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0 Maria Stuart | Opinião
Etiquetas:
4 estrelas,
Memória/Biografia,
Opinião,
Stefan Zweig
Autor: Stefan Zweig
Editor: Alêtheia Editores (2015)
Género: Biografia
Páginas: 320
Original: Maria Stuart (1935)

opinião
★★★★☆
“Nada contribuiu mais para colocar Maria Stuart no plano da lenda do que a injustiça sofrida; nada diminuiu tanto moralmente Isabel como não ter querido mostrar-se grande num grande momento” – 269
A beleza da lenda de Maria Stuart vence a realidade e impressiona-nos até aos dias de hoje. Desde sempre prisioneira da política e da diplomacia, mais corajosa que sensata, Maria Stuart tomou decisões imprudentes que, aliadas à incompetência ou vilania dos que a rodeavam, acabaram por colocá-la em situações, no mínimo, muito indignas.
Através de uma prosa trabalhada, fácil de acompanhar, Stefan Zweig contempla neste livro a vida de Maria Stuart desde o nascimento até à morte. Dando-nos uma opinião muito honesta, destaca as qualidades de ambas as rainhas, condena os seus defeitos e comenta a viabilidade das provas apresentadas tanto a favor como contra Maria Stuart, mas sem que nos aborreça com pormenores desnecessários, o que contribui para o tom enérgico do livro, pouco usual numa biografia.
Frases Preferidas:
“a razão e a política raramente seguem o mesmo caminho e
talvez sejam estas possibilidades falhadas que dão à história o seu carácter
dramático” – 47
“A imprudência e a coragem marcham quase sempre a par, como
o perigo e a virtude, como o inverso e o reverso de uma medalha: só os cobardes
e os timoratos tremem com a aparência duma falta e procedem com cálculo e
premeditação” – 117
“As naturezas mais cobardes são sempre as mais ferozes
quando se sentem apoiadas” – 119
“Um ódio que sabe calar-se, é ainda mais perigoso que uma ameaça
aberta” – 123
“Aquilo que se escreve com tinta, pode ser apagado com
sangue” – 203
“Antes um fim com pavor do que o pavor sem fim” – 208
“E sempre a coroa exerce uma fascinação que dá coragem mesmo
aos cobardes, que torna ambiciosos os mais indiferentes e loucos os mais
reflectidos” – 263
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0 Coração Impaciente | Opinião
Etiquetas:
4 estrelas,
Romance,
Stefan Zweig
Autor: Stefan Zweig
Editor: Civilização Editora (2013)
Género: Romance
Páginas: 296
opinião
★★★★ (4/5)
«É coisa perigosa, a compaixão; mesmo muito perigosa!» - p. 157
O oficial Hofmiller é um exemplo claro de envenenamento por piedade; tudo começou quando, na sua juventude, como convidado de uma festa na casa dos abastados Kekesfalva, comete o erro de convidar a filha do anfitrião para dançar, desconhecendo que Edith é inválida. A reacção horrorizada da jovem - bem como a predisposição auto crítica de Hofmiller - levam-no a considerar-se em dívida para com ela e, na tentativa de mitigar os efeitos da sua falta de sensibilidade, acaba por dar início a uma amizade com Edith que o arrastará para uma tragédia da qual outros já são cativos.
Como qualquer doente crónico, Edith contamina os que a rodeiam com a sua instabilidade emocional, agravada por uma personalidade caprichosa e modos nervosos/impulsivos. Esta má disposição é apenas atenuada pela nova amizade de Edith, o que traz alegria e alívio a toda a casa. Quanto a Hoffmiller, a consideração com que passa a ser tratado, a satisfação de poder ajudar e a vaidade que acompanha tal sentimento, levam-no a tornar as suas visitas mais frequentes, enredando-se cada vez mais sem se aperceber do compromisso que assume. Além disso, conhecendo apenas o rigor e a impessoalidade do quartel desde tenra idade, Hofmiller descobre na casa dos Kekesfalva o lar que nunca teve.
Apesar de inegavelmente repetitivo e exageradamente melodramático, com Zweig a tentar dar significado a todos os pormenores, gostei muito de ler este livro pela intensidade com que me levou a reagir ao seu conteúdo: tristeza pela condição de Edith mas raiva pela chantagem descarada que leva a termo, comoção pelos esforços de Hofmiller mas frustração pelas decisões que acaba por tomar, irritação pela manipulação de Kekesfalva mas enternecimento pelo seu enorme amor pela filha e compreensão pelo desespero que sente perante a inutilidade de todo o dinheiro que amealhou; ou seja, sempre que observamos uma personagem sob uma lente de piedade a nossa reacção difere da que obteríamos por observação directa, tal como acontece com Hofmiller...
O nosso protagonista passa a viver amargurado entre o querer e o dever, entre a amizade que sente genuinamente por Edith e o amor que lhe garantem ser essencial à sobrevivência dela, entre a vaidade pela sua condição de benemérito e a vergonha/receio de ser ridicularizado pelos seus colegas do quartel.
É assim que, mais tarde, Hofmiller explica como a medalha militar com que foi distinguido não é, na verdade, resultado de bravura e coragem mas sim de covardia e mal-entendidos.
Coração Impaciente deixa bem patente o perigo de a piedade se encontrar na base de sentimentos e acções, mas não sem nos comover também com a sua história.
Frases Preferidas
«Não se deve acreditar sempre no que desejamos» - p. 10
«o homem procura escapar aos perigos que a consciência lhe
aponta» - p. 10
«muitas vezes, a coragem não é mais do que o disfarce da
fraqueza.» - p. 13
«quando se pretende compor demasiado depressa uma roda no
maquinismo de um relógio, quase sempre se estraga todo o andamento.» - p. 15
«Mas assim como as flores, na estufa, atingem
desenvolvimento tropical, assim, na escuridão, também só nos ocorrem
pensamentos loucos. Confusas, fantásticas, as ideias, em terreno quente, são como
cipós que ameaçam esganar-nos; com a velocidade dos sonhos, no nosso cérebro
sobreaquecido, perseguem-se, precipitam-se os mais absurdos quadros, as mais
disparatadas visões.» - p. 28
«Como não lamentar-se, quando Deus nos fere sem culpa nossa…
sem termos feito mal a ninguém?» - p. 40
«Não faz sentido renunciar a um gozo, porque é recusado a
outros, proibir a nós mesmos a felicidade, porque outro é infeliz.» - p. 42
«Se pretendêssemos (sobre isto não tenho dúvidas) imaginar
toda a desventura que nos cerca e cobre a terra, fugiria toda a possibilidade
de sono e todo o riso nos expiraria na boca.» - p. 42
«só quando reconhecemos que valemos alguma coisa para os
outros é que compreendemos o sentido e a mensagem da nossa própria existência.»
- p. 49
«Pela primeira vez compreendia que toda a espécie de
entendimento sentimental liga, na verdade, as forças da alma; um homem só pode
avaliar-se quando o vemos livre, à vontade.» - p. 49
«Na alquimia misteriosa dos sentimentos, sempre, imperceptivalmente,
à piedade pela desgraça vem misturar-se a ternura.» - p. 51
«nunca as relações entre um são e uma doente logram
conservar-se elevadas, inalteráveis.» - p. 52
«O sofrimento prolongado em demasia cansa, em geral, não só
o doente, mas também a compaixão dos outros; fortes sentimentos não podem
dilatar-se indefinidamente.» - p. 52
«É sinal característico dos muito novos transformar todo o
conhecimento em exaltação; sob o domínio da forte e intensa sensibilidade, sempre
aspiram a continuar a sentir, a sentir cada vez mais.» - p. 53
«ai os pobres diabos, que veneração sentem diante de tudo o
que vale dinheiro!» - p. 58
«E quase sempre sucumbimos à ilusão de que a natureza
distingue, pelo aspeto externo, os homens extraordinários, para que o
reconheçamos à primeira vista.» - p. 78
«Mas a maldade conserva.» - p. 98
«Quase sempre da união dos contrastes, quando se completam
com justeza, resulta a mais completa harmonia.» - p. 121
«pelo desacerto se mede a grandeza de uma paixão.» - p. 123
«não devemos envergonhar-nos de nos termos deixado enganar
pela vida. Creia, é abundante graça a nossa pupila não possuir olhar agudo,
diagnóstico, o mal-occhio; é felicidade podermos julgar criaturas e coisas sob
o aspeto da mais absoluta confiança.» - p. 125
«A medicina nada tem a ver com a moral; a doença em si é já
ato anárquico, revolta contra a Natureza; portanto, todos os meios de ataque são
lícitos e é-nos permitido usar de todos os meios, todos.» - p. 131
«Somente
no princípio é que a compaixão, como a morfina, é benefício para o doente, é
remédio; porém, se não sabemos doseá-la, transforma-se em veneno assassino.» -
p. 156
«é necessário saber dominar a própria piedade, senão ela
causa mais prejuízos do que toda a indiferença… (…) Se todos quiséssemos
obedecer à piedade, o mundo pararia. É coisa perigosa, a compaixão; mesmo muito perigosa!» - p. 157
«no mundo, o importante não são as razões, mas os
resultados.» - p. 157
«os
piores delitos, neste mundo, não são culpa do mal e da brutalidade, mas sim da
fraqueza.» - p. 164
«São os únicos que amam com paixão fanática, negra, ardente…
Nenhum amor sobre a terra se ergue tão desesperado, tão ávido, como o dos
enteados de Deus, os únicos que só podem descobrir justificação para a
existência terrena, quando amam e não são amados.» - p. 180
«o mais duro e tremendo martírio para um homem é ser amado
contra a sua vontade! Esse é o martírio máximo, é a culpa sem culpa!» - p. 186
«só pela experiência pode o coração conceber os abismos do
sentimento.» - p. 186
«Só quem conhece estados de alma semelhantes adquire ouvido
para tão secretas ressonâncias.» - p. 210
«Habitualmente, entre o vago desejo e a resolução definitiva,
oscilam sempre, e sempre em inúmeras nuances se agitam sentimentos indistintos;
pertence ao secreto prazer do coração brincar primeiro com a ideia antes de a
realizar.» - p. 210
«Em todas as nossas ações representa a vaidade um dos mais
fortes impulsos.» - p. 213
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0 Novela de Xadrez {Livros Outubro}
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Lançamentos,
Stefan Zweig
Rapidamente se forma um grupo que procura testar os seus conhecimentos de xadrez jogando com o campeão, apenas para conhecer uma clamorosa derrota. É então que um misterioso passageiro avança para os aconselhar, e o rumo dos acontecimentos se altera.
Onde adquiriu ele este domínio extraordinário do jogo do xadrez, e a que custo? Nesta extraordinária novela psicológica o autor oscila, com inigualável mestria, entre um enorme suspense e uma reflexão pungente sobre o nazismo.
Autor: Stefan Zweig
Editor: Assírio & Alvim (Outubro, 2013)
Género: Romance
Páginas: 96
Original: Schachnovelle (1941)
Sobre o autor...
Austríaco de ascendência judaica, Stefan Zweig nasceu em 1881 e é um dos mais importantes autores europeus da primeira metade do século XX.
Dedicou-se a quase todas as atividades literárias: foi poeta, ensaísta, dramaturgo, novelista, contista, historiador e biógrafo. A crescente influência do nacional-socialismo na Áustria e a instauração do chamado «austrofascismo», regime fundado pelo Chanceler Engelbert Dolfuss e que se baseava na ideologia fascista de Mussolini, levam-no a abandonar a Áustria.
Emigra para Inglaterra acompanhado da sua secretária Lotte — com quem se virá posteriormente a casar — e torna-se cidadão inglês em 1940. Receando não ser distinguido dos alemães e julgando correr o risco de ser considerado um enemy alien, decide partir para o Brasil, obtendo ali um visto permanente.
Estabelece-se em Petrópolis, onde, recatado e isolado do bulício do Rio de Janeiro, continua a trabalhar: escreve um breve ensaio sobre Montaigne, termina a autobiografia O Mundo de Ontem e redige a Novela de Xadrez como o seu derradeiro testamento literário. É aí que se suicida com a sua mulher, Lotte Zweig, a 23 de fevereiro de 1942, pouco depois de enviar o manuscrito desta Novela de Xadrez para várias editoras.
Livros de Stefan Zweig...
Novela de Xadrez - Assírio & Alvim, 2013
Maria Antonieta - Casa das Letras, 2013
Coração Impaciente - Livraria Civilização Editora, 2013
Carta de Uma Desconhecida - Esfera dos Livros, 2008
Vinte e Quatro Horas na Vida de Uma Mulher - Esfera dos Livros, 2008
Magalhães - o homem e o seu feito - Assírio & Alvim, 2007
O Mundo de Ontem - Assírio & Alvim, 2005
Confusão de Sentimentos - Antígona, 2004
Dedicou-se a quase todas as atividades literárias: foi poeta, ensaísta, dramaturgo, novelista, contista, historiador e biógrafo. A crescente influência do nacional-socialismo na Áustria e a instauração do chamado «austrofascismo», regime fundado pelo Chanceler Engelbert Dolfuss e que se baseava na ideologia fascista de Mussolini, levam-no a abandonar a Áustria.
Emigra para Inglaterra acompanhado da sua secretária Lotte — com quem se virá posteriormente a casar — e torna-se cidadão inglês em 1940. Receando não ser distinguido dos alemães e julgando correr o risco de ser considerado um enemy alien, decide partir para o Brasil, obtendo ali um visto permanente.
Estabelece-se em Petrópolis, onde, recatado e isolado do bulício do Rio de Janeiro, continua a trabalhar: escreve um breve ensaio sobre Montaigne, termina a autobiografia O Mundo de Ontem e redige a Novela de Xadrez como o seu derradeiro testamento literário. É aí que se suicida com a sua mulher, Lotte Zweig, a 23 de fevereiro de 1942, pouco depois de enviar o manuscrito desta Novela de Xadrez para várias editoras.
Livros de Stefan Zweig...
Novela de Xadrez - Assírio & Alvim, 2013
Maria Antonieta - Casa das Letras, 2013
Coração Impaciente - Livraria Civilização Editora, 2013
Carta de Uma Desconhecida - Esfera dos Livros, 2008
Vinte e Quatro Horas na Vida de Uma Mulher - Esfera dos Livros, 2008
Magalhães - o homem e o seu feito - Assírio & Alvim, 2007
O Mundo de Ontem - Assírio & Alvim, 2005
Confusão de Sentimentos - Antígona, 2004
0 Maria Antonieta: O Retrato de Uma Mulher Comum
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Lançamentos,
Stefan Zweig
A Vida na corte de Luís XVI e de Maria Antonieta, descrita pelas intrigas e pelo esplendor que vieram a ter um tão súbito e inesperado fim, há muito que fascina leitores.
Maria Antonieta: O retrato de uma mulher comum é o relato do percurso atribulado da mais famosa vítima da guilhotina, desde os tempos em que com 14 anos de idade casou e tomou Versalhes com a sua tempestuosidade, passando pelas frustrações com o seu altivo marido, o seu caso amoroso com o Conde sueco von Fersen, e, finalmente, pelo caos da Revolução Francesa.
Numa narrativa apaixonante, a biografia de Stefan Zweig dá cor às emoções humanas, tanto dos participantes como das vítimas da Revolução Francesa, proporcionando a leitura inesquecível da história de uma personagem arrebatadora.
Autor: Stefan Zweig
Género: Biografia
Páginas: 416
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