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0 Jacques o Fatalista + Opinião

Prefácio de Eduardo Prado Coelho: «Diderot fala, conversa, dança com as palavras, traça figuras de uma coreografia arrebatadora. Diderot não nos deixa repousar um minuto: as personagens saltam, desaparecem, morrem, amam, enganam-se, agridem, ressuscitam, e tudo se processa numa agilidade e desenvoltura absolutamente surpreendentes. (...) O essencial não está, portanto, na estabilização, mas num valor precisamente oposto: na velocidade com que o jogo continua a ser jogado.»
Um clássico da literatura irreverente e inovador, escrito por um dos principais iluministas: Denis Diderot. Um retrato social de França do século XVIII onde a sucessão de enganos e desenganos vividos por Jacques e o seu amo nos deslumbra pela sua sagacidade e actualidade. Uma tradução brilhante e imperdível de Pedro Tamen.

Autor: Denis Diderot
Editor: Tinta da China (2009)
Género: Clássico
Páginas: 288
Original: Jacques le Fataliste et Son Maître (1778)


~ Opinião ~

Verdades universais confessadas em tom ligeiro e brincalhão. Filosofia processada através de situações cómicas, irónicas e absurdas. Camadas complexas de narrativa que desafiam todas as regras, estruturadas de forma singular e inteligente: este costuma ser  o meu tipo de livro…mas, aparentemente, «estava escrito lá em cima» que eu não o viria a apreciar devidamente.

Jacques o Fatalista, um clássico da literatura francesa, traz-nos as conversas filosóficas entre Jacques e o seu amo, decorrentes das mais alucinadas experiências do passado…e presente. Jacques propõe-se também a contar «a história dos seus amores» mas, constantes interrupções parecem indicar que «não estava escrito la em cima» que ele alguma vez chegasse a terminar a sua narrativa.
Entre estas interrupções encontram-se as do próprio, e ubíquo, autor, Denis Diderot (1713-1784), que aparentemente se diverte a protelar a história dos amores de Jacques e a arreliar o leitor, provocando-o recorrentemente e desdenhando das suas possíveis opiniões sobre o seu trabalho. Esta componente, que torna simultaneamente a leitura tão frustrante, acabou por ser a minha parte preferida do livro pela sua originalidade - epítome da peculiaridade de escrita de Diderot.

Diderot mostra-nos, literalmente, quem manda. Ameaça-nos com narrativas exaustivas de demandas intermináveis, mostra-nos que poderá ocultar-nos preciosa informação, se assim quiser, acusa-nos de, na nossa ignorância, claro, subestimarmos o seu trabalho. Emenda-nos. Repreende-nos. Goza connosco. É esta singularidade, para mim, que enriquece o livro e não a história em si, por muita filosofia que esta transporte e por muito opulento que seja o recurso a referências literárias.

Jacques o Fatalista, é um marco na literatura, derivado de um talento soberbo e distinto, mas o meu gosto pessoal dita que não consiga olhar para trás, rever o que li, e dizer que gostei mesmo.

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