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0 Extinção | Opinião


Durante uma reunião em Washington, D.C., o presidente dos Estados Unidos é informado sobre a existência de uma ameaça para a segurança nacional: um menino de três anos, de seu nome Akili, é o ser mais inteligente do planeta. Representante do passo seguinte na evolução humana, Akili apercebe-se de padrões, prevê acontecimentos futuros mais rapidamente do que a maioria dos supercomputadores e é capaz de manipular acontecimentos a grande escala, como se fossem peças num tabuleiro de xadrez. Mas apesar de todo o seu poder, Akili tem a maturidade emocional de uma criança - o que o pode transformar na ameaça mais perigosa que a humanidade alguma vez enfrentou.

Jonathan Yeager, um militar americano, lidera uma equipa de operacionais de elite que se infiltra na selva do Congo, seguindo as ordens do presidente para destruir esta ameaça para a Humanidade, antes que Akili possa aplicar, a cem porcento, todas as suas capacidades. Mas Yeager tem um filho pequeno, muito doente, e os avançados conhecimentos de Akili em todas as áreas, incluindo a medicina, podem ser a única esperança do militar para salvar a vida da criança.

Em breve Yeager vai confrontar-se com o dilema de ter de escolher entre seguir ordens ou salvar uma criatura com planos desconhecidos que pode querer salvar a humanidade como a conhecemos ou destruí-la.


Autor: Kazuaki Takano
Editor: Casa das Letras (Fevereiro, 2016)
Género: Thriller > Ficção Científica
Páginas: 640
Original: Jenosaido (2011) 
Naoki Prize Nominee (2011), 
Mystery Writers of Japan Award for Best Novel (2012), 
Yamada Futaro Prize (2011), 
Kono Mystery ga Sugoi for Best Japanese Mystery Novel of the Year (2012),
Japanese Booksellers Award Nominee (2012)

opinião
★★★✩✩
Extinção é um livro cheio de conteúdo interessante e muito variado (ciência, tecnologia, política internacional, psicologia, teorias da conspiração). Fiquei interessada no enredo logo no início, exponencialmente curiosa com o desenvolvimento da história - quais as verdadeiras intenções da missão do grupo militar de Yeager no Congo?!, qual a tarefa que o pai de Koto lhe deixa depois de morrer, orientando-o através de várias pistas misteriosas?, como pode o extermínio de toda uma tribo de pigmeus poderá estar relacionado com a síntese de um fármaco, no Japão, com potencial para salvar a vida de milhares de criança?. Infelizmente, grande parte deste meu interesse acabou por se perder após a primeira metade do livro...

No contexto deste trabalho, a evolução da espécie humana poderá significar a extinção do Homo sapiens, ou seja, o produto da nossa evolução, um humano mais evoluído, inteligente devido a uma capacidade encefálica muito superior e uma de compreensão muito mais vasta que não conseguiríamos acompanhar, levaria a cabo a exterminação da espécie inferior. Takano confronta-nos com o dilema moral de eliminar um ser, humano como nós, com potencial para desencadear a nossa obliteração, tomando o nosso lugar. 

Além desta premissa intrigante e interessante, apreciei muito outras abordagens do autor, como o estudo dos instintos primitivos da população e o modo como estes são mascarados com futilidades contemporâneas, o possível estudo psicopatológico de líderes políticos mundiais, os motivos que conduzem à guerra, porque esta se mantém e a óbvia crítica à invasão do Iraque. O conteúdo teórico pode parecer imenso mas, do que me recordo das minhas cadeiras de Bioquímica e Farmacotoxicologia, o autor conseguiu construir uma boa síntese sobre esta pequena mas complexa parte do vastíssimo mundo molecular. No entanto, nem todos os leitores pegam num thriller à espera de serem bombardeados com teoria científica e prática laboratorial pelo que a intenção do autor de fundamentar cientificamente o seu trabalho não só quebra o ritmo do livro como pode perturbar a satisfação do leitor.

Além disso, o livro é bastante inconstante; passamos de uma sala de reuniões com o Presidente dos Estados Unidos para cenas violentíssimas e perturbadoras no Congo. Não me desagradou qualquer uma delas e gosto de diversidade numa história, mas não gostei das alturas que o escritor escolheu para fazer a transição entre cenas e, com a sucessiva repetição da técnica, acabou por me irritar.

Apesar de ter demorado apenas uma semana a ler Extinção, pareceu-me uma eternidade! A partir de um certo número de páginas queria respostas e resultados, pelo que a demora do autor em concretizá-los traduziu-se em frustração. Este é um daqueles livros que penso que daria excelente filme, mas que falha em vários pontos como trabalho literário




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