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A Noite Eterna

My rating: 3 of 5 stars

Dois anos volvidos, o sucesso do Mestre reflecte-se na organização e dispersão dos strigoi por todo o planeta, com o vírus do vampirismo a colonizar a raça humana. A luz do dia desapareceu, a escuridão é quase ininterrupta. Neste cenário apocalíptico, os humanos foram reduzidos à condição de gado, com as suas rotinas diárias, equilíbrios hormonais e reprodução bem regulados pelos vampiros. Encerrados em campos de concentração e tratados como escravos de uma raça superior. «(…) a morte já não era necessariamente o ponto final na existência humana.»

Todos os que foram transformados obedecem cegamente ao Mestre, unos com ele nas suas pretensões…Os que não foram transformados servem apenas para fornecimento de alimentação aos strigoi, colaborando com eles e vergando-se às suas vontades neste novo mundo…E os que não se juntaram à causa são os vermes, a anomalia do sistema.

Nora, Fet, Eph e Gus continuam a ser dos poucos resistentes…

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Estas serão certamente as condições mais morbidamente estranhas para encontrarmos um triângulo amoroso. Temos um herói cheio de defeitos, o que é raro, quase sempre artificialmente estimulado via comprimidos ou bebida alcoólica que actua como um dos arquitectos da escassa resistência humana e que luta pela libertação de um filho que sofre de Síndrome de Estocolmo…Temos uma mulher forte e determinada que luta para manter a mãe, vítima de Alzheimer, viva num mundo onde os idosos não têm mais lugar…E um exterminador de ratazanas que mudou a sua actividade de combate para espécimes bem maiores…usando armas bem maiores, de calibre nuclear! Fora disto, temos um mexicano completamente varrido das ideias que conserva a mãe transformada, que se «parece com o Power Ranger pornográfico mais feio deste mundo», aprisionada na cave… Ah e um híbrido vampiro/humano que luta pela Humanidade…E se este ramalhete não é interessante…então não sei o que mais será!

Lamentavelmente, os diálogos são fracos e parece haver sempre um irritante desentendimento entre todas as personagens - o que até é compreensível dado o ambiente hostil em que são obrigados a (sobre)viver.

Todo o conceito criado e aprofundado nos dois primeiros livros desta trilogia é muito interessante, daí as minhas (mais do que) elevadas expectativas em relação ao terceiro e último livro: «A Noite Eterna».

Infelizmente, as minhas expectativas não se viram satisfeitas…o fim acaba por ser desilusivo e insatisfatório, especialmente para a conclusão de uma trilogia que começou com tanta possança e originalidade. A narrativa continua a ser arrepiantemente gráfica mas os autores não conseguiram manter a energia vibrante que caracterizou «A Estirpe» e «O Ocaso», aquela coacção electrizante para ler tudo de uma assentada, a ansiedade gerada ao longo do desenvolvimento da trama e a sensação de libertação quando finalmente nos era permitido respirar livremente sempre que as personagens saiam de uma qualquer (grandessíssima) alhada.

Considero que «A Noite Eterna» apenas vale a pena porque coloca um fim na história que temos vindo a acompanhar…mas seria muito mais interessante se o epílogo fosse mais extenso e detalhado. Parece que tudo termina e fica resolvido de forma abrupta e demasiado rápida…demasiado comum.

Estava à espera de mais, especialmente porque ADORO o género Terror e também porque admiro imenso o trabalho de del Toro…(quer dizer…ainda estou a tentar perceber que raio queria ele com aquele «Não Tenhas Medo do Escuro»…mas enfim, ninguém é perfeito).


Frases Preferidas:

«A borboleta não se detém a contemplar a lagarta que foi um dia, seja com ternura ou melancolia. Limita-se simplesmente a voar.»

«O seu coração não é complicado. Sabe o que sabe e age de acordo com isso. É difícil encontrar maior sabedoria que essa.»


«-Não gosto dele - disse Gus. - Nunca gostei. O tipo queixa-se daquilo que não tem, não se apercebe do que tem e nunca está contente com nada. É aquilo a que se chama…qual é a plavra?
- Um pessimista? - sugeriu Fet.
- Um cara de cu - respondeu Gus.»


«Passaste metade da tua vida a lutar contra os arrependimentos. A compensar o passado em vez de fazeres as coisas bem feitas no presente. (…) Achas que se te esforçares suficientemente consegues reparar as coisas que estragaste, em vez de teres cuidado com elas quando ainda estão inteiras.»

«(…) a vitória é tão grandiosa quanto o inimigo que enfrentamos.»

«Olhando para trás, para a nossa vida, vemos que a resposta para tudo foi o amor.»


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