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0 As Minhas Leituras | Janeiro 2016
★★★★★



★★★★✩





★★★✩✩


★★✩✩✩

Os meus preferidos de Janeiro foram O Vermelho e o Negro de Stendhal e Viagens na Minha Terra de Almeida Garrett. Stendhal impressionou-se pela forma suave com que avança pela narrativa, apresentando-nos a Julien, um personagem inesquecível, tecendo uma excelente crítica à sociedade em que este se insere enquanto que, ao mesmo tempo, narra os acontecimentos que levaram Julien ao seu final trágico.
Por sua vez, Garrett arrebatou-me com a sua prosa encantadora, também ela reflectindo e criticando a situação política e social da época ao mesmo tempo que narra um romance trágico. Admito que a história de Carlos e Joana não me diz muito; interessou-me «apenas» pela sua comparação simbólica à realidade vivida no país, reflectindo o embate entre ideais distintos.
Pequenos, fantasiosos mas bem significativos, Roverandom de Tolkien, História de um Gato e de um Rato que se Tornaram Amigos de Sepúlveda e As Aventuras de Tom Sawyer de Mark Twain são encantadores! A criatividade de Roverandom é simplesmente genial; Tolkien leva-nos numa maravilhosa aventura desde a superfície da Lua até às profundezas do mar!
Sepúlveda mostra-nos explica-nos com enorme simplicidade os princípios da amizade. Além de me levar a considerar a amizade no geral, este livro encantou-me pela chamada de atenção e pequena homenagem aos pequenos seres peludos de quatro patinhas que nos acompanham na vida e que infelizmente, e de forma tão dolorosamente injusta, não nos acompanham tempo suficiente.
Tom e Huckleberry, transportam-nos até tempos em que nos expressávamos com igual simplicidade, passando muitas vezes pela casmurrice [demasiadas vezes, no meu caso] e tirávamos as mais rápidas [e extremamente improváveis] conclusões, tomando inclusivamente a magia e o fantástico como bases plausíveis para justificar qualquer fenómeno que escapasse à nossa compreensão. Para além de me ter permitido retroceder alguns aninhos, a comicidade das sucessivas tropelias de Tom é genuína e a esperteza com que ele lida com as situações que se lhe apresentam é interessante o suficiente para que este possa ser também um livro para os mais crescidos.
O Príncipe de Maquiavel e Um Diamante do Tamanho do Ritz de Fitzgerald estavam ambos na minha prateleira de livros por ler à demasiado tempo!
Um Diamante do Tamanho do Ritz é o terceiro livro que leio de F. Scott Fitzgerald e, embora não suplante O Grande Gatsby, gostei muito. Aqui Fitzgerald deixa-nos uma crítica claramente uma crítica à importância que a sociedade dá ao dinheiro e aos que o possuem. O dinheiro e a obsessão pelo mesmo revelam-se uma prisão para os personagens do livro, resultando na perda de valores morais e na realização de actos terríveis. Por entre sátira, fantasia e hipérbole, F. Scott Fitzgerald arranjou uma forma bem real de ridicularizar a sociedade, narrando simultaneamente o romance de John Unger, a quem a provação em causa acaba por ensinar algumas coisas e desencadear o seu amadurecimento sem, no entanto, fazer com que ele perca um optimismo ligeira e propositadamente ridículo.
Sem escrúpulos, Niccolò Machiavelli analisa e expõe o comportamento que um governador deve adotar para subir ao poder e manter-se no topo. Bem-sucedidos ou completamente arruinados, o escritor serve-se de vários exemplos para fundamentar as suas conclusões - homens que reconheceram a oportunidade gerada pela atribulação e se serviram dela para revelar as excecionais mentes e forças que os colocariam na História. Com o seu tom direto e conciso, O Príncipe reúne verdades intemporais, tornando-se uma excelente e inquietante fonte de reflexão política.
Gostei muito de Um Caso Tipicamente Inglês da já nossa conhecida Elizabeth Edmondson. Além das várias suspeitas que Edmondson nos obriga a levantar sobre as diversas personagens do livro, a escritora cria um ambiente rural encantador, cheio de mexericos e curiosidade, numa época pós-guerra já de si muito interessante.Este é o primeiro livro da nova série da autora e eu mal posso esperar pelo próximo!
Também gostei muito de A Perfeição de Fiona - acreditem que vale bem a pena - mas a sua fraca representação literária leva-me a ficar, muito injustamente, admito, pelas três estrelas. Chesney tem o dom de distribuir comicidade não só na base da acção mas também nos pequenos pormenores e nas identidades e idiossincrasias dos seus personagens.
Também estou desejosa de ler o próximo livro desta série...e estas edições são tão bonitas!
Tenho lido alguns dos contos de H. P. Lovecraft e em Janeiro foi a vez de Herbert West: Reanimator, embora pessoalmente este conto não me tenha agradado muito, conheço a competência e criatividade do autor e sei que são ambas fantásticas portanto não tenho este trabalho, produzido ainda na imaturidade do escritor, como referência.
Pelo contrário, A Filha Desaparecida, para o qual tinha grandes expectativas, acabou por ser uma desilusão, especialmente porque estava a gostar do livro e do mistério que nele consta mas o final é uma grande desilusão e frustração! Ao longo do livro a falta de acção foi sendo largamente compensada pelo meu interesse na resolução do mistério, mas as expectativas que Shemilt foi criando acabaram por ficar longe de se verem correspondidas.
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0 A Perfeição de Fiona | Opinião
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3 estrelas,
Marion Chesney
A Educação de Felicity
Academia de Etiqueta #1
As românticas Amy e Effie Tribble sonhavam com ricos jantares de carne assada e batalhões de criados aduladores mas agora estão oficialmente na penúria. Ironicamente, é neste cenário desolador que lhes ocorre uma ideia brilhante: colocar a sua educação esmerada ao serviço das jovens mais "difíceis", apresentá-las à sociedade e arranjar-lhes casamento. Não contavam que a sua primeira cliente fosse Lady Felicity Vane, cuja rebeldia ameaça enlouquecer a sua própria mãe e arruinar o projeto sentimental de Amy e Effie.
A jovem prefere caçar com os amigos a pensar em casar. Mal ela sabe que o seu suposto pretendente é o homem que mais a irrita (e que mais irritado se sente por ela). Felicity nunca admitirá que o seu coração treme ao ver Charles Ravenswood, principalmente porque o elegante marquês parece não ter paciência nenhuma para as suas extravagâncias. O clima entre ambos é tão tenso que, se soubessem o que as irmãs planeiam, o resultado seria, no mínimo, desastroso…
Género: Romance
Páginas: 240
Original: Refining Felicity (1988) [Goodreads]
opinião
★★★ (3 em 5)
Gostar de "A Educação de Felicity" depende do que procuramos num livro. Se andamos à procura de romance apaixonado ou de cenas tórridas: isto não vai correr nada bem; mas se tivermos como objectivo passar algumas horas de diversão descomprometida com um livro, então este é uma boa opção.
Marion Chesney não perde tempo - avança rapidamente pela história, abordando os acontecimentos de forma bastante superficial e sem se importar muito com a exploração dos sentimentos dos intervenientes.
O êxito deste livro deve-se à dupla de manas, Amy e Effy, duas solteironas que, embora já tenham passado há muito da idade de casar, ainda não desistiram! Nem me parece que desistam tão cedo...
Esta é, resumindo, uma leitura muito rápida, descomplicada e cheia de humor, enriquecida com um ou outro pormenor interessante sobre os maneirismos da época.
A Perfeição de Fiona
Academia de Etiqueta #2
A s formidáveis irmãs Tribble estão intrigadas. Por um lado, estão contentes por terem nas mãos mais uma jovem a quem preparar para a vida na alta-sociedade. Mas por outro, a sua nova cliente, Fiona Macleod, parece ser tudo menos intratável. Precisará mesmo da ajuda da Academia de Etiqueta? A lindíssima e abastada herdeira escocesa não tem um único defeito que se lhe aponte: é educada, graciosa, recatada, e fluente em italiano! Infelizmente, aos dezanove anos, ainda não arranjou marido, e é esse o plano de Mr. e Mrs. Burgess, tios e guardiões de Fiona.
A única recomendação? Que ela se mantenha afastada de Lord Peter Harvard.
Mas a verdadeira Fiona está prestes a revelar-se. E escolhe logo o seu primeiro baile para o fazer. Namorisca despudoradamente com os seus inúmeros pretendentes e aborda assuntos proibidos para qualquer jovem que se preze. Pois a verdade é que Fiona não tenciona casar-se... e nem mesmo as atenções de Lord Peter, o solteiro mais cobiçado da sociedade, a farão mudar de ideias. Mas quando as discussões acaloradas entre ambos dão lugar a beijos escaldantes, é possível que Fiona esteja prestes a reconsiderar...
No seguimento de A Educação de Felicity, A Perfeição de Fiona é o segundo volume da aclamada série Academia de Etiqueta.
Género: Romance
Páginas: 240
Original: Perfecting Fiona (1989) [Goodreads]
opinião
★★★ (3 em 5)
My rating: 3 of 5 stars
As nossas solteironas da alta sociedade londrina preferidas estão de volta e, mais uma vez, bem próximas da penúria...
Marion Chesney oferece-nos um início estimulante - mesmo que contratar os serviços das excêntricas irmãs Trible seja agora sinónimo de admitir ter em mãos uma jovem "difícil", os tios de Fiona não têm alternativa senão arriscar.
Assim que Fiona e Peter se cruzam pela primeira vez, ela atrevida e descarada, ele na melhor interpretação do seu papel de libertino, sabemos como o livro vai terminar, mas o que nos interessa mesmo é que forma divertida arrajou Chesney para lá chegar.
Com efeito, tomam lugar diversos acontecimentos neste livro mas de forma bem compactada e rápida, não somos maçados com grandes diatribes mas sim brindados com cenas cómicas que nos levam a boas risadas.

Desta vez, o casal em destaque não é composto por opostos; Fiona e Peter têm algo em comum: nenhum quer casar... Isto, claro, até serem arrebatados pela paixão e ficar nas mãos das Trible - contratadas para fazer acontecer um casamento - impedir que Fiona se case com este mulherengo fanfarrão.
A Perfeição de Fiona é um livro muito divertido em que, além do instável romance entre Fiona e Peter, assistimos às tristes tentativas de Amy e Effy de encontrar um bocadinho de romance para si também, sendo ao mesmo tempo vilipendiadas pelas intrigas e más intenções de Callaghan, o fuinha interesseiro que conhecemos no livro anterior e que neste se mantém sempre à espreita, com as suas farpelas vistosas. Chesney tem o dom de distribuir comicidade não só na base da acção mas também nos pequenos pormenores e nas identidades e idiossincrasias dos seus personagens.
Achei imensa graça a este livro - tal como já tinha achado ao anterior - as três estrelas devem-se à sua pouca representação literária, conteúdo básico, etc. - mas a sério: vale bem a pena!
No final do livro encontramos uma conclusão satisfatória para todos os personagens, excepto para aqueles que iremos encontrar no próximo livro.
... e eu mal posso esperar!
✏ Academia de Etiqueta:
1 - A Educação de Felicity
2 - A Perfeição de Fiona
3 - Enlightening Delilah - ainda não publicado em Portugal

4 - Finessing Clarissa - ainda não publicado em Portugal

5 - Animating Maria - ainda não publicado em Portugal

6 - Marrying Harriet - ainda não publicado em Portugal

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