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1 Amor e Amizade | Opinião


Wook.pt - Amor e AmizadeQue obra deliciosa esta - Jane Austen fala da vida e amores de jovens em pequenos romances epistolares e contos brilhantes escritos em forma de carta, até hoje esquecidos. Inspirou-se em Ligações Perigosas na sua Lady Susan, vítima de um maldoso escândalo. Enquanto um enredo dá lugar a outro, as heroínas trocam opiniões sobre adultério, fugas, divórcio e segundos casamentos. E o que mudou nestes duzentos anos? São as mesmas raparigas que hoje conhecemos queixando-se, acusando, perdoando, rindo, chorando, desmaiando, gritando encantadas ou ofendidas, quem sabe? Agora seduzem para logo rejeitarem, umas vezes bondosas, outras cruéis, intrusivas mas obtusas, desesperadamente barulhentas e, em geral, capazes de encantar e espantar quase ao mesmo tempo. Hoje em dia usam os telemóveis para melhor viverem as suas emoções; há dois séculos tinham de se contentar em escrever cartas e que cartas...


Autor: Jane Austen
Editor: Planeta Editora 
Género: Romance
Páginas: 287
Original: Love and Freindship (1793) 




opinião
★★★☆☆

«onde aprendeste tamanho despropósito e palavreado? Suspeito que tenhas andado a ler romances!»

Quando penso que Jane Austen escreveu este livro com apenas 15 anos e pondero na audácia e inteligência envolvidas em tal feito, na sua capacidade de ver mais além, de ultrapassar convenções e conveniências sociais, expondo-as ao ridículo, parece-me que não merece menos de cinco estrelas. No entanto, olhando para o livro objectivamente, pelo trabalho literário que é, não me parece justo passar das três estrelas.

Amor e Amizade é uma sátira que realça a hipocrisia da adolescência e toda a (complexa) manipulação envolvida. Diverti-me com a narrativa, estou satisfeita por ter mais um livro de Jane Austen terminado, mas não é um livro que recomende livremente.






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0 Sensibilidade e Bom Senso + Opinião

Sensibilidade e Bom Senso


"Sensibilidade e Bom Senso", o primeiro livro de Jane Austin, publicado em 1811, conta a alegre e satírica história de duas irmãs. A instintiva e apaixonada Marianne e a sensata e mundana Elinor.
Embora o coração impaciente de Marianne a deixe vulnerável aos males de amor, as qualidades opostas de Elinor também não a protegem dos problemas emocionais.
"Sensibilidade e Bom Senso" - um retrato psicológico e social da pequena-burguesia do século XVIII.

Autor: Jane Austen
Editor: Europa-América (1996)
Género: Romance (clássico)
Páginas: 292
Original: Sense and Sensibility (1811)


Opinião
My rating: 5 of 5 stars

Sensibilidade e Bom Senso pode não ser considerado um dos romances mais brilhantes de Jane Austen mas a interessante dicotomia entre estas duas formas de estar na vida - sensata ou emotiva - acabou por o tornar um dos meus favoritos!

Além da forte crítica ao mundo social em que a própria se inseria, lotado de indivíduos interesseiros e ambiciosos, rigorosos na aplicação das boas maneiras, Austen desenvolve ao pormenor duas índoles opostas bem como as consequências acarretadas pelas reações que estas impulsionam. Depois de Mr. Henry Dashwood deixar a herança ao filho do primeiro casamento as três filhas da segunda união sofrem um considerável empobrecimento do seu nível de vida já que o irmão, Jon Dashwood, não nutria sentimentos fortes por estas parentes e, apesar de ter prometido ao pai que faria tudo o que pudesse para as deixar confortáveis na vida, a sua ganância pessoal acaba por se sobrepor ao prometimento.
'It was very well known that no affection was ever supposed to exist between the children of any man by different marriages'

Elinor Dashwood, a irmã mais velha, é uma jovem inteligente, dada a julgamentos previdentes e ajuizados ('common sense, common care, common prudence, were all sunk in Mrs Dashwood's romantic delicacy.') enquanto que Marianne, a irmã do meio, é demasiado sensível para o seu próprio bem, muito pouco prudente e frenética na sua expectativa de felicidade. Elinor aproxima-se do irmão da cunhada, Edward Ferrars, mas opta sensatamente por se afastar ao perceber que a mãe dele deseja para o filho uma esposa muito rica ou de elevado estatuto social, quando ela não é uma coisa nem outra. Já Marianne, ignora completamente o amor do modesto coronel Brandon - um homem honesto e dedicado, 'whom everybody speaks well of and nobody cares about', em prol do vivaço Willoughby, um jovem bonito e gracioso 'exactly formed to engage Marianne's heart', cheio de si próprio e sem vergonha de o expor. Mas se o casamento de Elinor com Edward não é possível, principalmente após Elinor descobrir que Edward está secretamente comprometido com Lucy, há também qualquer coisa muito estranha entre a falta de comprometimento de Willoughby para com Marianne…!

Jane Austen fez um excelente trabalho em confundir-nos sobre o que é mais desejável num caráter - o bom senso ou a sensibilidade. Começamos por associar estas individualidades apenas às duas irmãs mas depressa as começamos a atribuir a cada uma das outras personagens. Como Elinor avalia muito bem as suas respostas e Marianne responde a tudo e a todos de forma excessiva somos induzidos a achar o carácter de Elinor preferível, mas se olharmos com atenção, começamos a pensar que um comprometimento entre os dois seria o ideal:
- a forma como Elinor e Marianne se comportam influencia a resposta de quem as rodeia. Assim, a dor de Marianne atinge grande importância para os outros ao passo que Elinor sofre sozinha e, mesmo que a sua dor seja conhecida, é ignorada. Elinor tem ainda que cumprir as suas obrigações sociais, fazendo sala, enquanto Marianne tem o luxo de se poder refugiar na solidão, sem se importar em manter as aparências.
- há um enorme contraste moral entre o egoísmo de Marianne, ainda que este nem sempre seja racional, e o altruísmo de Elinor.
- Elinor esforça-se por compreender e aceitar todos à sua volta enquanto que Marianne legitima apenas quem se comporta ou pensa da mesma forma que ela. No entanto, a intolerância de Marianne não a obriga a lidar com quem lhe desagrada como acontece com a irmã, especialmente em relação a Lucy com quem Elinor, apesar de ter razão, se comporta de forma cínica, fria, manipuladora e calculista. Foi por isso mesmo que a terrível Lucy optou por partilhar o seu segredo com Elinor; conhecendo a 'rival' sabia que a indiscrição não iria conferir vantagem a Elinor mas acabaria por a comprometer e resumir ao silêncio…Até quando chega a hora de perdoar Willoughby, Elinor é muito mais compreensiva do que Marianne.
- Marianne esperneia para ser ouvida enquanto Elinor colhe as eventualidades em silêncio, mesmo que isso comprometa a sua felicidade.

Com os personagens masculinos centrais também sofremos a ponderação entre ser radicalmente assertivo ou de comportamento mais modesto. A moral de Willoughby podia estar corrompida ('the world had made him extravagant and vain; extravagance and vanity had made him cold-hearted and selfish.') e o calibre dos seus sentimentos podia ser dúbio como o próprio questiona - '(…) had I really loved, could I sacrificed my feelings to vanity, to avarice?' - mas colocava paixão em tudo o que fazia, ao passo que tanto Brandon como Edward viviam conformados numa existência desmaiada.

Enfim! Gostei muito deste livro, obrigou-me a estar atenta aos comportamentos diretos e indiretos dos personagens, a colocá-los em perspetiva e a observar que tipo de reação levava ao sucesso ou ao fracasso. A escrita é absolutamente encantadora - perspicaz mas poética, com uma beleza funcional que não se destina apenas a encantar o leitor…embora, claro, acabe por fazê-lo!


Frases Preferidas...
'To wish was to hope, and to hope was to expect.' 
'Seven years would be insufficient to make some people acquainted with each other, and seven days are more than enough for others.' 
'And Books! (…) she would buy them all over and over again; she would buy up every copy, I believe, to prevent their falling into unworthy hands' 
'Know your own happiness. You want nothing but patience - or give it a more fascinating name, call it hope.' 
'(…) for when people are determined on a mode of conduct which they know to be wrong, they feel injured by the expectation of anything better from them.' 
'I know we shall be happy. I know the summer will pass happily away.' 
'(…) for though a very few hours spent in the hard labour of incessant talking will dispatch more subjects than can really be in common between any two rational creatures, yet with lovers it is different. Between them no subject is finished, no communication is even made, till it has been made at least twenty times over.'
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1 A Abadia de Northanger + Opinião

A Abadia de NorthangerDurante uma temporada em Bath, a jovem e ingénua Catherine Morland conhece pela primeira vez a sociedade mundana. Fica deliciada com os seus novos conhecimentos: a sedutora Isabella, que apresenta a Catherine os prazeres dos romances góticos, e os sofisticados Henry e Eleanor Tilney, que a convidam a visitar a casa do seu pai, a Abadia de Northanger. 
Ali, influenciada pelos romances de terror e mistério, Catherine começa a imaginar terríveis crimes cometidos pelo General Tilney, arriscando a perda da afeição de Henry. E terá então de aprender a diferença entre ficção e realidade, amigos verdadeiros e falsos. Com amplo sentido de humor e a sua irreprimível heroína, A Abadia de Northanger é o mais juvenil e o mais optimista dos trabalhos de Jane Austen.


Autor: Jane Austen
Editor: Europa-América (2004)
Género: Romance (clássico)
Páginas: 278
Original: Northanger Abby (1817)

Opinião:


Quanto mais leio Austen, mais lhe admiro o estilo e a perspicácia. «A Abadia de Northanger» é já o meu 4º livro da autora e a cada um que adiciono à minha colecção, só me fica esta dúvida: porque é que me mantive tanto tempo afastada destes livros?!

«A Abadia de Northanger» foi, dos livros de Austen, o que li com maior agilidade, devido à facilidade com que consegui acompanhar a história e identificar as personagens na trama. Catherine é uma jovem inocente, obcecada por romances góticos, sem real percepção do carácter alheio, deixando-se iludir por falinhas mansas e bajulação. Na sua introdução à sociedade, em Bath, Catherine irá perceber que um sexto sentido em relação à verdadeira índole das pessoas que a rodeiam pode vir a dar muito jeito…

Do seu novo círculo de amigos fazem parte os irmãos Isabella e John Thorpe. A forma como Austen cria uma dualidade entre o que escreve directamente sobre estes personagens e aquilo que nos leva indirectamente a assimilar é fenomenal e é também um dos meus ingredientes preferidos neste livro. John é um gabarolas ignorante e preconceituoso que adora emitir opiniões cáusticas sobre tudo e todos e Isabella é uma oportunista fútil…
A meio do livro mudamos de cenário e acompanhamos Catherine até à Abadia de Northanger onde a sua obsessão por romances góticos vai despertar o seu lado mais imaginativo… A generosa Catherine terá que aprender à sua custa como um encanto superficial pode esconder algo bem perverso.

O jogo de cintura que Catherine é obrigada a executar para conseguir livrar-se das (muito indesejadas) atenções de John, acumulando contratempo atrás de contratempo que a impedem de estar com quem realmente gosta - Henry - enervou-me para além da conta!

«If I could not be persuaded into doing what I thought wrong, I never will be tricked into it»

Adorei o tom íntimo e informal com que Austen nos conta a história de Catherine e como se mantém bem presente na narrativa. Simpatizei muito facilmente com Henry e com o romance entre ele e Catherine, especialmente porque o sentimento parece nascer da pura diversão e bem-estar que sentem na presença um do outro, um romance alheio à riqueza e à beleza - algo raro na época.

«(…) man has the advantage of choice, woman only the power of refusal»

O final do capítulo 5, quando a autora explora a opinião corrente sobre os romances e sobre os seus leitores é muito interessante - sem se querer comprometer directamente ou estender no assunto, Austen faz uma brilhante defesa do seu género literário.

«The person, be it gentleman or lady, who has not pleasure in a good novel, must be intolerably stupid.»

As personagens de «A Abadia de Northanger» podem ser menos profundas que as dos outros livros da autora e o romantismo parece ter sido ligeiramente sacrificado em prole de um sentido de diversão mais directo, mas eu gostei muito desta leitura!

«I leave it to be settled by whomsoever it may concern, whether the tendency of this work be altogether to recommend parental tyranny, or reward disobedience.»
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2 Persuasão + Opinião

Persuasão É em «Persuasão», o último romance acabado de Jane Austen, que encontramos a sua heroína mais notável - Anne Elliot. Sobre ela escreveu, um dia, a autora: "ela é quase demasiadamente boa para mim." No entanto, naquela que é a sua obra mais amadurecida, que descreve uma órbita de afastamento nítida em relação ao tom predominantemente satírico dos seus anteriores romances, Austen trata o carácter e os afectos da protagonista de uma forma que, sem perder totalmente de vista a ironia é, sem sombra de dúvida, muito mais terna, e anuncia já uma percepção mais aberta e dinâmica da personalidade e comportamentos humanos. Uma história de amor, desenvolvida com profundidade e subtileza, proporciona o campo ideal para um estudo refletido, que sustenta na sua linha de horizonte o complexo relacionamento entre os dois sexos, e no qual homem e mulher surjem como seres moralmente análogos.


Autor: Jane Austen
Editor: Editorial Presença (2007)
Género: Romance (clássico)
Páginas: 256
Original: Persuasion (1817)


Opinião

Sete anos depois de ter sido persuadida pela família a declinar o sincero pedido de casamento do capitão Wentworth, devido à falta de título e fortuna por parte do mesmo, Anne Elliot descobre que o tempo falhou em torná-la indiferente ao seu primeiro amor… Lamentavelmente este reencontro deve-se ao desejo de Wentworth encontrar finalmente uma noiva - uma rapariga respeitável e inteligente, outra que não Anne!

Persuasão espelha magnificamente todo o talento de Austen. Mais uma vez, encontramos uma crítica subtil à inactividade dos lordes, às vidas pacíficas que escolhiam viver. O fútil, vaidoso e inútil Sir Walter Elliot contrasta garridamente com a iniciativa de Wentworth que subiu na carreira de oficial da marinha até conquistar a sua própria fortuna. Apesar dos indiscutíveis méritos, Austen repercute a pobre e injusta opinião nacional da altura sobre a marinha através de algumas das suas personagens, tal como fez em O Parque de Mansfield.

Podemos encontrar em Persuasão temas abordados em outros livros da autora e podemos também identificar nas personagens facetas que já havíamos observado em personagens de outros livros de sua autoria: a importância da hierarquia social e a distinção entre classes volta a tomar um dos papéis centrais; a protagonista, Anne, é a típica heroína de Austen, inteligente, simples, sensível, humilde, honesta e caridosa; o verdadeiro carácter (o falta do mesmo) de algumas das personagens é revelado praticamente no final; a ridicularização da futilidade é realizada através de personagens colaterais.

Na base do livro encontramos uma linda história de amor; um amor perdido mas reencontrado - o adiamento forçado da sua manifestação em pleno. Quando voltam a encontrar-se, Wenworth e Anne amam-se à distância com a mesma intensidade de antes, enquanto se ignoram, desdenham e cobiçam mutuamente em segredo. Austen traz-nos tudo isto numa época em que o amor não era uma prioridade no casamento...cimentando a sua importância ao rodear o magnífico casal protagonista de casamentos falhados, uniões por conveniência entre indivíduos incompatíveis.

Contudo, apesar de ter gostado imenso de Persuasão, gostei ainda mais de O Parque de Mansfield, julgo que pela componente cómica que não está tão patente em Persuasão, onde a idade dos protagonistas exige também um tom mais sério, que nos confira a sensação da fatalidade que seria para uma mulher já não ter idade para casar.

Em compensação, os momentos de introspeção de Anne são muito ricos; através de debates entre as suas personagens, Austen aborda temas interessantíssimos como a posição da mulher (Anne vs Harville) e a poesia (Anne vs Benwick). Também as mudanças que decorriam na sociedade em mudança e as diferentes facções de pensamentos que se iam criando foram muito bem caracterizadas pela autora.
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0 O Parque de Mansfield + Opinião

«Quem já leu Sensibilidade e Bom Senso,Orgulho e Preconceito,Persuasão e Ema sabe que o adultério não é um tema habitual dos romances de Jane Austen. Mas , quando tal acto assola a relativa calma do parque de Mansfield, os resultados são verdadeiramente inesperados.
Fanny Price, a heroína tímida e insegura, tem de lutar e enfrentar as consequências dos seus actos, reexaminando os seus próprios sentimentos enquanto goza a sua feliz amoralidade, a indiferença de uns e o dedo acusador de outros.»

Autor: Jane Austen
Editor: Europa-América (2003)
Género: Romance Clássico
Páginas: 466
Original: Mansfield Park (1814)



Opinião...
Uma primeira espreitadela a «Mansfield Park», de Jane Austen, pode encaminhar-nos no caminho da desilusão. Um enredo desenvolvido de forma muito (!) lenta, fútil e trivial na sua aparência superficial, pouco estimulante e cuja protagonista é uma jovem completamente dependente. Não há no seu carácter um pingo de rebeldia ou ousadia. Justa, modesta, humilde, altruísta, respeitadora - Fanny é moralmente perfeita. O desapontamento seria o destino inevitável, não fosse a inteligente astúcia de Austen.

Se comecei o livro a revirar os olhos a tudo o que Fanny dizia, terminei-o a pertencer ao seu clube de fãs. Esta jovem, de origem pobre, é aceite em casa dos tios, sendo encarada como a sua benevolente obra de caridade. Fanny vive infeliz entre os tios e os primos, com medo e vergonha. Os seus motivos são mal interpretados, os seus sentimentos são ignorados e as suas capacidades menosprezadas. Passa os dias na periferia, a observar os outros, esquecida e solitária por imposição. Esta condição injusta foi o que me levou a simpatizar primeiro com Fanny, principalmente porque Austen não descreveu os seus sentimentos face às sucessivas desilusões que vive; a autora permitiu-nos sentir por ela, o que nos aproxima ainda mais à personagem.
Depois, o carinho por Fanny enraizou-se em mim porque, apesar de ser aparentemente passiva e fraca, Fanny é muito forte nas suas convicções e até bastante corajosa na manutenção e defesa das mesmas. É a única que não se deixa corromper pela influência de comportamentos e opiniões alheias. A rapariga ignorante que era esperada em Mansfield, com opiniões fracas e modos vulgares, acaba por agir de forma mais inteligente, sábia e íntegra. A sua percepção é mais vasta que a dos restantes, a sua intuição mais profunda.

E, claro, temos a linguagem impecavelmente refinada da autora. A igual graciosidade que utiliza tanto em momentos românticos como em áspera ironia ou humor. A forma singular com que se serve de um vocabulário extremamente rico e o dispõe de forma harmoniosa e conveniente.

O final, ainda que apressado, agradou-me imenso: primeiro, porque a certa altura já não esperava este desenvolvimento e depois porque me pareceu mais do que justo.

Acabei até a gostar mais de «Mansfield Park» do que de «Orgulho e Preconceito», porque me parece mais completo e robusto e talvez porque, por ser menos conhecido e mediático, me tenha permitido uma visão mais independente e pessoal…é mais «meu»…!
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«O Parque de Mansfield» foi adaptado ao cinema em 1999 com Frances O'Connor, do filme Inteligência Artificial, a desempenhar o papel de Fanny e Jonny Lee Miller, do filme Sombras da Escuridão, no papel de Emund Bertram. O livro foi também adaptado à televisão em duas séries, em 1983 (BBC) e mais recentemente em 2007. 







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0 Orgulho e Preconceito - Opinião

Orgulho e Preconceito

My rating: 4 of 5 stars

Jane Austen não podia ter sido mais perspicaz na criação de uma narrativa que evidencia tão inteligentemente , e num falso tom ligeiro e bastante cómico, o cinismo e a hipocrisia da sociedade inglesa do século XIX.

Orgulho e Preconceito tem início com a chegada de Mr. Bingley à localidade. Este homem tão encantadoramente afável, de modos cavalheirescos e bem-parecido (e, claro, rico!) provoca um furor imenso entre as mães casamenteiras e as filhas casadoiras, que a nós muito nos diverte!

Na verdade, Mr. Bingley não chega à sua nova morada sozinho; vem acompanhado das irmãs e do amigo, Mr. Darcy. Este tal de Darcy há-de ser a criatura mais snobzinha que alguma vez colocou pé nas redondezas: arrogante, antipático, orgulhoso, desagradável, altivo e pretencioso, Mr. Darcy é o completo oposto do seu tão atencioso amigo, Mr. Bingley.

Mas tudo isto são elações de primeiro impacto…e a autora acaba por nos mostrar, em diversos sentidos, o quão enganados podemos ser pelas aparências.

Jane Austen constrói e familiariza-nos com as suas personagens principalmente através do diálogo, tornando-as genuínas e realistas aos nossos olhos. Isto torna a narrativa, por vezes, pobre em acção mas pejada de diálogos magníficos que tornam o livro caloroso e acolhedor, permitindo-nos observar a aplicação prática das diversas personalidades em contexto.

Esta obra marca bem a dependência da mulher relativamente ao matrimónio e como vidas inteiras parecem girar em torno de tal acontecimento, seja ele próprio ou alheio. A futilidade e o preconceito da época são ridicularizados, sendo muitas vezes colocados em evidência pelas próprias personagens que reúnem estas pobres características. Verificamos isso especialmente com Mr. Collins e Mrs. Bennet, ambos tacanhos, tolos, presunçosos e interesseiros, mesquinhos nos seus disparates.

Os diálogos estão marcados por observações mordazes e inteligentes que aprofundam o livro em teor. Quanto às descrições de cenário e guarda-roupa, para uma curiosa como eu, estas poderiam ser mais pormenorizadas, o que certamente acabaria por enriquecer ainda mais o interesse histórico da obra. Além disso, o livro fecha-se bastante em redor deste núcleo de personagens e acaba por falhar em nos fornecer um quadro geral da época. Nada disto é «defeito», já que o livro foi escrito no mesmo período histórico sobre o qual se debruça, não existindo talvez grande interesse na altura em estar em descrever o que era óbvio para todos.

Algumas cenas são um bocadinho insípidas e com pouca substância; e gostaria de ter assistido a maior arrebatamento passional por parte de Jane e Elizabeth, mas esta é com certeza uma leitura muito agradável e fluída, branda. Dificilmente encontraremos esta riqueza de escrita tão adornada e distinta em autores contemporâneos.

Além disso, não podemos alegar que Jane Austen não nos deu variedade ao rematar três enlaces tão distintos: um arrebatador amor à primeira vista; um amor que cresce em lume brando à medida que os intervenientes se vão conhecendo melhor; e uma relação estouvada e leviana, sem qualquer base de afecto.

Frases Preferidas:
«Poucas pessoas existem de quem realmente goste e ainda menos são as que me merecem conceito favorável.»
«(...) mesmo sem nos animar o propósito de proceder mal ou de prejudicar os outros, podemos praticar erros e provocar tristezas. Falta de reflexão, falta de atenção pelos sentimentos dos outros e falta de decisão são com frequência os responsáveis.»

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0 Jane Austen

Jane Austen (1775 - 1817), uma das escritoras mais lidas, foi uma romancista inglesa que optava por reproduzir no seu trabalho bastante realismo e mordazes comentários à sociedade, o que lhe confere uma imensa importância histórica. 

A educação de Austen esteve a cargo do seu pai e dos seus irmãos, sendo depois acrescentado o conhecimento que obtinha através dos livros. Até aos 35 anos, Jane Austen experimentou diversos estilos literários até que, entre 1811 e 1816, com a publicação de Sensibilidade e Bom Senso (1811), Orgulho e Preconceito (1813), O Parque de Mansfield (1814) e Emma (1816), alcançou o sucesso como escritora. 

Os seus trabalhos criticam os romances da segunda metade do século XVIII e fazem parte da transição para o realismo do século XIX. Apesar da comicidade dos seus enredos, estes salientam a dependência da mulher face ao casamento, sendo este o tema de domínio nos seus livros. O seu local de nascimento, Hampshire, no seio de uma família pertencente à burguesia agrária, serve de contexto para todas as suas obras. 

A inocência dos trabalhos de Austen é apenas aparente e as suas interpretações bastante proliferas. 

Postumamente foram também publicados outros dois romances: A Abadia de Northanger e Persuasão. Na verdade, no seu tempo, foi pouca a notoriedade de Jane Austen, esta viria a ser adquirida aquando da publicação de A Memoir of Jane Austen, em 1986, pelo seu sobrinho. A verdadeira proliferação do seu trabalho verificou-se ainda mais tarde, na segunda metade do século XX.

Livros de Jane Austen:

 Orgulho e Preconceito 
 Persuasão 
 Emma;



Orgulho e PreconceitoPersuasão A Abadia de NorthangerSensibilidade e Bom SensoEmmaAmor e AmizadeO Parque de Mansfield

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