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0 As Minhas Leituras Março de 2015



  Este foi um mês de altos e baixos, entusiasmos e decepções - não obstante, de grande variedade! 

  Fiquei muito desiludida com 'Encantamentos(Porto Editora, 2013), com o 6º livro da série Bridgerton, 'A Bela e o Vilão(ASA, 2015) e com 'Em Segredo(TopSeller, 2014)

  Em contrapartida, adorei 'Hard Times' de Charles Dickens, 'A Praia das Pétalas de Rosa' (Porto Editora, 2013) de uma das minhas autoras preferidas: Dorothy Koomson e 'Firmin(Editorial Planeta, 2014), a minha estreia com o perspicaz Sam Savage.

  Destaco ainda 'Invisível(TopSeller, 2014) de James Patteron, um livro que recomendo a quem gosta de um bom - e enervante - policial, e ainda 'O Sonho de Uma Outra Vida' (ASA, 2014), da premiada jornalista Katherine Boo, um livro que todos devíamos ler...!

Até para a semana!

31/ Março
  Na última semana do mês andei entretida com 'O Sonho de Uma Outra Vida' (ASA, 2014) e com 'Um Homem e o Seu Cão(Bertrand Editora, 2015). Comprei este livro por causa da capa, mas também tenho grande curiosidade em relação ao autor e este pequeno livro pareceu-me uma boa escolha para terminar o mês.


  Como esperava, a prosa de Thomas Mann revelou-se irrepreensível. Gostei muito do retrato que Mann pinta do seu cão, da forma como o imortalizou neste livro, tentando interpretar os seus comportamentos. No entanto, o excesso de passagens descritivas sobre a paisagem e afins tornou a leitura aborrecida e cheguei a distrair-me várias vezes...
  A relação entre 'Um Homem e o Seu Cão' é algo a ser verdadeiramente estimado, mas o livro serviu apenas para me abrir o apetite em relação aos outros trabalhos do autor.



  Em 'O Sonho de Uma Outra Vida' Katherine Boo dá voz a todos os que vivem nos bairros de lata de Mumbai, nas condições mais precárias que possamos imaginar.
  Ao evidenciar, quase em jeito de romance, as cruéis manifestações da pobreza esta jornalista sensibiliza-nos para um dos flagelos da actualidade.
  Quando o desespero é constante, quando cada hora do dia traz novas dificuldades e incertezas, quando está em causa a auto-preservação ou a sobrevivência dos filhos, a linha entre o bem e o mal, o certo e o errado, esbate-se e o bem-estar alheio não entra sequer na equação - recomendo!


27/ Março
  Já tinha 'Hard Times' e 'Firmin' (Editorial Planeta, 2014) há algum tempo na minha pilha de livros para ler (não digo isto em sentido figurativo, tenho mesmo pilhas de livros para ler, periclitantemente amontoados uns em cima dos outros…); comprei 'Hard Times' porque Charles Dickens é um autor que aprecio particularmente e 'Firmin' porque era uma edição especial e entusiasmou-me o que li na capa «Uma história para todos aqueles que sentem paixão pelos livros e que não perderam a capacidade de amar». 
  'A Educação de Felicity(ASA, 2015) foi o único livro «novo» que li esta semana, encomendei pela internet porque gostei da sinopse e quando o abri fiquei muito satisfeita com o trabalho que fizeram nesta edição, a nível estético.


'Hard Times' é um excelente retrato de época. Através das suas personagens, excepcionalmente bem caracterizadas, Dickens transmite habilmente os seus pontos de vista em relação às injustiças sociais e às mudanças que a revolução industrial trouxe, bem como a pressão económica que provocou. 
Aprecio muito o cuidado que Dickens teve com cada frase, obtendo do leitor a reacção e efeito desejados, dando-lhe crédito ao não ser demasiado óbvio. Acredito que podemos avaliar a qualidade de um livro, em relação ao seu conteúdo, pelo tempo que poderíamos dissecá-lo em conversa - e, neste caso, a resposta é: muito tempo. Cada «E aquela parte em que…» nos levaria a uma nova discussão, também ela cheia de ramificações. 


'Firminé uma belíssima alegoria, fonte de profunda contemplação. O título é igualmente o nome de uma ratazana que aprende a ler e tira dos livros prazer e conhecimento em igual medida. Contudo, a sua paixão pelos livros e pelo conhecimento afasta-o cada vez mais dos da sua espécie, sem, no entanto, lhe permitir que se aproxime realmente dos da nossa. Assim, Firmin condena-se a uma vida de solidão, filosofando, fantasiando, discutindo, interpretando e contemplando apenas para ele próprio.

Pensamentos cheios de substância destinados ao vazio. Esperanças e desejos que nunca passarão disso mesmo. Sonhos que, de tão impossíveis, se tornam patéticos…e tão tristes. Ainda assim, esta singular ratazana não se cansa de sonhar e romantizar a sua existência, mantendo mente e coração abertos, sempre à espera de poder amar, estimar. 


Gostar de 'A Educação de Felicity' depende do que procuramos num livro. Se andamos à procura de romance apaixonado ou de cenas tórridas: isto não vai correr nada bem; mas se tivermos como objectivo passar algumas horas de diversão descomprometida com um livro, então este é uma boa opção.
A história desenrola-se muito depressa já que os acontecimentos são abordados superficialmente e não há uma extensa exploração dos sentimentos/motivos dos personagens. Gostei dos pormenores que enriquecem a narrativa, em relação aos maneirismos da época e, para mim, o livro vale a pena graças à excêntrica dupla de manas, Amy e Effy.


19/ Março
  Se não fosse por James Patterson e Dorothy Koomson, Março estaria a ser um mês péssimo no que toca a leituras! Para me recuperar do desgosto que foi 'A Bela e o Vilão(ASA, 2015), o 6º livro da série Bridgerton de Julia Quinn, comecei a ler 'A Praia das Pétalas de Rosa' (Porto Editora, 2013), de Dorothy Koomson... Infelizmente, decidi também ler 'Em Segredo' (TopSeller, 2014) e 'Encantamentos' (Porto Editora, 2013)... duas desilusões.



Os meus livros de
Dorothy Koomson! :)
  Já li cinco livros de Dorothy Koomson e não houve um de que não gostasse! Aliás, cada vez gosto mais; o que li este mês, 'A Praia das Pétalas de Rosa', e 'Os Aromas do Amor' (Porto Editora, 2014), que li em Junho do ano passado, são os meus preferidos.
  Gosto muito da forma como Koomson constrói os seus romances, avançando e recuando no tempo, alternando entre pontos de vista. A caracterização das personagens é excelente, aproximando-nos das mesmas mas sempre saudavelmente desconfiados de cada uma delas. O enredo deste livro mantém-nos curiosos até ao final abordando pelo caminho temas como a amizade, maternidade, lealdade, amor, fidelidade, carreira e casamento.



  Há livros cuja história, por muito bem escrita que esteja, não nos cativa nem um bocadinho. Foi o que me aconteceu com 'Em Segredo'. 
  Quando todo o livro gira à volta de traição conjugal, penso que o autor deve dar-se ao trabalho de a fundamentar com alguma lógica. Contudo, Catherine McKenzie limita-se a saltar entre o passado e o presente, contando-nos como a dita traição aconteceu sem no entanto a justificar como deve ser, sem se esforçar por nos convencer de que há sequer algum objectivo neste livro. 
  As personagens hipócritas, inconsequentes, falsas, egoístas e cobardes que nos apresenta só pioram a situação, especialmente porque não sofrem quaisquer consequências pelas suas acções. Também não há hipótese de redenção, portanto, porquê escrever este livro?! Soou-me demasiado a «Estou aborrecida, vou ali trair o meu marido com aquele tipo e, de caminho, negligencio a minha filha».


  E como uma desgraça nunca vem só: 'Encantamentos'.
  Ando há imenso tempo para ler este livro, a empurrá-lo de um lado para o outro e a passar sempre outra leitura qualquer para a frente. Em Março, decidi que ia lê-lo de uma vez - péssima ideia!
  Habitualmente gosto de ler ficção histórica porque acabo sempre por enriquecer os meus conhecimentos, mas não suportei a abordagem cínica e infantil deste livro sobre a queda dos Romanov e os acontecimentos que levaram os bolcheviques a se organizarem.
  A narrativa é muito desorganizada e aleatória. Pobre em conteúdo e em acção, o livro torna-se aborrecido; apesar de  limitada pelo fim trágico que conhecemos, a autora poderia ter explorado muito mais em vez de nos deixar o tempo todo à espera, em vão, que «algo» acontecesse.
  

Vou continuar o mês com 'Hard Times' de Charles Dickens. Estou a ler em inglês porque esta edição custou-me menos de 3,00 €! ;)
...E por falar em edições, a ASA fez um excelente trabalho com a sua edição de 'A Educação de Felicity' (ASA, 2015). O livro é tão giro! Inspira-nos ao coleccionismo. E eu já tenho o meu - é o próximo a ler!


5/ Março
  Este mês comecei com dois autores que já não são novidade para mim: James Patterson e Julia Quinn... adorei o trabalho de um e fiquei arreliada com o do outro!


  Durante algum tempo, evitei os livros de James Patterson simplesmente por duvidar da qualidade do trabalho de um autor que escreve tantos livros por ano. Estava errada; James Patterson escreve policiais de tirar o fôlego! - e eu estou cada vez mais impressionada com o seu trabalho. Tirando 'Primeiro Amor' (TopSeller, 2014), gostei de todos os livros que li até ao momento e recomendo vivamente a leitura de 'Invisível' (TopSeller, 2014) e da série 'NYPD Red' (TopSeller).
  'Invisível(TopSeller, 2014) vai aumentando de ritmo e de interesse, deixando-nos desesperados pelo final. O serial killer trabalha com método e disciplina, mantendo-se sempre um passo à frente do FBI, tornando-se mais audaz e perigoso com a aproximação dos agentes. Os capítulos dedicados exclusivamente ao ponto de vista deste criminoso deixa-nos ainda mais curiosos sobre ele já que demonstra o prazer e diversão que tira das atrocidades que pratica. Todo o mistério é muito bem preservado e até mesmo o leitor mais astuto e intuitivo é bem capaz de se surpreender com o final!


A minha colecção Bridgerton! :)
  Não pensei vir a desiludir-me com Julia Quinn desta forma já que me habituou a a histórias interessantes - românticas, sim, mas polvilhadas com um delicioso humor simplista e despretensioso - narradas com beleza e irreverência... Mas aconteceu.   'A Bela e o Vilão' (ASA, 2015), o 6º livro da série Os Bridgerton, não tem nada de original, seguindo sem surpresas e focando sempre os mesmos pontos. Compreendo que esta protagonista fosse mais independente em relação à família mas isolou demasiado Francesca daquele que é o trunfo do seu trabalho nesta série: Os Bridgerton!
Odeio ver autores encostarem-se a sucessos anteriores, provavelmente pressionados por prazos e contratos, convencidos de que vamos gostar de qualquer coisa que eles escrevam só porque foram eles que o escreveram e porque gostámos tanto do que já lemos antes.




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