0 A Mulher à Janela | Opinião


Wook.pt - A Mulher à JanelaAnna Fox não sai à rua há dez meses, um longo período em que ela vagueou pelos quartos da sua velha casa em Nova Iorque como se fosse um fantasma, perdida nas suas memórias e aterrorizada só de pensar em sair à rua. A ligação de Anna ao mundo real é uma janela, junto à qual passa os dias a observar os vizinhos. Quando os Russells se mudam para a casa em frente, Anna sente-se desde logo atraída por eles - uma família perfeita de três pessoas que a fazem recordar-se da vida que já teve. Mas um dia, um grito quebra o silêncio e Anna, da sua janela, testemunha algo que ninguém deveria ter visto e terá de fazer tudo para encobrir o que presenciou . Mas mesmo que decida falar, irá alguém acreditar nela? E poderá Anna acreditar em si própria?

Um thriller eletrizante onde nada nem ninguém é o que parece.

Autor: A. J. Finn
Editor: Editorial Presença (Março, 2018) 
Género: Thriller
Páginas: 488
Original: The Woman in the Window (2018) 
 Goodreads Choice Award Nominee for Mystery & Thriller and for Debut Author (2018)

opinião
★★★★
«Sou uma prisioneira no meu mundo. E fora dele.» - p. 281

Anna não sai de casa há quase um ano. Vive sozinha - o marido e a filha já não moram com ela - sofre de stress pós-traumático e toma imensa medicação, incluindo, psicotrópicos, gasta parte do seu tempo a observar os vizinhos através da lente da sua Nikon e outra parte a usar os seus conhecimentos como psicóloga infantil para ajudar pessoas com quem conversa num fórum online. E bebe. Anna bebe muito…

Entretanto há uma novidade no bairro, os Russell, e Anna não se inibe de os espiar. Depressa fica a conhecer o filho, um adolescente tímido e claramente assustado com alguma coisa, o Sr. Russell, um homem aparentemente controlador e passa ainda uma agradável tarde a jogar xadrez e a conversar com a Sra. Russell.

Numa das suas sessões de «espionagem», Anna assiste ao brutal homicídio da Sra. Russell através da janela mas ninguém acredita nela, muito menos quando a Sra. Russell aparece à frente da polícia para dizer que não passa tudo de uma invenção. Mas Anna sabe o que viu, sabe que viu a Sra. Russell ser assassinada e sabe também que aquela mulher que ali está não é a Sra. Russell que passou a tarde na casa dela. Ou será tudo um produto da combinação de Merlot com a medicação?
«a minha mente é um profundo pântano de águas salobras: a verdade e a mentira misturam-se e confundem-se»

J. Finn avança com rapidez pela narrativa, mantendo-nos sempre interessados, surpreendendo-nos com algumas revelações e deixando-nos chegar às nossas próprias suspeitas e conclusões. Ao escrevê-lo na primeira pessoa, Finn prende-nos dentro de casa com Anna, dentro da sua mente torpe, sem saber se o que ela nos conta é sequer verdade!







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