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0 Hans | Opinião


HansNenhum livro de Hermann Hesse despertou, logo no ano seu lançamento, tanta controvérsia e debates tão apaixonados como este. Este romance é um ajuste de contas com um sistema de ensino repressivo que, num livro altamente autobiográfico – muitos detalhes do enredo são baseados na juventude do próprio autor, no modo como ele viveu o seu período de formação – nos dá a luta entre o que se espera de alguém e o que essa pessoa sabe ter perdido - os prazeres da infância que é obrigado a sacrificar. A história de Hans, um rapaz dotado e obediente, lançado para “debaixo da roda”, nomeadamente por uma educação que não está orientada para servir o aluno mas sim a neurótica necessidade dos adultos de colocar os jovens em competição, é a versão primitiva do romance, a mais completa e onde se encontra mais acentuado o tom crítico relativamente à época em que surgiu. Hans, face, tanto ao que lhe é exigido a nível de trabalho intelectual, como às pressões sobre ele exercidas, sucumbe. Também, já no final, quando confrontado com o trabalho físico, se apercebe da sua incapacidade. Tanto mental como fisicamente as pressões são demasiadas.

Autor: Hermann Hesse
Editor: Difel (2001)
Género: Romance
Páginas: 220
Original: Unterm Rad (1906) 

opinião
★★★☆☆

Quando consegue passar no exame estatal em Estugarda para entrar no seminário Hans - que sempre se destacou dos demais jovens da sua idade pela sua inteligência e aplicação nos estudos - pensa que o sucesso do seu futuro está garantido. No entanto, durante o período das férias, Hans repara em tudo o que deixou de fazer pelos estudos e finalmente, livre de inibições e preocupações, aproveita para recuperar os tempos perdidos. Já no seminário, apesar do seu sucesso inicial nas disciplinas. Hans é vencido pelo cansaço, cede à pressão que lhe é imposta pelas expectativas dos professores e pela ambição pessoal do seu pai. Obrigado a regressar a casa depois de um esgotamento, vive perdido numa melancolia profunda e só uma perspetiva o tranquiliza: o suicídio.

Num estilo expressivo e simples, este livro é uma crítica ao sistema educacional; um tema de extrema relevância na atualidade. Hermann Hesse, com conhecimento de causa, debruça-se sobre as possíveis consequências de restringir as mentes jovens, obrigando-os a assumir responsabilidades que não conseguem ainda suportar e a tomar decisões que ainda não estão preparados para tomar.

«Um mestre-escola prefere ter dez burros na sua turma a um único génio (…) Serve, porém, de consolo verificar que nos indivíduos verdadeiramente geniais quase sempre as feridas cicatrizam bem e que deles resulta gente que, apesar da escola, realiza a sua importante obra. Essa mesma obra é, depois de os respectivos autores estarem mortos e envoltos pelo agradável nimbo da distância, apresentada às gerações seguintes pelos respectivos mestres- escola como uma obra-prima e um nobre exemplo a seguir. (…) Alguns, porém - e quem sabe quantos? - consomem-se numa silenciosa obstinação e soçobram.» (p. 115-116)


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