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0 Doce Carícia | Opinião


Quando Amory Clay nasceu, na década que antecedeu a Primeira Guerra Mundial, o seu pai, desapontado, deu-lhe um nome andrógino e anunciou o nascimento de um filho. Mas esta filha que nasceu não se deixa definir pelos outros; Amory tornou-se uma mulher que não aceita que lhe imponham limites para o que isso pode significar e, mal se viu com a sua primeira máquina fotográfica nas mãos, passou a ser também alguém que regista sempre a sua própria versão dos acontecimentos.

Circulando livremente entre Londres e Nova Iorque, entre o fotojornalismo e a fotografia de moda e, também, entre os homens que a amam sempre de um modo complexo, Amory impõe-se como alguém capaz de arriscar tudo, como uma apaixonada passageira da vida.

A sua fome de experiências leva-a a conhecer a decadência da Berlim da República de Weimar e a violência dos motins dos camisas negras de Londres; fá-la viajar até à Renânia com as tropas aliadas; e, mais tarde, até ao epicentro do turbilhão político de um Vietname dividido pela guerra. No curso da sua ambiciosa carreira, os momentos fundamentais do século XX tornar-se-ão igualmente os momentos inesquecíveis da sua própria biografia.


Autor: William Boyd  
Editor: Dom Quixote (Maio, 2016) 
Género: Romance
Páginas: 464
Original: Sweet Caress (2016) 
opinião
★★★✩✩ (3/5)

Doce Carícia é o relato de vida de Amory Clay, uma vida marcada tanto pelo gosto pela fotografia como pela guerra.

Decidida a agarrar a vida, a usá-la em vez de deixar que esta simplesmente lhe passe ao lado, Amory passa por Londres, Estados Unidos da América, México, Alemanha, França e Vietname, acompanhando de perto acontecimentos históricos importantíssimos numa altura em que a mudança estava por todo o lado.

Desde sempre fascinada pela fotografia, pela magia de poder parar o tempo e perpetuar um instante numa imagem, Amory decide muito cedo que quer transformar esta paixão em actividade profissional, vencendo num meio maioritariamente masculino. Como fotojornalista de guerra, Amory presencia bem de perto a Segunda Guerra Mundial e, mais tarde, a Guerra do Vietname.

Também os efeitos da Primeira Guerra Mundial se fazem sentir na sua vida através do pai, marcado pela violência da guerra, regressa um homem traumatizado, irritável e taciturno, um escritor incapaz de escrever uma linha que seja. Mais tarde, a sua existência é descomplicada com recurso a uma lobotomia, aumentando a sensação que Amory sempre teve de que aquela guerra lhe custou um pai.

Pela vida de Amory passam também três amantes; homens com os quais mantém relações bastante distintas, alimentadas por sentimentos também distintos - amor, paixão, companheirismo...

Amory conta-nos a sua história em retrospectiva a partir de Barrendale, na Escócia, em 1977, ponderando sobre as suas escolhas, objectivos, hesitações e até nos erros que a trouxeram ao presente. Erros esses que nunca sentiu chegar, claro, já que um erro resulta sempre de uma boa intenção que correu mal.

Gostei muito da história de Amory embora preferisse vê-la narrada de forma menos factual e mais sentimental. William Boyd passa superficialmente pela história de Amory e eu gostaria de a ver mais aprofundada; assim, não negando admiração pela protagonista, não posso dizer que tenha sentido qualquer ligação com a personagem, o que certamente prejudica um livro deste género em que o nosso interesse na narrativa depende directamente do nosso interesse no protagonista da mesma.

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"Sweet Caress is an audacious, sweeping, rich layer cake of a novel, at once a textual hall of mirrors and a brilliant tale of a life well lived." - The Guardian
"Well, it is an utterly compelling read and Boyd's best novel since Restless" - The Independent
"Sweet Caress proves that even when coasting, Boyd can still serve up enough memorable scenes and incidental pleasures to make for a highly enjoyable read. But it’s not, in the end, an entirely satisfying one." - The Telegraph
"“How can you describe these physical sensations, these instinctive body-wide manifestations of your mental state, without sounding like some sentimental fool?” Amory wonders. That, of course, is what a good novelist is supposed to do and what Boyd abjectly fails to pull off in this book." - The Washington Post

William Boyd nasceu em Acra, no Gana, em 1952 e frequentou as universidades de Nice, Glasgow e Oxford. Foi ainda como professor de Inglês na Universidade de Oxford que publicou o seu primeiro romance, A Goog Man in Africa, que recebeu os prémios Whitbread e Somerset Maughan. Pouco depois deixou a docência para se dedicar inteiramente à literatura. É autor de vários romances, quase todos distinguidos com prémios. An Ice Cream War conquistou o John Llewellyn Rhys Memorial Prize e foi nomeado para o Booker Prize; A Praia de Brazaville ganhou o James Tait Black Memorial Prize e Tarde Azul o Prémio de Ficção do Los Angeles Times. Treze dos seus guiões cinematográficos foram filmados e, em 1998, escreveu e realizou o filme A Trincheira. Boyd vive em Londres e na Dordonha, região no Sudoeste de França, onde dedica alguns meses por ano à viticultura.



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