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0 Um Sopro de Neve e Cinzas - Outlander n.º 6 | Opinião

Wook.pt - Outlander N.º 6 - Vol. IEstamos em 1772, na véspera da Revolução Americana, quando o longo rastilho da rebelião já foi aceso. O governador Josiah Martin chama Jamie Fraser para unir o interior da Carolina do Norte e garantir a colónia em nome do Rei e da Coroa. Mas existe um problema: a mulher de Jamie, Claire, viaja no tempo, entre épocas, bem como a filha e o genro. E Jamie sabe que o tiro que será disparado dali a três anos será ouvido em todo o mundo e o resultado será a independência - e que aqueles que são leais ao rei serão mortos ou votados ao exílio.

E existe igualmente um pequeno recorte de uma notícia da Wilmington Gazette, datado de 1776, que anuncia a destruição da sua casa, em Fraser’s Ridge, e a morte de Jamie e da sua família num incêndio. Por uma vez, Jamie espera que a sua família viajante no tempo esteja enganada em relação ao futuro - mas só o tempo o dirá.

Autor: Diana Gabaldon
Editor: Casa das Letras (Julho, 2018)
Género: Romance
Páginas: 712
 

opinião
★★★★☆

Pouca coisa de relevante acontece realmente em Um Sopro de Neve e Cinzas, mas a maneira como Diana Gabaldon nos consegue envolver no quotidiano destas personagens e nos mantém entretidos durante mais de 700 páginas continua a ser um mistério para mim!

Gostei muito de acompanhar, mais uma vez, Claire, Brianna, Roger e Jamie. Adoro observar como se adaptam ao século XVIII, lidando com contrariedades e limitações que nem nos passam pela cabeça nos nossos tempos. Gosto especialmente de ver como Claire resolve as suas (mais que muitas) emergências médicas adaptando o seu conhecimento moderno aos utensílios e fármacos disponíveis na época. Tudo isto enquanto, em pano de fundo, se desenrolam os acontecimentos que levariam à Revolução Americana.

Mas por muito que tenha gostado deste livro – e este em especial, mais do que os que o precedem - não acredito que desperte tamanho interesse em quem não tem acompanhado Claire até aqui. No entanto, recomendo vivamente que comecem a série!... Eu cá já tenho o próximo na estante!


✏ Série Outlander:
6 - Um Sopro de Neve e Cinzas;
7 - An Echo in the Bone;
8 - Written in My Own Heart's Blood;
9 - Go Tell the Bees that I am Gone



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0 A Cruz de Fogo | Opinião


Wook.pt - Outlander N.º 51771. Na Carolina do Norte vive-se um frágil equilíbrio entre os legalistas e os reguladores. E, en­tre as partes prestes a entrar em conflito, está Jamie Fraser, um homem de honra, exilado da sua amada Escócia.

A sua mulher, Claire Randall, a intrépida viajante no tempo que conheceu nas Terras Altas da Escócia, em 1743, em pleno conflito entre ingleses e escoce­ses, avisa-o de que a guerra está eminente. Apesar de não querer, terá de acreditar nela, pois Jamie está ciente de que não pode ignorar o conhecimento que só uma viajante do tempo poderia ter. A visão única de Claire sobre o futuro é uma tocha cintilante que a poderá guiar pelos perigosos anos que se avizinham ou atear um fogo que reduzirá a sua vida e a dos seus a cinzas...


Autor: Diana Gabaldon
Editor: Casa das Letras (Julho, 2017)
Género: Romance > Literatura Fantástica
Páginas: 1328
Original: The Fiery Cross (2001) 

opinião
★★★☆☆


Gostei da oportunidade de rever Jamie, Claire e respetivos familiares/amigos. Como nos livros anteriores, Gabaldon enche o livro de cativantes pormenores históricos e é sempre interessante ver como Claire se consegue desenvencilhar, aplicando os seus conhecimentos técnicos e médicos às condições que consegue reunir no século XVIII...Mas, se nos livros anteriores viajámos livremente no tempo e no espaço, neste parece que não saímos do sítio (em mais do que um sentido)!

Por muito que tenha apreciado os livros que precedem A Cruz de Fogo e por muito que goste dos personagens que Gabaldon criou, não consigo deixar de questionar a pertinência, necessidade e até interesse deste livro. Substancialmente, pouco acontece (o que é especialmente frustrante tendo em conta o número de páginas que o livro tem)… e o que acontece não é particularmente interessante, tornando a leitura aborrecida e dececionante (já para não falar das frequentíssimas (e para lá de desnecessárias!) atualizações sobre o abastecimento de leite do peito de Brianna).


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✏ Série Outlander:
7 - An Echo in the Bone;
8 - Written in My Own Heart's Blood;
9 - Go Tell the Bees that I am Gone





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1 Os Tambores de Outono | Opinião

Wook.pt - Outlander N.º 4
Os Tambores de Outono tem início na Escócia, num ancestral círculo de pedras de Craig na Dun. Ali, uma porta abre-se para um grupo restrito, podendo levá-los para o passado - ou para a sepultura. Claire Randall sobreviveu à passagem, não uma mas duas vezes. A sua primeira viagem no tempo levou-a para os braços de Jamie Fraser, um bravo guerreiro escocês do século xviii que tinha por ela um amor que se tornou lenda - um conto trágico de paixão que teve o seu fim quando Claire voltou ao presente carregando no ventre uma filha dele. A sua segunda viagem, duas décadas depois, voltou a uni-los na América colonial. Mas Claire deixou alguém para trás no século xx… a sua filha Brianna. 

Agora Brianna faz uma perturbadora descoberta que volta a levá-la para o círculo de pedras e para um aterrador salto para o desconhecido. Na busca da mãe e do pai que nunca conheceu, arrisca o seu próprio futuro ao tentar mudar a história… para salvar as suas vidas. Mas quando Brianna mergulha no desconhecido, um encontro inesperado pode amarrá-la para sempre no passado… ou levá-la para o lugar onde deveria estar, onde pertence o seu coração…


Autor: Diana Gabaldon
Editor: Casa das Letras (Julho, 2016)
Género: Romance > Ficção Histórica > Literatura Fantástica
Páginas: 1032
Original: Drums of Autumn (1996)

opinião
★★★✩✩
Em comparação com os outros livros desta série, Os Tambores de Outono deixou-me desiludida:
- o ritmo não é igual ao que Diana Gabaldon nos habituou; o desenvolvimento relativamente lento do enredo torna algumas partes do livro enfadonhas, o que pode ser problemático num livro deste tamanho. A história arrasta-se sem que percebamos realmente o rumo da mesma, especialmente em relação a Jamie e Claire que, durante grande parte do livro, estão limitados a relatos do quotidiano e episódios aleatórios.
- o desenvolvimento das personagens é mínimo e o pouco que acontece não me pareceu sequer positivo. As personagens parecem até perdias delas próprias, com atitudes pouco inteligentes ou ponderadas, imaturas e algo superficiais. Isto é ainda mais exasperante se recordarmos que Jamie e Claire estão agora na meia idade e já viveram o suficiente para saber lidar com as coisas de outra forma. Além disso - e espero mesmo que isto venha a mudar - não simpatizei minimamente com Roger e passei grande parte dos capítulos em que se desenvolve o seu ponto de vista francamente desinteressada.

Mas o que me aborreceu mesmo e acho que esse factor me tornou mesquinha em relação a este livro, intolerante em relação aos seus outros 'problemas', é a reciclagem que Gabaldon faz das histórias, reutilizando os mesmos elementos para criar episódios semelhantes mas com outras personagens.

Posto isto, gosto muito desta série e tenho esperança que, com os interessantes desenvolvimentos históricos que se avizinham, o próximo livro seja bem melhor que este. Gosto muito da escrita de Gabaldon, nesta edição severamente magoada pela tradução, cheia de erros e péssimas construções de frases; gosto muito dos pormenores que a escritora vai incluindo ao longo dos livros, adoro todo o conceito do enredo e gostei de ter acesso a diferentes pontos de vista.
Os Tambores de Outono não é o meu preferido da série, só isso.


✏ Série Outlander:
7 - An Echo in the Bone;
8 - Written in My Own Heart's Blood;
9 - Go Tell the Bees that I am Gone



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24 A Viajante | Opinião

  «Estava morto. No entanto, o seu nariz palpitava dolorosamente, coisa que lhe era estranha, dadas as circunstâncias.» 
  Assim começa o terceiro livro da série OUTLANDER, em que ficamos a saber que, afinal, Jamie Fraser não morreu no campo de batalha de Culloden. De volta ao século XX, Claire fica em choque com a notícia de que Jamie está vivo, mas, muito mais que isso, fica radiante. 
  Ouvimos a história de Jamie, como ele mudou, tentando alcançar uma vida a partir dos pedaços da sua alma e do país que deixou para trás, e o breve relato de Claire sobre os 20 anos que passaram desde que o deixou em Culloden, enquanto Roger MacKenzie e Brianna, filhos de Claire e Jamie, se aproximam das pistas do passado, numa busca incessante por Jamie Fraser. Será que o podem encontrar? E se o conseguirem, Claire voltará para ele? E se ela o fizer… o que se sucederá? 
  Dos fantasmas de Samhain nas terras altas da Escócia para as ruas e bordéis de Edimburgo, do mar turbulento e das aventuras nas Índias Ocidentais, percorremos páginas de história repletas de revolta, assassínio, vodu, fetiches, sequestros, e um sem-número de inúmeras aventuras. Por detrás de todas elas, porém, jaz a questão de Jamie: «Quereis vós levar-me, Sassenach? E arriscar o homem que sou em prol do homem que era?»

Autor: Diana Gabaldon
Editor: Casa das Letras (Agosto, 2014)
Género: Fantástico
Páginas: 824
Original: Voyager (1993) [Goodreads]
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opinião
My rating: 4 of 5 stars

Claire e Jamie estão a 200 anos de distância um do outro.
Quando as tropas do duque de Cumberland atacam as Terras Altas em 1746, Claire regressa ao seu tempo através do círculo de pedras, grávida de dois meses e deixando Jamie no passado. Apesar do misterioso desaparecimento durante três anos, Frank recebe a esposa de volta e aceita Brianna como sua filha…e 20 anos acabam por se passar até Claire voltar a viajar no tempo.

A Viajante é mais um reflexo do excelente e exaustivo trabalho de Diana Gabaldon. Cheios de informação e factos históricos, estes livros transformam-se em aventuras fantásticas diante dos nossos olhos.

Apesar do tamanho intimidante, este livro não é, nem um bocadinho, repetitivo nem aborrecido. Os cenários estão constantemente a mudar, bem como as situações e os objectivos das personagens. Todos os pormenores acabam por se revelar importantes para o desenrolar e entendimento da história e depressa começamos a dispensar toda a nossa atenção à narrativa porque reconhecemos que se Gabaldon nos está a 'dizer' algo é porque provavelmente vai ser importante mais tarde. Quanto ao tamanho do livro, acho que as próprias palavras da autora, num diálogo entre Jamie e Grey, são elucidativas o suficiente:
«- (…) Afinal de contas, é difícil resumir as peripécias da vida em tão curto espaço com a esperança de que seja suficiente para construir um relato mais ou menos preciso.
- Sim, é verdade. No entanto, ouvi dizer que a perícia do romancista reside numa artística selecção dos detalhes. Não crê que um volume desse tamanho possa indicar uma falta de disciplina no que diz respeito a essa qualidade e, assim sendo, indique falta de perícia?
(…)
- Já li livros em que esse é o caso, admito. O autor tenta levar o leitor a acreditar com uma enxurrada de pormenores. Na obra em questão, não creio que se passe isso. Cada personagem é cuidadosamente trabalhada, todos os incidentes são cruciais para a história. Não, creio que algumas histórias precisam de mais espaço para serem contadas

Apesar de o âmbito histórico não ser tão vincado neste livro, A Viajante é mais exótico, com as suas personagens novas e intrigantes. Creio que no final, autora terá posto a imaginação a funcionar ao máximo e que se terá deixado dominar um bocadinho por esta… ainda assim: o livro é fantástico.

No centro de tudo continuam Jamie e Claire e todo o tipo de dificuldades que os parecem perseguir. Depois da relação de ambos ter crescido e solidificado, é óptimo vê-los reunidos mais uma vez... e estou desejosa que saber o que lhes reserva o próximo capítulo desta aventura!

O meu único problema com este livro é a recorrente e abrupta alternância entre a 1ª e a 3ª pessoa do singular; além de quebrar o ritmo a forma como foi executada esta rotatividade é desconcertante e exige ao leitor uma reprogramação mental constante.


✏ Série Outlander:
7 - An Echo in the Bone;
8 - Written in My Own Heart's Blood;
9 - Go Tell the Bees that I am Gone


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13 Outlander adaptado à televisão

Outlander estreia a 9 de Agosto!


Update: 25/Outubro
Depois de terem sido divulgados os actores que irão desempenhar os papeis principais na adaptação televisiva de Outlander, chegou a vez das restantes personagens:
   - Laura Donnelly (Pavor, 2009) será Jenny Fraser Murray;
   - Lotte Verbeek (Os Bórgias, 2011) será Geillis Duncan;
   - Annette Badland (Charlie e a Fábrica de Chocolate, 2005) será Mrs. Fitzgibbons;
   - Duncan Lacroix será Murtagh Fraser;
   - Gary Lewis (Eragon, 2006) será Colum MacKenzie;
   - Graham McTavish (O Hobbit: Uma Viagem Inesperada, 2012) será Dougal MacKenzie;


Update: 12/Setembro
Caitriona Balfe irá desempenhar o papel de Claire Randall! 

O produtor revelou que esta escolha foi complicada porque esta personagem é crucial para o sucesso da série - é sob o ponto de vista de Claire que a história é experienciada.

Apesar do nome Caitriona Balfe ser praticamente desconhecido do público, o produtor afirmou que assim que viram a gravação da audição de Caitriona souberam que ela era muito especial. 

Update: 9/Agosto
A autora da saga OutlanderDiana Gabaldon  anunciou o nome do actor que irá desempenhar o papel de Randall e do seu descendente Frank (séc. XX) na adaptação dos seus livros em série televisiva:  o londrino TOBIAS MENZIES.

Menzies participou em filmes como 007: Casino Royale (2006) e À Procura da Terra do Nunca (2004). Mais recentemente foi visto na série A Guerra dos Tronos, a adaptação das Crónicas de Gelo e Fogo de George R. R. Martin, a desempenhar o papel de Edmure Tully.

~*~*~*~
10/Julho
As filmagens da série Outlander, a adaptação dos romances épicos escritos por Diana Gabaldon, começam já este outono, na Escócia. O guião ficou à responsabilidade de Ronald D. Moore («Star Trek: Deep Space Nine», «Star Trek: The Next Generation») e a Starz e a Sony Pictures anunciaram ontem que o papel de Jamie Fraser será interpretado pelo escocês Sam Heughan.

A reacção da autora a esta notícia não podia ser melhor:
«Oh. My. God. That man is a Scot to the bone and Jamie Fraser to the heart.»

Por cá ainda estamos à espera do 3º livro da série («Voyager»), volvidos já dois anos desde o lançamento de «Outlander: Libélula Presa no Âmbar», pela Casa das Letras.

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0 Líbélula Presa No Âmbar (Outlander #2)


Wook.pt - Outlander N.º 2«Durante vinte anos Claire Randall manteve o seu segredo. Mas agora, de férias nas majestosas e misteriosas Highlands, Claire planeia revelar à sua filha uma verdade tão impressionante como os acontecimentos que lhe deram origem: o mistério de um antigo círculo de pedras, um amor que transcende os limites do tempo e a verdadeira identidade de James Fraser, um guerreiro escocês cuja valentia levou uma Claire ainda jovem da segurança do seu século de vida para os perigos de um outro tempo. Mas um legado de sangue e desejo vai testar Brianna, a sua bela filha. A fascinante viagem de Claire vai continuar em Paris, ao lado de Carlos Stuart, na corte intriguista de Luís XV. Jamie tem de ajudar o príncipe a formar alianças que o apoiem na reconquista do trono da Inglaterra. Claire, no entanto, sabe que a rebelião está fadada ao insucesso. A tentativa de devolver o Reino aos católicos resultará num banho de sangue que ficará conhecido como a Batalha de Culloden, e deixará os clãs escoceses em ruínas. No meio das intrigas da corte parisiense, Claire enfrenta novamente um velho rival, tenta impedir o morticínio cruel e salvar a vida do homem que ama.»


Género: Romance Histórico
Editora: Casa das Letras
Título Original: Dragonfly In Amber(1992)
N.º de Páginas: 1000




A Minha Opinião:


O início do segundo volume da Série Outlander é bastante confuso, deixando-nos na dúvida se se tratará realmente da sequela de Nas Asas do Tempo. À medida que a história vai avançando e o leitor começa a perceber que tudo o que conhecia se alterou e fica desmotivado…até que Claire começa a recordar o passado! 

Apesar de seguir num ritmo mais lento que o anterior, este livro é bastante fluído e ainda assim rápido, o que é um grande bónus já que o livro tem 1000 páginas…. A Libélula Presa No Âmbar é ainda mais rico em informação histórica com ótimas descrições da exuberância da Europa do século XVIII - intrigas políticas e dramas da corte. A riqueza dos detalhes torna o livro imensamente interessante, apaixonante e envolvente

Cheio de aventura, este volume divide-se em diversos momentos cómicos e dramáticos, acompanhando o amadurecimento do lindo romance entre Claire e Jamie que permanecem amantes apaixonados e grandes amigos. A intimidade e cumplicidade entre estas duas personagens torna-as memoráveis, com Jamie a destacar-se neste segundo livro da série como um guerreiro feroz mas eterno amante gentil. 

A brutalidade e descrições violentas continua presente, mas não creio que prejudique a obra, pelo contrário. Infelizmente, desta vez não temos apenas o ponto de vista de Claire, temos também o de Jamie e ainda, no início e final do livro, narrativa na terceira pessoa o que pode tornar-se confuso por vezes. Além disso não entendo o ponto de vista da protagonista quando se mostra disposta a alterar o rumo de toda a história da humanidade mas se recusa a matar o vilão, com receio que o seu marido no presente não venha a nascer…   

Embora termine de forma inquietante…este segundo volume superou as minhas expectativas!


✏ Série Outlander:
7 - An Echo in the Bone;
8 - Written in My Own Heart's Blood;
9 - Go Tell the Bees that I am Gone

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2 Nas Asas do Tempo (Outlander #1)


Wook.pt - Outlander N.º 1«Claire leva uma vida dupla. Tem um marido num século e um amante noutro… 

Em 1945, Claire Randall, ex-enfermeira do Exército, regressa da guerra e está com o marido numa segunda lua-de-mel quando inocentemente toca num rochedo de um antigo círculo de pedras. De súbito, é transportada para o ano de 1743, para o centro de uma escaramuça entre ingleses e escoceses. Confundida com uma prostituta pelo capitão inglês Black Jack Randall, um antepassado e sósia do seu marido, é a seguir sequestrada pelo poderoso clã MacKenzie. Estes julgam-na espia ou feiticeira, mas com a sua experiência em enfermagem, Claire passa por curandeira e ganha o respeito dos guerreiros. No entanto, como corre perigo de vida a solução é tornar-se membro do clã, casando com o guerreiro Jamie Fraser, que lhe demonstra uma paixão tão avassaladora e um amor tão absoluto que Claire se sente dividida entre a fidelidade e o desejo… e entre dois homens completamente diferentes em duas vidas irreconciliáveis. 

Vive-se um período excepcionalmente conturbado nas Terras Altas da Escócia, que culminará com a quase extinção dos clãs na batalha de Culloden, entre ingleses e escoceses. Catapultada para um mundo de intrigas e espiões que pode pôr em risco a sua vida, uma pergunta insistente martela os pensamentos de Claire: o que fazer quando se conhece o futuro?»



"São os Homens que acham que deve haver maus agouros e magia nas mulheres, quando é essa apenas a forma natural das criaturas."

- Nas Asas do Tempo  



Género: Ficção Histórica
Editora: Casa das Letras
Título Original: Outlander (1991)
N.º de Páginas: 770




✏ Série Outlander:
7 - An Echo in the Bone;
8 - Written in My Own Heart's Blood;
9 - Go Tell the Bees that I am Gone



A Minha Opinião:


Nas Asas do Tempo é aquilo que parece: um livro muito extenso e de leitura difícil. Mas eu penso que tem exatamente o tamanho necessário para ser o que é: formidável

Ao longo de todo o livro é mais do que notável a minuciosa pesquisa que Diana Gabaldon executou para o escrever, enriquecendo-o com uma vasta informação histórica. A conjugação de várias vertentes renova constantemente o interesse por esta leitura, sem que acabe por se tornar aborrecido. Este não é definitivamente um romance comum e não se consegue encaixar o seu género em nenhuma categoria específica, por muita boa vontade que se tenha. 



A dificuldade da leitura de Nas Asas do Tempo não advém do seu elevado volume mas sim pela pesadíssima dor emocional que nos transmite, chegando a ser emocionalmente esgotante. A obra é cativante, estimulante e envolvente, com diversas passagens divertidas e caricatas, isso é ponto assente, mas é também densa, violenta e a certa altura constrangedora e desagradável. Digo isto obviamente devido às cenas de violência sexual que além de brutais apresentam-se desnecessariamente de forma demasiado gráfica. 



Uma coisa é certa: Diana Gabaldon não se refreou na sua escrita nem na descrição dos acontecimentos e julgo que não deve ser censurada por isso. O facto é que escreveu um livro magnífico, muito bem estruturado, pegando em ficção científica e ficção histórica e lançando-as uma contra a outra…mas que não é um livro para todos… 



As personagens estão extremamente bem caracterizadas (Okay…convenhamos que Diana Gabaldon teve 772 páginas para o fazer…), pelo que o leitor consegue por si próprio descrevê-las com facilidade: Claire, a protagonista, é uma mulher forte e corajosa, persistente mesmo na adversidade, inteligente e que faz as nossas delícias com a sua personalidade arisca e ousada; já Jamie Fraser fascina-nos com o seu sentido de honra, dedicação e simplicidade. De facto, à medida que acompanhamos Claire na sua aproximação a James, a protagonista não é a única a apaixonar-se por este escocês abrutalhado das Terras Altas. Por baixo daquele ar insensível, desagradável e da sua especial apetência para a indelicadeza encontra-se um homem muito gentil e é muito interessante observar a diferença entre a interação desta personagem com outras e a sua interação com Claire, para quem conserva todo um lado romântico, sensível e carinhoso aparentemente nada relacionado com a sua personalidade rude. 


Estas duas personagens formam um casal formidável, com um nível de intimidade raro que cresce a partir do desenvolvimento de uma amizade muito especial, muitas vezes posta à prova graças à honestidade brutal que caracteriza ambas as personagens. 

Como se não bastassem estas duas personagens magnificamente construídas, as restantes figuras da trama surgem-nos elas próprias muito realistas e bem estruturadas, com interesses e motivações pessoais que conferem grande dinâmica ao livro. 

A narração está a cargo da própria protagonista mas não ficamos de todo limitados ao seu ponto de vista. Brilhantemente executado através de excelentes diálogos e da própria narração, Diana Gabaldon permite-nos aceder a outras perspetivas. Além disso, apesar de recuar no tempo, Diana não desperdiça tempo em contar-nos como eram as coisas naquela altura mas sim mostrando-as

Apesar da componente mágica já do domínio do fantástico, a autora consegue transmitir grande credibilidade e realismo à história que nos conta, revelando paradoxos interessantíssimos relacionados com a viagem no tempo. 

A passada da narrativa é relativamente rápida, embora se arraste em algumas partes como na parte da prisão . A cena em que Jamie agride Claire é das mais revoltantes que já li principalmente porque é transmitida como algo aceitável e compreensível/justificativo, ideia que eu não consigo conceber mesmo tentando contextualizar historicamente algo que na altura podia não ser visto como abuso…mas Claire não era desse período, viajou no tempo para o passado e foi-nos apresentada como uma mulher independente, moderna e sem papas na língua...mas que nesta passagem nada faz para se defender nem parece ofender-se muito com o sucedido...pelo que acho que nesta cena Diana Gabaldon perdeu completamente as personagens que se tinha esforçado até à altura para construir. 

Além do mais, indo esta cena de encontro ao sadismo do próprio vilão da história é muito desagradável para o leitor comparar neste ponto o herói que já admirávamos pela sua integridade moral com um vilão deste calibre pelo qual somos impelidos a sentir repulsa e nojo. Não penso que a introdução desta cena no livro seja de todo compreensível e creio que  só teria a ganhar se tivesse sido publicado sem ela. 

Um outro ponto menos positivo é a facilidade com que Claire se adapta à nova vida, como se viajar no tempo fosse algo completamente natural e também o desembaraço com que parece esquecer-se do marido que tinha no presente e dos seus sentimentos por este. 

É pela cena da agressão de James a Claire e não a arrojada descrição dos abusos sexuais que me recuso a dar mais do que três estrelas a este livro.  A cena de agressão a uma mulher faz-nos ficar de pé atrás com o herói da trama e desilude-nos quando penso que não era essa a pretensão da autora. E a falta de reacção por parte de Claire vai totalmente contra a personalidade que lhe foi atribuída. Quanto à cena de abuso, apesar de violenta e repulsiva, está bem escrita e cumpre a sua função no livro: chocar o leitor, drená-lo emocionalmente, levá-lo a repudiar fortemente o vilão e transmitir-lhe a dor de James. E eu penso que é a transmissão de sensações em bruto para o leitor, sejam elas boas ou más, de alegria ou tristeza, fascínio ou repulsa, que definem um bom livro... Um livro que não nos transmite sensação/sentimento algum não pode ser um bom livro.

✏ Série Outlander:
6 - A Breath of Snow and Ashes;
7 - An Echo in the Bone;
8 - Written in My Own Heart's Blood;
9 - Go Tell the Bees that I am Gone
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