importantes, A Capital, escrito numa prosa hábil, plena de realismo. Suas obras mais conhecidas, Os Maias e O Mandarim, foram escritas em Bristol e Paris respetivamente. Seu último livro foi A Ilustre Casa de Ramires, sobre um fidalgo do séc XIX com problemas para se reconciliar com a grandeza de sua linhagem. É um romance imaginativo, entremeado com capítulos de uma aventura de vingança bárbara ambientada no século XII, escrita por Gonçalo Mendes Ramires, o protagonista. Trata-se de uma novela chamada A Torre de D. Ramires, em que antepassados de Gonçalo são retratados como torres de honra sanguínea, que contrastam com a lassidão moral e intelectual do rapaz. Morreu em 1900 em Paris. Seus trabalhos foram traduzidos em aproximadamente 20 línguas. Foi também o autor da Correspondência de Fradique Mendes e A Capital, obra cuja elaboração foi concluída pelo filho e publicada, postumamente, em 1925. Fradique Mendes, aventureiro fictício imaginado por Eça e Ramalho Ortigão, aparece também no Mistério da Estrada de Sintra.


~ Obras de Eça de Queirós ~ 



  • O mistério da estrada de Sintra (1870);
  • O Crime do Padre Amaro (1875);
  • A Tragédia da Rua das Flores (1877-78);
  • O Primo Basílio (1878);
  • O Mandarim (1880);
  • As Minas de Salomão (1885);
  • A Relíquia (1887);
  • Os Maias (1888);
  • Uma Campanha Alegre (1890-91);
  • O Tesouro (1893);
  • A Aia (1894);
  • Adão e Eva no paraíso (1897);
  • Correspondência de Fradique Mendes (1900);
  • A Ilustre Casa de Ramires (1900);
  • A Cidade e as Serras (1901, póstumo);
  • Contos (1902, póstumo);
  • Prosas bárbaras (1903, póstumo);
  • Cartas de Inglaterra (1905, póstumo);
  • Ecos de Paris (1905, póstumo);
  • Cartas familiares e bilhetes de Paris (1907, póstumo);
  • Notas contemporâneas (1909, póstumo);
  • Últimas páginas (1912, póstumo);
  • A Capital (1925, póstumo);
  • O conde de Abranhos (1925, póstumo);
  • Alves & Companhia (1925, póstumo);
  • Correspondência (1925, póstumo);
  • O Egipto (1926, póstumo);
  • Cartas inéditas de Fradique Mendes (1929, póstumo);
  • Eça de Queirós entre os seus - Cartas íntimas (1949, póstumo);
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