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0 A Chave de Salomão | Opinião
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The Key: Tomás Noronha
A mensagem torna Tomás Noronha o principal suspeito do homicídio. Depressa o historiador português se vê na mira da CIA, que lança assassinos no seu encalço, e percebe que, se quiser sobreviver, terá de deslindar o crime e provar a sua inocência.
Ou morrer a tentar.
Começa assim uma busca que o conduzirá às mais surpreendentes descobertas científicas alguma vez feitas.
Será que a alma existe?
O que acontece quando morremos?
O que é a realidade?
Com esta empolgante aventura que arrasta o leitor para o perturbador mundo da consciência e da natureza mais profunda do real, José Rodrigues dos Santos volta a afirmar-se como o grande mestre do mistério. Apesar de ser uma obra de ficção, A Chave de Salomão usa informação científica genuína para desvendar as espantosas ligações entre a mente, a matéria e o enigma da existência.
Editor: Gradiva (Outubro, 2014)
Género: Romance
Páginas: 624
opinião
★★★☆☆
Apreciar, ou não, um livro de José Rodrigues dos Santos passa muito por gostar, ou não, do tema que ele escolheu para nos lecionar dessa vez. A profundidade com que explora um tema, se este não for do nosso interesse, pode tornar o livro num aborrecimento.
Como gostei do tema abordado acabei por gostar do livro… mas colocando de lado todo o conteúdo teórico-científico temos que encarar o facto de o enredo não ser particularmente inteligente ou sequer original. Também é preciso desenvolver alguma paciência para Tomás, o sabe-tudo de serviço e para a tolinha imatura que o acompanha (e que pouco ou nada contribui para a história), Maria Flor. Tomás tem tido pouco ou nenhum desenvolvimento pessoal ao longo de todos estes livros e o seu papel como mera ferramenta para o escritor encher páginas e páginas de matéria teórica é demasiado óbvio.
Sempre fundamentando o que escreve, em A Chave de Salomão, o escritor começa por abordar a memória (que vai sendo reorganizada à medida que a mente apaga, distorce e acrescenta elementos) e a consciência (que cria parcialmente a realidade através da observação). Conforme o que escreveu Heisenberg, os átomos não são reais, formam um mundo de potencialidades como se vivessem num limbo e só adquirissem existência definida e real quando são observados e a pouco e pouco, José Rodrigues dos Santos aproxima-se de uma noção ainda mais interessante: o universo é consciente, observa-se a si próprio.
_
Quando o responsável pela Direção de Ciência e Tecnologia da CIA, Frank Bellamy, é encontrado morto num aparelho do CERN com um papel com a inscrição "The Key: Tomás Noronha", o nosso conhecido historiador fica em apuros. Tomás pode ser a chave para desvendar o mistério mas para aqueles que queriam Bellamy fora do caminho, este bilhete servirá perfeitamente para incriminar o português que, estando preocupado com problemas pessoais, demorará o seu tempo a perceber que o Pentáculo que recebeu misteriosamente pelo correio é bem mais do que imagina…
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✏ José Rodrigues dos Santos nasceu em 1964 Moçambique. É sobretudo conhecido pelo seu trabalho como jornalista, carreira que abraçou em 1981, na Rádio Macau. Trabalhou na BBC, em Londres, de 1987 a 1990, e seguiu para a RTP, onde começou a apresentar o 24 horas. Em 1991 passou para a apresentação do Telejornal e tornou-se colaborador permanente da CNN entre 1993 e 2002.
Doutorado em Ciências da Comunicação, é professor da Universidade Nova de Lisboa e jornalista da RTP, tendo ocupado por duas vezes o cargo de Director de Informação. da televisão pública. É um dos mais premiados jornalistas portugueses, galardoado com dois prémios do Clube Português de Imprensa e três da CNN, entre outros.
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1 O Reino do Meio | Opinião
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As Flores de Lótus
Trilogia do Lótus 1
O século XX nasce, e com ele germinam as sementes do autoritarismo. Da Europa à Ásia, as ondas de choque irão abalar a humanidade e atingir em cheio quatro famílias.
Inspirando-se em figuras históricas como Salazar e Mao Tse-tung, o novo romance de José Rodrigues dos Santos conduz o leitor numa viagem arrebatadora que nos leva de Lisboa a Tóquio, de Irkutsk a Changsha, do comunismo ao fascismo o que faz de As Flores de Lótus uma das mais ambiciosas obras da literatura portuguesa contemporânea.
Género: Romance
Páginas: 688
Excerto
O olhar de Salazar desviou-se momentaneamente para a janela do automóvel. Caíam lá fora os primeiros pingos de chuva, provenientes da treva, que deslizavam em ziguezague pelos vidros como se a noite despejasse lágrimas, mas logo surgiram nos passeios as luzes amareladas dos candeeiros noturnos, sinal seguro de que entravam em Lisboa.
“Para que se fez esta revolução se é para ficar tudo na mesma?”
“Na mesma?”, admirou-se o general Carmona. “O que quer o senhor dizer com isso?”
“O problema do país, senhor general, são os partidos!”, exclamou Salazar, a voz a ganhar veemência. “Os partidos, está vossa excelência a entender? Foi justamente a ação nefasta dos políticos e dos partidos que pôs o país onde ele está, senhor general. Ao contrário do que apregoam aos quatro ventos, os partidos não existem para servir o povo, mas para servir as suas clientelas. Fingindo servir a população, os partidos servem-se a si mesmos e apenas deixam ao país umas migalhas do banquete que engorda as suas gentes. Essa é que é a raiz do problema!”
Excerto
O olhar de Salazar desviou-se momentaneamente para a janela do automóvel. Caíam lá fora os primeiros pingos de chuva, provenientes da treva, que deslizavam em ziguezague pelos vidros como se a noite despejasse lágrimas, mas logo surgiram nos passeios as luzes amareladas dos candeeiros noturnos, sinal seguro de que entravam em Lisboa.
“Para que se fez esta revolução se é para ficar tudo na mesma?”
“Na mesma?”, admirou-se o general Carmona. “O que quer o senhor dizer com isso?”
“O problema do país, senhor general, são os partidos!”, exclamou Salazar, a voz a ganhar veemência. “Os partidos, está vossa excelência a entender? Foi justamente a ação nefasta dos políticos e dos partidos que pôs o país onde ele está, senhor general. Ao contrário do que apregoam aos quatro ventos, os partidos não existem para servir o povo, mas para servir as suas clientelas. Fingindo servir a população, os partidos servem-se a si mesmos e apenas deixam ao país umas migalhas do banquete que engorda as suas gentes. Essa é que é a raiz do problema!”
Opinião
★★★★★
O livro As Flores de Lótus é, para mim, os dos trabalhos mais entusiasmantes do autor. Através deste primeiro livro, cuja continuação será intitulada O Pavilhão Púrpura, acompanhamos a evolução política internacional no início do século XX, através de quatro famílias: os Teixeiras de Portugal, os Yang da China, os Satake do Japão e os Skuratov da Rússia.
Esta diversidade faz-se obviamente acompanhar de grande complexidade e, por isso, não aconselho a leitura deste livro a quem não se sentir atraído pelo tema político, já que este é vastamente explorado através de uma considerável quantidade de informação, como já é imagem de marca do autor, e com algumas das noções a serem inclusivamente repetidas ao longo da narrativa.José Rodrigues dos Santos já nos escreveu o suficiente para sabermos de antemão que os seus romances não serão sobre casais que se encontram por capricho do destino para viver um romance em tempos difíceis…aqui os tempos absorvem o protagonismo da narrativa e o conhecimento, mais do que motivos de entretenimento, perfaz o livro.
Nomes como Marx, Engel, Lenine, Mussolini, Mão Tse Tung, Confúcio, Estaline, Maquiavel e Salazar, entre outros, são referenciados para narrar o encaminhamento que conhecemos hoje à História. Além das crises sucessivas que decorreram em Portugal e que levariam à ditadura de Salazar, acompanhamos a revolução bolchevique. Observamos como, depois de instaladas na Rússia, as perigosas correntes do pensamento comunista são exportadas para a China, país que teve a sua quota de derrotas e onde se pretende agora que a revolução elimine de uma vez o imperialismo e o feudalismo.Sob a interpretação de que a violência é uma força criadora, a luta entre classes e a instabilidade social desdobra-se pelo Mapa-mundo. O proletariado é levado a conjeturar que entre impetuosidade, violência, ditadura e desrespeito pela autoridade encontrará a sua vitória mas nós «vemos» nesta narrativa a sucessão de contradições e incoerências produzidas. A propriedade científica do socialismo é manifestamente contestada quando se torna óbvio que mudanças positivas para o povo podem ocorrer, sem violência, dentro de um sistema democrático e capitalista. A comparativamente frágil Rússia rende-se ao comunismo, quando países ocidentais mais poderosos e bem-sucedidos seguem políticas diferentes e onde os trabalhadores adquirem mais direitos sem recorrer à revolução.
Por se debruçar sobre temas pelos quais sempre me senti naturalmente atraída, calculei de que fosse apreciar este livro, mas fiquei positivamente surpreendida com a inclusão da tradição/cultura japonesa, decorrente de reflexões e interpretações existenciais tão diferentes das nossas. Fukui - uma das minhas personagens preferidas do livro - aprende desde cedo que, no Japão, fingir era bem mais adequado do que mostrar fraqueza e que o sentido de honra era para ser elevado ao expoente máximo, potencialmente sacrificial. Fiquei igualmente agradada por encontrar algumas melhorias no escritor, como romancista. Mas, embora compreenda que seja uma forma de envolver personagens com conteúdo histórico, não nego que me vi algumas vezes arreliada por constatar que o autor continua a insistir em enfiar a maioria do esclarecimento teórico nas palavras dos seus personagens, resultando em alguns diálogos que ou são improváveis ou ocorrem em alturas inverosímeis… ou ambos.
Ignorando parte deste último parágrafo, gostei muito do livro e estou, como disse, desejosa de ler o próximo!
«um político mentiroso não devia ser corrido? No fim de contas, se a república significa a sabedoria do povo, e se os políticos mentem ao povo, não deveriam ser imediatamente afastados?» - p. 292
«A turba prefere sempre os pratos saborosos do cozinheiro aos remédios amargos do médico» - p. 294
O Pavilhão Púrpura
Trilogia do Lótus 2
Salazar é o ministro das Finanças em Portugal e a forma como lida com a Grande Depressão granjeia-lhe crescentes apoios. Conta com Artur Teixeira para subir a chefe de governo, mas primeiro terá de neutralizar a ameaça fascista.
O desemprego lança o Japão no desespero. Satake Fukui vê o seu país embarcar numa grande aventura militarista, a invasão da Manchúria, na mesma altura em que tem de escolher entre a bela Harumi e a doce Ren.
Lian-hua escapa a Mao Tse-tung e vai para Peiping. É aí que a jovem chinesa e a sua família enfrentam as terríveis consequências da invasão japonesa da Manchúria.
A crise mundial convence os bolcheviques de que o capitalismo acabou. Estaline intensifica as coletivizações na União Soviética e o preço, em mortes e fome, é pago por milhões de pessoas. Incluindo Nadezhda.
O mundo à beira do abismo.
Considerado pelos portugueses o seu maior escritor, José Rodrigues dos Santos acompanha-nos numa viagem palpitante à perigosa década de 1930 na companhia de figuras históricas como Salazar e Chiang Kai-shek. O Pavilhão Púrpura traz-nos o segundo tomo da mais ambiciosa saga da literatura portuguesa contemporânea.
Género: Romance
Páginas: 702
Neste segundo volume encontramos o capitalismo e, consequentemente, a democracia manchados pela Grande Quebra de Wall Street. Em Portugal, as medidas de Salazar impediram que a tragédia se fizesse sentir em maior extensão, mas o grande rigor orçamental deste ministro das finanças que ansiava chefiar o governo abre espaço para algum descontentamento, nomeadamente entre os militares.
A guerra rebenta em Espanha e o Japão invade a China. Uma relação extraconjugal nos Açores, o atentado contra Salazar e as intrigas palacianas em Tóquio aproximam o coronel Artur Teixeira do cônsul Satake Fukui na mais imprevisível e perigosa das cidades - a Berlim de Adolf Hitler.
Lian-hua, a chinesa dos olhos azuis, está prometida a um desconhecido quando vê os japoneses entrarem em Pequim e a sua vida se transforma num inferno. O mesmo espetáculo é observado pela russa Nadezhda Skuratova em Xangai, onde se apaixona por um português que a forçará a uma escolha impossível.
A Berlim do blackout, dos boatos e das anedotas, do Hotel Adlon, das suásticas que brilham à noite e das lojas vazias com vitrinas cheias; a Pequim das mei po casamenteiras, dos chi pao de seda, dos cules e dos riquexós; a Tóquio do Hotel Imperial, dos golpes no Kantei, do zen e dos códigos de honra giri e ôn; e a Xangai da Concessão Internacional, dos portugueses do Clube Lusitano, dos néones, do Bund, das taxi-girls russas e dos bordéis.
Senhor de uma prosa sem igual, José Rodrigues dos Santos está de regresso ao grande romance com a conclusão da história inesquecível das quatro vidas que o totalitarismo moldou. Lendo-se como um romance autónomo, O Reino do Meio encerra em grande estilo a polémica Trilogia do Lótus, uma das mais ambiciosas e controversas obras da literatura portuguesa contemporânea.
Embora menos do que dos dois livros que o antecedem, gostei consideravelmente d'O Reino do Meio. Sendo, dos três livros, o de menor carga teórica este terceiro volume foi, em consequência disso mesmo, o menos interessante para mim. Fiquei também um bocadinho desiludida com o final; vendo bem quem é que gosta de seguir um personagem ao longo de três livros e ver o seu futuro ser rematado desta forma: «teve o seu próprio destino e decerto um dia alguém o contará, alguém que não eu, entenda-se»? Acho que estes fantásticos personagens - e o leitor também - mereciam uma conclusão menos apressada.
Pormenores à parte, é de louvar a conclusão de um projeto tão ambicioso tendo em conta a complexidade das dinâmicas que aborda - o seu autor está definitivamente de parabéns!
Frases Preferidas
Opinião
★★★★✩
As personagens de José Rodrigues dos Santos não conversam, discursam.
Em cada trabalho, José Rodrigues dos Santos aprofunda muito pormenorizadamente um tema central e é por esse motivo que eu começo por dizer, à laia de aviso, que se não temos interesse no tema principal de um dos seus livros, como já me aconteceu no passado, mais vale deixar que nos passe ao lado. As longas exposições teóricas já fazem parte do estilo do escritor.
Posto isto, uma vez que o conteúdo documentado nesta trilogia me interessa sobremaneira, posso dizer que gostei muito tanto de Flores de Lótus como deste O Pavilhão Púrpura. Livros que, já agora informo, devem mesmo ser lidos pela ordem de publicação.
Neste segundo volume encontramos o capitalismo e, consequentemente, a democracia manchados pela Grande Quebra de Wall Street. Em Portugal, as medidas de Salazar impediram que a tragédia se fizesse sentir em maior extensão, mas o grande rigor orçamental deste ministro das finanças que ansiava chefiar o governo abre espaço para algum descontentamento, nomeadamente entre os militares.
Na união soviética, disposto a tudo para ultrapassar os países capitalistas e mostrar a superioridade do comunismo, Estaline avança com a sua 'fantasia teórica', cometendo enormes atrocidades contra o povo, obrigando-os a uma vida de miséria e servidão pior que a que levavam anteriormente. 'O comunismo viera para os libertar, mas estava a escravizá-los' - p. 91
O Japão começa a afastar-se das ideias tradicionais do xintoísmo e do confucianismo. A grande quebra nas exportações nacionais virou-os contra o capitalismo e a democracia ocidentais; encontraram salvação durante a terrível depressão económica na Manchúria, mas o nacionalismo chinês ameaça os interesses japoneses. Em vários pontos do mundo ouve-se falar sobre higiene racial - a eugenia... E da Alemanha começam a chegar notícias de um tal senhor Hitler.
É no meio destes acontecimentos e importantes nomes da História que se encontram as personagens que começámos a acompanhar no livro anterior. Com existências muito diferentes e experimentando o início do século de forma distinta, Fukui, Artur, Lian-hua e Nadija têm as suas próprias lutas para travar e problemas para ultrapassar. Artur tem especial interesse por nos aproximar de Salazar, das suas ideologias, opiniões, estratégias e manipulações.
'(...) o Artur, o Fukui, a Lian-hua e a Nadija, pessoas ordinárias que se viram em situações extraordinárias e que, pela forma como as souberam superar, se tornaram elas próprias extraordinárias.' - p. 695
Inicialmente, o ritmo consideravelmente lento da narrativa manteve-me ligeiramente desiludida, mas o escritor acabou por aumentar a passada, a acção e, desta forma, também o meu interesse. Claro que há sempre espaço para melhoria, a mim parece-me que José Rodrigues dos Santos tem especial dificuldade em colocar-se na pele das suas personagens, o que resulta no género de falta de emoção que não gostamos de encontrar num romance. Além disso, já o disse antes mas repito, aborrece-me a insistência do autor em querer enfiar o máximo de informação nos diálogos, fazendo assim com que as conversas me soem falsas e pouco realistas.
Ignorando isso - estou a gostar muito desta viagem pelo conturbado século XX que me permitiu aprender sobre as tradições e filosofias do mundo oriental e assistir ao prólogo das diversas circunstâncias que viriam a mudar o mundo!

Frases Preferidas
'Uma das razões pelas quais o parlamentarismo lançou o país no caos foi justamente a política de cunhas e trocas de favores e tráfico de influências que se instalou de forma endémica, com a colocação de pessoas não qualificadas em funções de responsabilidade. (...) Povoado de incompetentes bem-falantes em lugares de chefia, o país começou a definhar' - p. 374-375
'O poder só pode agradar aos tolos ou aos predestinados.' - p. 375
'Com os obstáculos que o destino nos ergue pelo caminho seremos capazes de nos tornar pessoas melhores, de aprender que a vida deve ser vivida como se cada minuto fosse o último, como se cada instante encerrasse um tesouro? Ou tornar-nos-emos seres amargos e atormentados que encaram o privilégio da existência como um fardo que se arrasta penosamente? O que é a vida senão um exame?' - p. 694
'O conhecimento, a cultura, não servem para mobilar um espírito mas para formá-lo.' - p. 544
O Reino do Meio
Trilogia do Lótus 3
Género: Romance
Páginas: 704
Opinião
★★★✩✩
O Reino do Meio encerra a Trilogia do Lótus; uma trilogia que segui com muito interesse não apenas as histórias dos personagens mas também esta reflexão de José Rodrigues dos Santos sobre os autoritarismos e totalitarismos que se instalaram, não sem contexto nem ao acaso, na primeira metade do século XX. Embora menos do que dos dois livros que o antecedem, gostei consideravelmente d'O Reino do Meio. Sendo, dos três livros, o de menor carga teórica este terceiro volume foi, em consequência disso mesmo, o menos interessante para mim. Fiquei também um bocadinho desiludida com o final; vendo bem quem é que gosta de seguir um personagem ao longo de três livros e ver o seu futuro ser rematado desta forma: «teve o seu próprio destino e decerto um dia alguém o contará, alguém que não eu, entenda-se»? Acho que estes fantásticos personagens - e o leitor também - mereciam uma conclusão menos apressada.
Pormenores à parte, é de louvar a conclusão de um projeto tão ambicioso tendo em conta a complexidade das dinâmicas que aborda - o seu autor está definitivamente de parabéns!
Frases Preferidas
«Que estranho fenómeno era aquele que dava aos homens tanto ânimo para enfrentarem o perigo e tanto medo de encararem uma mulher? Porque se dispunham a correr para as balas assassinas e a fugir das lágrimas femininas? O que haveria no campo de batalha dos sentimentos que tanto os assustava? A intimidade? A fraqueza? A exposição da sua fragilidade?» - 100
«uma conversa em que uma das pessoas fala sem cessar e a outra finge que ouve enquanto deambula na solidão dos seus pensamentos» - 103
«As palavras bonitas fazem parte da relação correta entre as pessoas e cultivam os bons sentimentos. Porquê evitá-las?» - 176
«(…) os socialismos nacionalistas russo, italiano e alemão são respostas à fraqueza, às derrotas e à humilhação da Rússia, da Itália e da Alemanha durante a guerra e diante das potências capitalistas ocidentais» - 225
«As ideias nazistas não apareceram de repente, vindas do nada. Têm um contexto e são a concretização política de um conjunto de conceitos que vêm do século XV, que foram alimentados por grandes vultos intelectuais (…)» - 446
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