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0 Esta é a Tua Vida, Harriet Chance! | Opinião


Wook.pt - Esta é a Tua Vida, Harriet Chance!Aos 78 anos, será demasiado tarde para mudar toda uma vida?

Ao decidir embarcar num cruzeiro marcado pelo marido recentemente falecido, Harriet Chance procura encontrar um caminho em frente. Ao invés, é forçada a revisitar os momentos fundamentais da sua vida, percebendo que eles não eram o que pensava. No mar ao largo do Alasca, marido, filhos, amigas, os presentes e os ausentes mudam Harriet, talvez em definitivo.

Num romance comovente e extremamente humano, Jonathan Evison, autor bestseller internacional, explora a condição de uma mulher nos dias de hoje, que podia ser qualquer uma, mas é sempre Harriet Chance.

Com uma escrita leve e humorística e um grande coração, nada é o que parece nesta história de aceitação, memória e perdão.


Autor: Jonathan Evison
Editor: TopSeller (Outubro, 2016) 
Género: Romance
Páginas: 256
Original: This Is Your Life, Harriet Chance! (2015) 

opinião
★★★☆☆

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Aos 78 anos, Harriet embarca sozinha num cruzeiro até ao Alasca, marcado já há algum tempo pelo marido, agora falecido.

Ao longo do livro vamos retrocedendo com Harriet até diferentes idades e situações, presenciando algumas das crises que sofreu. Cedo nos apercebemos de que há uma grande diferença entre a Harriet real e a Harriet idealizada na sua juventude; embora sonhasse com independência e uma carreira de sucesso, tal nunca se concretizaria. Harriet acaba por se curvar perante as expectativas da sociedade, conforma-se com a sua vida sentindo que tem muito por que agradecer mas, no fundo, desencantada com tudo.

No entanto, estas 'viagens ao passado' não se fazem sem alguma inconstância, o que pode acabar por se tornar confuso para o leitor uma vez que são realizadas sem qualquer ordem aparente.

... E se é verdade que alguns dos capítulos estão muito bem conseguidos (surpreendendo-nos com uma voz provocadora e cheia de humor negro que narra, sem qualquer sentimento, as partes mais tristes e comprometedoras da vida de Harriet), tal não acontece em todos... e alguns são realmente maçadores (apesar das tentativas cómicas) e sem sentido.

Quando a filha de Harriet se junta a ela no cruzeiro, esperaríamos que fosse motivo de celebração: mas não! Parecendo esforçar-se para sabotar a própria vida, Caroline é mais uma fonte de frustração para Harriet. Não conseguem ultrapassar velhos ressentimentos e, consequentemente, não têm a mínima paciência uma para a outra.

Ainda por cima, Harriet tem tido uns 'episódios' bem esquisitos que levam os filhos a desconfiar da sua sanidade mental, mas a verdade é que Harriet conversa com o esposo falecido! Embora origine alguns momentos engraçados, esta inclusão do sobrenatural num livro desta natureza não me agradou especialmente... o que só se veio a agravar com os capítulos dedicados a Bernard (já falecido) que não acrescentam nada de válido ao livro, pelo contrário.

Na viagem, entre outras coisas, Harriet descobre que durante os 50 anos que permaneceram casados, ela e Bernard não partilharam os segredos mais importantes das suas vidas e que 5 décadas não lhe permitiram realmente conhecer o homem que tinha ao seu lado. Começa a ponderar se não devia ter exigido mais do marido, desse homem que a criticava por tudo e por nada e parecia desligado da família: mais tempo, mais atenção, mais consideração, mais afecto, mais respeito.

Perto do fim, percebemos porque é que a confiança de Harriet se perdeu algures, o que é que a separou tanto daquilo que queria, e poderia, vir a ser... porque é que ficou tanto potencial por cumprir e tantas possibilidades por explorar.

No geral, gostei do livro mas lamento ter acompanhado estes personagens com grande atenção para afinal terminar o livro sem ver crescimento pessoal relevante, parece-me que isso tira sentido ao livro. Gostei da sua mensagem, da facilidade com que nos identificados com alguns dos dilemas de Harriet ao longo da sua vida e do humor usado para abordar situações menos felizes e fáceis.

E, como o autor conclui tão bem perto do final, as nossas vidas não são lineares, somos uma soma de momentos e de reflexões, de acções e decisões, de triunfos e falhanços. Tudo ligado pela memória.



Jonathan Evison é também autor de Amizades Improváveis.



The result is a book that speaks to all of us, whether we’re young enough to check Facebook 50 times a day, or old enough to have only a vague idea what the Internet is. - The New York Times


Durante a adolescência, Jonathan Evison dedicou-se à música e foi vocalista da banda punk March of Crimes, oriunda de Seattle, que incluía futuros membros de grupos de êxito mundial, como os Pearl Jam e os Soundgarden. Autor bestseller de três romances premiados, Jonathan Evison é comparado pela crítica internacional a escritores como J. D. Salinger, Charles Dickens e John Irving pela sua escrita emocional e humor inusitado. Escreveu para o New York Times, Wall Street Journal, Washington Post, entre outros meios. Amizades Improváveis é o seu terceiro livro, obra que recebeu nomeações importantes como: Amazon Best Books of the Year e Washington Post Notable Fiction Book of the Year.




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