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0 Diário da Coreia do Norte | Opinião


Wook.pt - Diário da Coreia do Norte«A nossa forma de vida baseia-se na liberdade de expressão — digo à minha guia. — As pessoas podem ser tão desagradáveis quanto lhes apeteça acerca dos seus líderes. No meu país, podemos criticá-los se fizerem algo errado e, como quaisquer seres humanos, eles cometem frequentemente erros.
So Hyang responde sem hesitar.
— É isso que nos torna tão diferentes. Os nossos líderes são muito grandes. Não são indivíduos. Representam as massas, por isso, não podemos criticar-nos a nós mesmos, não é?».
Em Maio de 2018, Michael Palin, ex Monty Python, hoje um intrépido viajante, decidiu visitar a Coreia do Norte. Partiu com a equipa de filmagens para nos revelar como se vive no país mais fechado do mundo.
Neste livro partilha com o leitor talvez a mais ousada e peculiar das suas viagens.

Autor: Michael Palin  
Editor: Bizâncio (Novembro 2019)
Género: Literatura de Viagem
Páginas: 208
Original: North Korea Journal (2019) 

opinião
★★☆☆☆
A imagem pode conter: uma ou mais pessoasEste é mais um daqueles livros que compro online assim que vejo o pré-lançamento quando claramente devia ter esperado para vê-lo «ao vivo» na loja e ter a oportunidade de o desfolhar antes de comprar. Se o tivesse feito, certamente não o teria comprado…

Fiquei bastante desiludida com Diário da Coreia do Norte uma vez que não traz nada de novo: não há nenhuma revelação, não responde a qualquer questão. Este livro não é, de todo, o motivo pelo qual compramos um livro sobre a Coreia do Norte e com certeza o seu autor saberá disso. A prosa é demasiado leve tendo em conta o que sabemos esconder-se por detrás de toda a fachada do regime e o esforço da equipa para não «ofender» ninguém nem transgredir qualquer regra roubou o livro do seu potencial conteúdo.

Assim, para mim este livro equivale a ter uma enorme oportunidade em mãos… e não fazer nada com ela!





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0 As Filhas da Floresta | Opinião

Wook.pt - As Filhas da FlorestaNuma mansão fustigada pelas ondas… Duas irmãs gémeas, Estrella e Alma, levam uma vida privilegiada como filhas dos marqueses de Zuloaga. Crescem rodeadas de festas e luxos, mas estão fatalmente marcadas por um poderoso mistério.

As duas irmãs desafiam o destino… Pois as gémeas - tão idênticas que só através dos olhos se distinguem - não são como as outras raparigas. Ambas herdaram um extraordinário dom que passa de geração em geração entre as mulheres da família…

E vivem à sombra de uma maldição que dita que uma delas morrerá antes de completar quinze anos. Unidas pelo sangue e separadas pelo amor a um homem, Estrella e Alma cumprirão a profecia. A floresta - que guarda nas suas profundezas o segredo das irmãs - será também testemunha do derradeiro ato de paixão e vingança de uma delas.

Uma história plena de magia e mistério. Uma protagonista inesquecível, indiferente aos perigos e corajosa perante as convenções sociais. Desde a infância nos anos vinte aos meandros do poder nazi durante a II Guerra Mundial, de Espanha aos Estados Unidos, passando por Inglaterra, vamos acompanhar esta mulher admirável na sua luta para defender o legado que lhe faz parte do sangue.

Autor: Alaitz Leceaga
Editor: Edições Asa (Junho, 2019)
Género: Literatura Fantástica
Páginas: 624
Original: El bosque sabe tu nombre (2019) 

opinião
★★☆☆☆

Fiquei imediatamente agarrada ao misterioso início de As Filhas da Floresta, mas o ritmo errante do livro que nos entedia por explorar em demasia uma situação para logo a seguir passar a galopar pela próxima, começou a aborrecer-me e, mais tarde, a percepção de que nada havia sido nem seria realmente explicado ou justificado comecei a sentir-me enganada e comecei involuntariamente a sabotar a leitura focando e listando os aspectos negativos.

Comecei a reparar por exemplo que a história é, na verdade, muito pouco original. Que alguns dos acontecimentos ou não fazem sentido na trama ou pouco lhe vêm acrescentar. Que a superficialidade com que alguns temas de base séria são abordados dá a todo o livro uma conotação inverosímil.

Não vou dizer que odiei o livro, mantive o meu interesse até ao fim, curiosa com o desfecho e gostei da mistura do sobrenatural com o contexto histórico bem real, mas vejo-lhe mais defeitos que qualidades.



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0 55 | Opinião


Wook.pt - 55Dois homens fogem um do outro. Qual deles é a vítima? Qual é o assassino? Gardner’s Hill é uma pacata cidade australiana, um lugar isolado rodeado de vida selvagem e onde não acontece muita coisa. Mas um dia tudo muda. Pela esquadra da polícia, chefiada pelo sargento Chandler Jenkins, um homem habituado a pequenos distúrbios e conflitos familiares, irrompe um forasteiro ferido e a cambalear. O desconhecido chama-se Gabriel e conta a Chandler aquilo de que se lembra. Foi drogado e levado para um barracão nas montanhas, onde foi preso com correntes de ferro. O homem que o levou chamava-se Heath e disse-lhe que ele seria o número 55. A sua 55.ª vítima. Heath é um serial killer. Gabriel fugiu e conseguiu chegar àquela pequena cidade para contar a sua história.

Antes que Chandler tenha oportunidade de começar a investigar, o próprio Heath entra na esquadra e conta a Chandler aquilo de que se lembra. Foi drogado e levado para um barracão nas montanhas onde foi preso com correntes de ferro. O homem que o levou chamava-se Gabriel e disse-lhe que ele seria o número 55. A sua 55.ª vítima. Gabriel é um serial killer. Dois suspeitos. Duas histórias idênticas. Qual delas é verdadeira? Conseguirá Chandler desvendar o enigma antes que o assassino ataque de novo?


Autor: James Delargy   
Editor: Bertrand Editora (Junho, 2019) 
Género: Policial | Thriller
Páginas: 320
Original: 55 (2019) 

opinião
★★☆☆☆

55 saltou imediatamente para o meu cesto de compras assim que li a sinopse: «Pela esquadra da polícia (…) irrompe um forasteiro ferido e a cambalear. (…) Foi drogado e levado para um barracão nas montanhas, onde foi preso com correntes de ferro. O homem que o levou chamava-se Heath e disse-lhe que ele seria o número 55. A sua 55.ª vítima. (…) Antes que Chandler tenha oportunidade de começar a investigar, o próprio Heath entra na esquadra e conta a Chandler aquilo de que se lembra.
Foi drogado e levado para um barracão nas montanhas onde foi preso com correntes de ferro. O homem que o levou chamava-se Gabriel e disse-lhe que ele seria o número 55. A sua 55.ª vítima.
»… é impossível não ficar curioso com o desenvolvimento da trama!

O problema é que, embora os primeiros capítulos sejam de facto muito interessantes, o livro vai ficando aborrecido a cada página que passa e aquilo que me pareceu inicialmente uma ideia genial para um livro começou a revelar-se flagrantemente mal construída. Desde o pobre desenvolvimento dos personagens, as quezílias antigas, imaturas e infundadas, que existem entre eles, até à falta de profissionalismo na investigação policial, tudo contribuiu para o meu crescente desinteresse pelo livro, tornando-o numa desilusão face ao meu entusiasmo inicial.


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0 O Pântano dos Sacrifícios | Opinião


Wook.pt - O Pântano dos SacrifíciosEm tempos, realizavam-se oferendas humanas em pântanos. Agora, há pessoas a desaparecer…

Antigamente os pântanos eram usados como locais onde se realizavam sacrifícios humanos. Por serem pobres em oxigénio, estes terrenos atrasavam o processo de decomposição dos corpos, levando à sua preservação. Há por isso quem acredite que as almas lá enterradas não conseguem encontrar descanso, atraindo até si novas vítimas.

Nathalie Nordström é uma jovem bióloga que se desloca até a um pântano no norte da Suécia para realizar uma experiência de campo. Nathalie cresceu naquela zona, mas partiu quando uma terrível tragédia se abateu sobre a sua família.

Numa noite de tempestade, um mau pressentimento leva-a até ao pântano. Lá encontra um homem inconsciente, prestes a afundar-se. A polícia começa a investigar o caso e acaba por encontrar cadáveres ali enterrados.

Estará o pântano a reclamar mais sacrifícios, como alguns habitantes locais acreditam?


Autor: Susanne Jansson
Editor: TopSeller (Junho, 2018) 
Género: Thriller e Policial
Páginas: 304
Original: Offermossen (2017) 
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opinião
★★☆☆☆


My rating: 2 of 5 stars

O Pântano dos Sacrifícios não traz novidade nenhuma ao seu género literário; é, na realidade, uma amálgama de clichés mal explorados que nos deixam a ideia de que a escritora ficou aquém de realizar os seus intentos. O livro é fraco no suspense e no terror, bem como na componente policial e romântica: como disse, parece que a autora tentou uma série de coisas e não foi particularmente bem-sucedida em nenhuma delas.

Apesar de fazer sentido, o final não me empolgou minimamente e acabei por perder o interesse no livro e no seu desfecho.


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0 Através dos meus pequenos olhos | Opinião

Wook.pt - Através dos meus pequenos olhos
Um cão-guia tem uma missão extraordinária: ser os olhos de quem não vê. A relação que se estabelece entre um cão-guia e o seu dono é baseada numa confiança e cumplicidade enormes. É desta profunda ligação que nos fala este livro.

Cross é um cão-guia muito divertido e brincalhão. Mario é um jovem invisual que está prestes a começar uma nova etapa da sua vida. Juntos, vivem mil e uma peripécias, aventuras, derrotas e triunfos e tornam-se absolutamente inseparáveis.

Através dos meus pequenos olhos é um relato emocionante que narra as peripécias de Cross no mundo dos humanos e nos traz uma perspetiva diferente sobre o seu e o nosso mundo.

Autor: Emilio Ortiz
Editor: Porto Editora (Fevereiro, 2018) 
Género: Romance
Páginas: 264

opinião
★★☆☆☆
Fiquei muito desiludida com este livro; ignorando a imaturidade da escrita do autor, é até bastante engraçado observar as diversas situações através da perspectiva do cão e acompanhar a leitura que ele faz do que o rodeia, mas o livro segue sem rumo, sem outro trunfo que não esse, culminando num final que até pode ter cumprido o propósito para o autor/personagem mas que eu achei abominável, arruinando por completo o livro e todo o intento do mesmo.

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0 Catarina de Aragão - A Princesa Determinada | Opinião


Wook.pt -  Catarina de Aragão - A Princesa DeterminadaA vida de Catarina de Aragão, infanta de Espanha, rainha de Inglaterra e que foi a primeira mulher de Henrique VIII, com quem esteve casada vinte anos. Um olhar fascinante sobre a vida de Henrique VIII com todas as convulsões sociais e pessoais que marcaram o seu reinado narrado como se fosse Catarina a contar a sua história. Reedição de um best-seller há muito esgotado: o segundo livro da série Os Tudor.

Autor: Philippa Gregory   
Editor: Editorial Planeta  
Género: Romance
Páginas: 432
Original: The Constant Princess (2005) 
 Orange Prize Nominee for Fiction Longlist (2006)



outros livros de Philippa Gregory →


opinião
★★☆☆☆

Já li uns quantos livros de Philippa Gregory e facilmente identifico este como o que menos gostei até ao momento…

Nesta interpretação de Gregory, conhecemos Catarina de Aragão aos 5 anos de idade, quando os seus pais batalham contra os Mouros pela conquista do Alhambra e já nessa tenra idade ela tinha uma certeza inabalável de que seria rainha. Aos 15 anos é enviada para Inglaterra – um país com idioma e costumes que lhe são completamente alheios - para casar com o herdeiro do trono, Artur, e embora o casamento seja uma enorme desilusão ao início os dois acabam por se apaixonar. Viúva poucos meses depois, com apenas 16 anos, sem herdeiro que assegure a sua posição na corte, Catarina sabe que a única forma de fazer cumprir aquele que acredita ser o seu destino é casar com o irmão mais novo de Artur, o futuro Henrique VIII, negando que o seu primeiro casamento tenha sido consumado.

A minha primeira desilusão com o livro foi esta Catarina de Philippa Gregory com a qual não simpatizei minimamente e cuja composição de carácter me pareceu pouco viável. Podemos inferir pela influência e importância que Catarina de Aragão teve na História que ela seria bem mais interessante (e madura) do que o descrito nestas páginas.

A segunda desilusão foi a repetição quase insuportável e para lá de entediante a que a escritora recorre para nos fazer saber que Catarina acreditava que era seu destino e vontade de Deus ser rainha, cumprindo a promessa feita a Artur no seu leito de morte. Este pensamento é repetido até à exaustão, entediando-nos e ocupando espaço que poderia ter sido usado para a construção dos personagens e contextualização do romance no espaço e tempo em que decorre.

Nem a estrutura que Gregory escolheu para nos contar esta história me agradou: a alternância entre a narrativa e as passagens na primeira pessoa, em que a própria Catarina nos diz o que sente e pensa em relação ao que se passa à sua volta, acaba muitas vezes por ser apenas uma irritante repetição do que acabámos de ler na descrição da cena, servindo apenas para prejudicar o fluxo da história.

Vou continuar a ler esta série, mas espero sinceramente que os outros livros sejam melhores que este.


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Série Plantageneta & Tudor
1 - A Senhora dos Rios
2 - A Rainha Branca
3 - A Rainha Vermelha
4 - A Filha do Conspirador
5 - A Princesa Branca
6 - Catarina de Aragão
7 - A Maldição do Rei
8- Três Irmãs, Três Rainhas
9 - Duas Irmãs, Um Rei
10 - A Herança Bolena
11 - A Rainha Subjugada
12 - A Espia da Rainha
13 - O Amante da Rainha
14 - The Last Tudor
15 - A Outra Rainha



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0 2084. O Fim do Mundo | Opinião


Um romance-fábula aterrador, inspirado em 1984, de George Orwell, sobre o estabelecimento de uma ditadura religiosa de raiz muçulmana.

A globalização vai conduzir o Islamismo ao poder, por todo o mundo, dentro de 50 anos, a começar pela Europa - é a previsão do escritor argelino Boualem Sansal, em 2084, um romance-fábula, aterrador, inspirado em 1984, de George Orwell, sobre o estabelecimento de uma ditadura religiosa.

Segundo Sansal - Grande Prémio da Francofonia da Academia Francesa, em 2013 -, os três totalitarismos imaginados por Orwell coincidiram na globalização financeira de hoje, que vai a breve prazo ser tomada pelo Islamismo. É a primeira vez que afirmações desta dimensão são proferidas por um autor de educação muçulmana, que vive na Argélia. O Abistão, imenso império, deriva do nome do profeta Abi, «representante» e «delegado» de Yölah, na Terra. O seu sistema de vida baseia-se na amnésia - e na submissão a um deus único, cruel e todo-poderoso. Qualquer pensamento pessoal é banido; um sistema de vigilância omnipresente permite às autoridades conhecer as ideias e os «atos desviantes».

Oficialmente, o povo vive na maior das felicidades, proporcionada por uma fé religiosa inquestionável. A personagem central, Ati, questiona as certezas impostas pelos dirigentes políticos e imãs, lançando-se, então, numa investigação para descobrir um povo suspeito, renegado, que vive em guetos desconhecidos, ao arrepio do poder das autoridades religiosas.

Boualem Sansal constrói uma distopia violenta e macabra, que se filia diretamente em George Orwell e no seu 1984, para abordar o poder, o alcance e a hipocrisia do radicalismo religioso muçulmano que ameaça as nossas democracias.


Autor: Boualem Sansal
Editor: Quetzal Editores (Maio, 2016) 
Género: Romance
Páginas: 280
Original: 2084. La fin du monde (2015) 
 Prémio da Academia Francesa. 

opinião
★★☆☆☆
Estranhamente, apesar da importância da mensagem que "2084. O Fim do Mundo" transmite e das belíssimas e profundas reflexões que o constituem, para mim, o resultado final não foi uma história interessante de se ler.

No Abistão, tudo é bem controlado e filtrado; nada pode ocorrer fora da vontade do Aparelho. As guerras são recorrentes, espontâneas e misteriosas. O inimigo está por todo o lado. As restrições são asfixiantes. A ignorância é geral e até o idioma foi depauperado para controlar e limitar o pensamento do povo - um povo que cada vez acredita mais cegamente. Depois de dois anos afastado a viver no sanatório, Ati tenta a reinsereção na sociedade e acaba por fazer uma descoberta que poderá desmoronar os fundamentos simbólicos do Abistão.

É neste ambiente distópico que Sansal se debruça sobre a ameaça que o radicalismo religioso representa para a democracia; como este fanatismo transforma a religião numa intolerância bem controlada, mantida pelo terror omnipresente.

Apesar de valorizar sempre um livro que me deixa a pensar, fiquei ligeiramente desiludida com 2084 devido à construção do livro: com um ritmo por vezes dolorosamente lento e pouca ação, o excelente conceito que Sansal pretende desenvolver é interpretado por personagens ocas e de um modo que resulta numa perceção algo abstrata que impede que o livro tenha o impacto que poderia ter. 

frases preferidas:
O olhar dos povos é assim, remansoso e realmente pouco imaginativo. - 19

Quem acredita tem medo e quem tem medo acredita cegamente, que melhores instrumentos do que a esperança e o fantástico para amarrar os povos às suas crenças? - 26

A submissão gera a revolta, e a revolta resolve-se na submissão - 49

Foi em todos instalado um espírito bizarro e retorcido que pensa a vida, a paz, a verdade, a fraternidade, a doce e tranquilizadora perenidade, ornamentando-as de todas as virtudes, mas que só as busca - e com que paixão - através da morte, da destruição, da mentira, da malícia, do jugo, da perversão, da agressão brutal e injusta - 49

Quanto mais se diminui os homens, mais estes se imaginam grandes e fortes - 50

Correr em direção à queda é uma inclinação muito humana - 55

A espera é fonte de angústia e de interrogações - 56

Isto quer dizer que onde quer que ponhamos os pés neste país, caminhamos sobre cadáveres - 59

A liberdade residia nisso, na perceção de que não somos livres mas possuímos o poder de nos bater até à morte por sê-lo - 46

Na presença de lobos é preciso uivar ou fazer de conta que se uiva, balir é a última coisa a fazer - 91

Uma dor que tem nome é uma dor suportável, a própria morte pode ser vista como um remédio se soubermos identificar correctamente as coisas - 130

A esperança é assim, contraria o princípio da realidade - 130

O hábito suprime o que nos atormenta - 159

A vida é uma interrogação, nunca uma resposta - 160

A liberdade é um caminho de morte neste mundo, ela magoa, perturba, profana - 192

A ingenuidade, como a burrice, são um estado sempiterno - 231

Morrer na esperança de uma nova vida era pelo menos mais digno que viver desesperado de se ser morrer - 245

A religião é realmente o remédio que mata - 245

Os homens são cordeiros adormecidos e assim devem permanecer, não se deve perturbá-los… ora eis que no deserto estéril que é o Abistão se descobre uma pequena raiz de liberdade que cresce na cabeça febril de um tísico sem forças, resistindo ao frio, à solidão, ao medo abissal dos cumes, e que em pouco tempo inventa mil perguntas ímpias - 191

Que fazer quando, ao olhar para o passado, se vê o perigo a lançar-se sobre aqueles que nos precederam na História? Como avisá-los? Como dizer pelo menos aos seus próprios contemporâneos que, à velocidade a que vão, os males de ontem os atingirão bem depressa? Como convencê-los quando a sua religião os proíbe de acreditar na sua própria morte, quando estão convencidos de que o seu lugar no paraíso está reservado e espera por eles como os aposentos de um palácio? - 249

Boualem SansalBoualem Sansal nasceu em 1949, na Argélia. É formado em Engenharia e doutorado em Economia. Os seus livros têm sido aclamados no espaço francófono, mas também um pouco por todo o mundo. Sansal foi agraciado com os seguintes prémios literários, entre outros: Prémio do Primeiro Romance; Prémio Michel Dard; Prémio RTL-Lire; Prémio da Francofonia; Prémio Louis-Guilloux; Prémio da Paz dos Livreiros Alemães - Feira de Frankfurt; Prémio Édouard-Glissant; Grande Prémio do Romance Árabe; Grande Prémio do Romance da Société des Gens de Lettres; Grande Prémio da Francofonia da Academia Francesa; Grande Prémio do Romance da Renaissance Française.



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