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5 Ele Está de Volta + Opinião

  Berlim, 2011. Adolf Hitler acorda num terreno baldio. Sente uma grande dor de cabeça. O uniforme tresanda a querosene. Olha à sua volta e não encontra Eva Braun. Nem uma cidade em ruínas, nem bombardeiros a riscar os céus.Em vez disso, descobre ruas limpas e organizadas, povoadas de turcos, milhares de turcos. E gente com aparelhos estranhos colados ao ouvido. 
  Começa assim o surpreendente primeiro romance de Timur Vermes, passado na Alemanha de Angela Merkel, 66 anos depois do fim da guerra. Hitler ganha nova vida. Na sociedade espetáculo, dos reality shows e do YouTube, o renascido Führer é visto como uma estrela, que uma televisão sequiosa de novidades acolhe de braços abertos. 
  A Alemanha da crise, do Euro ameaçado, da austeridade, vê nele um palhaço inofensivo. Mas ele é real, assustadoramente real. E, passo a passo, maquiavelicamente, planeia o seu regresso ao poder - por via da televisão. 
  Sátira ferocíssima a uma sociedade mediatizada, narrado num registo arrepiadoramente fiel ao Mein Kampf, tem tanto de romance político como de crítica de costumes. Afinal, a Alemanha de Merkel, dominadora, obcecada pelo poder e pelo sucesso, está pronta para o receber... e Ele Está de Volta.

Autor: Timur Vermes
Editor: Lua de Papel (Setembro, 2013)
Género: Romance
Páginas: 304
Original: Er ist wieder da (2012)




Opinião:
My rating: 5 of 5 stars

«Ele Está de Volta» é perturbadoramente cómico. Pessoalmente, não consegui desviar-me do pensamento de que estava a rir de uma coisa que, obviamente, não devia!...

Escrito na 1ª pessoa do singular, Timur Vermes leva-nos a entrar directamente na mente de Adolf Hitler, o próprio, que acorda, sem saber bem como, na moderna Berlim de 2011. No papel de humorista xenófobo de enorme sucesso, tanto televisivo como nas redes sociais, Hitler pode não ser levado a sério mas dissemina, ainda assim, a sua mensagem em grande escala.

Perigosamente atento, Hitler assimila e compila novas informações que lhe poderão ser úteis nesta que será a tentativa de levar a bom porto os mesmos objectivos de há quase 70 anos atrás… Assistimos às suas geniosas distorções de contextos, a forma como maneja os que o rodeiam, avaliando minuciosamente e julgando severamente os seus caracteres e integridade de acordo com os seus próprios padrões pessoais.

Nunca pensei ver Adolf Hitler como objecto de comédia mas, de facto, este «novo» Hitler, um homem cronicamente mal-disposto, convicto, impulsivo, que ferve em pouca água e a atirar para o violento, é hilariantemente ingénuo relativamente ao mundo moderno e às tecnologias associadas. Adorei o parágrafo em que Hitler se dedica ao estudo da programação televisiva alemã…

Isto não impede, contudo, que demos por nós próprios demasiadas vezes a concordar com as suas opiniões e ideologias à medida que ele se vai debruçando sobre a avaliação da sociedade contemporânea e até, atrevo-me a dizer, a simpatizar com este caricato personagem. E é aqui que sentimos o perigo das possibilidades… Engenhosamente, Timur Vermes fez com que fosse demasiado fácil esquecer que este homem foi um cretino da pior espécie: aqui está novamente Hitler a convencer e a manobrar a Alemanha com a sua brilhante capacidade oratória (e eles a predispostos a isso, claro), focando pontos críticos com os quais concordamos mas propondo resoluções monstruosas que vão sendo mal interpretadas, estando o próprio afogado num preconceito ignorante.

É chocante, ainda que ficcional, ver até onde ele consegue chegar desta vez, levando as pessoas a colaborar livremente, avaliando os seus objectivos de forma incorrecta mesmo quando ele fala lhes com toda a assustadora honestidade.
«Os erros não existem para serem lamentados mas sim para não serem repetidos.»

O final deixa muito em aberto: mesmo continuando a ser visto como «apenas» um humorista, são abertas muitas portas a este Hitler, o que lhe garante uma enorme divulgação dos seus ideais e convicções…

Este é um livro que serve também de severa crítica política e social e, embora pareça abordar em termos levianos um tema tão sensível, fá-lo de forma extremamente inteligente e significativamente irónica. Já para não dizer super original.
«E, com efeito, as pessoas reagiram como outrora no Reichstag»

5 comentários:

  1. ahah parece ser tão giro.. parece-me comico -.-

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    1. Vou começar agora ;) Também fiquei curiosa com a sinopse

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  2. Olá! Onde posso conseguir o livro? Em que livraria?

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    1. Olá :) Em princípio em qualquer livraria ou supermercado (que foi onde comprei o meu ;) )

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  3. Já li outros livros ( inclusive de escritos brasileiros ) com o mesmo sentido de impor um pouco de " humor " em relação a Hitler... estou ansiosa para ler este

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