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0 As Minhas Leituras | Abril 2016
★★★★★


★★★★✩
★★★✩✩
★★✩✩✩
★✩✩✩✩
-
Tive ainda tempo para me deixar encantar pela ternura e originalidade do romance Tim (o meu primeiro livro de Colleen Hoover e para me desiludir (outra vez!) com a série Hacker de Meredith Wild. Também esperava mais de A Carícia do Assassino, que me desiludiu no final, e de O Livro de Aron pela apatia (propositada) do protagonista.
...a época dos excessos...
Desde que li O Grande Gatsby (que estou a ler novamente) que orbito em torno de F. Scott Fitzgerald e das suas magníficas descrições e prosa cuidada. O único livro de Fitzgerald com que me cruzei até à data e que diria não gostar é The Bowl.
Em relação aos que li em Abril, gostei muito de Bernice Bobs Her Hair, um livro que, escrito há mais de 90 anos, não está assim tão longe da nossa realidade actual. Continuamos a pender para o egocentrismo, obcecados em "pertencer" a algum grupo, a "encaixar" em algum lado, mesmo que isso nos custe parte da nossa individualidade. Influenciáveis, continuamos a ser seduzidos por estatutos sociais em vários tempos e contextos das nossas vidas; tentamos moldar-nos ao que e a quem nos rodeia, afadigando-nos com o ressentimento que acaba por se gerar.
Também gostei muito da mensagem de The Ice Palace, uma curta história sobre a nossa inclinação para querer mais sem dar valor ao que já temos; de nunca nos considerarmos satisfeitos e de continuarmos a desejar aquilo que nos é, afinal de contas, desconhecido. E se é verdade que esta característica nos pode levar mais longe e promove a evolução nas nossas vidas também é verdade que, tal como Sally, acabamos muitas vezes desiludidos com que aquilo que passámos tanto tempo a ambicionar.
Em May Day saltamos de perspectiva em perspectiva, escoltando personagens com experiências de vida muito diferentes, reunidas no desorientado e eufórico ambiente do pós-guerra, no início dos anos 20. Com um final muito forte, o compadecimento pela tragédia em May Day não nos é instintivo e o seu impacto pode passar-nos ao lado devido à fraca ligação aos personagens. No entanto, após alguma ponderação sobre o livro como um todo, é possível que acabemos por alterar esta primeira concepção.
Não é fácil encontrar traduções dos contos de Fitzgerald, com excepção dos mais conhecidos como O Estranho Caso de Benjamin Button; portanto optei por comprar um livro que reúne vários contos.
... terror Lovecraftiano...
Lovecraft é uma referência. A sua ficção mistura o oculto, o sobrenatural, o fantástico e o terror de uma forma surpreendente e com uma originalidade e impressionante que inspirou muitos trabalhos subsequentes.
Durante o mês de Abril li He, Cool Air, The Colour Out of Space - um dos contos de Lovecraft que mais me absorveu - e aquele que é um dos seus trabalhos mais famosos, The Call of Cthulhu.
Tristemente, vemos este amor ser olhado com desconfiança e desaprovação. Gostei muito desta história, adorei os personagens e a escrita irrepreensível da autora favoreceu imenso o livro.
... homicídios macabros...
Gostei muito de ler O Assassino do Crucifixo e fiquei muito entusiasmada em relação a esta série. Não me incomoda a violência presente em algumas das cenas e gostei da alternância entre tensão e algum romance, felizmente não do tipo lamechas e sem ocupar demasiado tempo à investigação - apenas o suficiente para desanuviar.
As tentativas do escritor para nos desviar da solução são bastante válidas e adicionam ainda mais interesse ao livro. Hunter é um personagem intrigante, com sentido de humor; um tipo aparentemente descontraído mas que carrega muito peso às costas, tentando viver um dia de cada vez e ultrapassar um pesadelo de cada vez. É um daqueles personagens que ficamos com curiosidade de ver desenvolvido e de conhecer melhor.
...a nossa História...
Não exaustivo, este livro foca-se nas partes "mais importantes", deixando de lado alguns pormenores que, embora importantes, podem tornar a leitura mais aborrecida - especialmente num livro de 720 páginas...
Um óptimo livro, generalizado e que pertence ao Plano Nacional de Leitura, a complementar mais tarde com outras leituras mais específicas.
... a psicologia da vítima...
A Carícia do Assassino deixou-me muito curiosa logo desde o início. A inclusão de um advogado de defesa de animais e de uma preocupação genuína pelo destino destes cães traz alguma originalidade ao livro. O enredo aprofunda-se e torna-se sucessivamente mais interessante a cada nova revelação.
É muito fácil simpatizar com a protagonista deste livro não apenas pelos problemas que enfrenta no presente mas também pelos episódios traumáticos que viveu no passado e pela sua dedicação e solidariedade para com os animais. Além disso, os seus conhecimentos sobre psicologia criminal são muito interessantes.
Infelizmente, quando a história se começou a revelar, perto do final, o meu interesse por ela diminuiu bastante. O potencial do livro acabou por não se concretizar como eu esperava e acabei por ficar um bocadinho desiludida: não gostei especialmente do desfecho, mas gostei do percurso até lá chegar.
... a vida nos guetos judaicos...
O Livro de Aron não se destaca entre os livros que li sobre o Holocausto porque, pessoalmente, não gostei da falta de emoção com que este episódio histórico tão sensível foi abordado, embora compreenda o porquê do autor o querer construir desta forma e as ramificações de pensamento que nos permite seguir partindo do que escreve.
Este livro não é realmente sobre Aron mas sim sobre as crianças apanhadas no Holocausto e sobre o homem que se recusou a deixá-las para trás - assim sendo, tendo escolhido outro ponto de vista/narrador, penso que o escritor teria sido mais bem sucedido.
Em Atracção Magnética, primeiro livro da série Hacker, incomodou-me a falta de história - pelo menos de história que merecesse efetivamente ser contada; em Ligação Explosiva, depois de começar a ficar animada pela existência de enredo que se "visse", acabei desiludida pela falta de coerência do mesmo. O romance entre Erica e Blake continua muito imaturo, demasiado centrado no sexo e na aparência física de cada um.
Posto isto, a única coisa em que me pareceu que a escritora se aplicou realmente e que considero que fez com competência (daí que este livro esteja tão bem cotado…) foi na criação de tensão sexual e na descrição de cenas eróticas; cenas estas que lamentavelmente servem para o casal ignorar os verdadeiros problemas das suas vidas e da sua relação. Parece-me, que se estas são as únicas cenas que merecem ser lidas, mais valia a autora dedicar-se à escrita de pequenos contos eróticos e poupar-nos a enredos absurdos que se destinam apenas a ladear o que "realmente interessa"...
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0 May Day | Opinião
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4 estrelas,
F. Scott Fitzgerald,
Opinião
This title includes:
"The Diamond as Big as the Ritz";
"The Ice Palace";
"Bernice Bobs Her Hair";
"May Day";
"The Bowl";
opinião
★★★★✩
Em May Day saltamos de perspetiva em perspetiva, escoltando personagens com experiências de vida muito diferentes, reunidas no desorientado e eufórico ambiente do pós-guerra, no início dos anos 20. Embora encare o futuro com entusiasmo, a sociedade norte-americana está mudada, os rapazes que partiram para a guerra já não são as mesmas pessoas, a instabilidade política é agravada pelo confronto de ideias e receio pela infiltração comunista, resultando em tumulto e protesto. Os soldados procuram alguém em quem pôr as culpas, propagando a violência que fez parte das suas vidas nos anos prévios.
Um dos soldados é Gordon. Sem dinheiro nem prospeção de emprego e a precisar desesperadamente de capital, Gordon recorre ao "amigo", Philip, a quem pede dinheiro emprestado. Através de Gordon e Philip, e mais tarde também através de outros personagens, Fitzgerald exibe opostos da sociedade.
Com Gordon e Philip somos apresentados a hipocrisia, injustiça e falsa amizade/companheirismo. Gordon está desesperado e isso é mais do que evidente, até no seu aspeto físico. Philip é egoísta, egocêntrico e exibe um entusiasmo desmedido pela vida boémia. Os problemas de Gordon parecem aborrecer os seus amigos, nada interessados em ouvir sequer as suas preocupações, descreditando o seu drama pessoal. Com Edith entramos na futilidade da época; perfecionista, Edith vive apaixonada pelas aparências. Decide rapidamente que afinal não estava realmente enamorada de Gordon, irritada com as contrariedades que o preocupam. Outro par de soldados, Key e Rose, apesar de não exibirem os melhores escrúpulos, parecem-nos perdidos, sem saber que posição da sociedade lhes compete. É irónico que, tendo o álcool por aparente denominador comum, outro par de jovens faça altercações semelhantes sem ter, no entanto, as mesmas consequências por pertencerem a outro "nível".
Tal como em todos os trabalhos que li de Fitzgerald, a prosa do autor é brilhante e as descrições, como sempre, transportam-nos muito facilmente para as minúcias de um tempo que, não sendo o nosso, conseguimos visualizar sem problema através de um relato vívido e enérgico que dinamiza imenso o livro. Em May Day, particularmente, temos a oportunidade de observar a perícia do autor em intercalar pontos de vista; fazendo progredir com enorme fluidez, o escritor consegue fazê-las convergir de uma maneira que nos parece muito natural.
Com um final muito forte, o compadecimento pela tragédia em May Day não nos é instintivo e o seu impacto pode passar-nos ao lado devido à fraca ligação aos personagens. No entanto, após alguma ponderação sobre o livro como um todo, é possível que acabemos por alterar esta primeira concepção.
May Day é mais um excelente (e forte) comentário político e social de Fitzgerald.
“All crowds have to howl. (…) the soldiers don’t know what they want, or what they hate, or what they like. They’re used to acting in large bodies, and they seem to have to make demonstrations. So it happens to be against us.”
Um dos soldados é Gordon. Sem dinheiro nem prospeção de emprego e a precisar desesperadamente de capital, Gordon recorre ao "amigo", Philip, a quem pede dinheiro emprestado. Através de Gordon e Philip, e mais tarde também através de outros personagens, Fitzgerald exibe opostos da sociedade.
Com Gordon e Philip somos apresentados a hipocrisia, injustiça e falsa amizade/companheirismo. Gordon está desesperado e isso é mais do que evidente, até no seu aspeto físico. Philip é egoísta, egocêntrico e exibe um entusiasmo desmedido pela vida boémia. Os problemas de Gordon parecem aborrecer os seus amigos, nada interessados em ouvir sequer as suas preocupações, descreditando o seu drama pessoal. Com Edith entramos na futilidade da época; perfecionista, Edith vive apaixonada pelas aparências. Decide rapidamente que afinal não estava realmente enamorada de Gordon, irritada com as contrariedades que o preocupam. Outro par de soldados, Key e Rose, apesar de não exibirem os melhores escrúpulos, parecem-nos perdidos, sem saber que posição da sociedade lhes compete. É irónico que, tendo o álcool por aparente denominador comum, outro par de jovens faça altercações semelhantes sem ter, no entanto, as mesmas consequências por pertencerem a outro "nível".
Tal como em todos os trabalhos que li de Fitzgerald, a prosa do autor é brilhante e as descrições, como sempre, transportam-nos muito facilmente para as minúcias de um tempo que, não sendo o nosso, conseguimos visualizar sem problema através de um relato vívido e enérgico que dinamiza imenso o livro. Em May Day, particularmente, temos a oportunidade de observar a perícia do autor em intercalar pontos de vista; fazendo progredir com enorme fluidez, o escritor consegue fazê-las convergir de uma maneira que nos parece muito natural.
Com um final muito forte, o compadecimento pela tragédia em May Day não nos é instintivo e o seu impacto pode passar-nos ao lado devido à fraca ligação aos personagens. No entanto, após alguma ponderação sobre o livro como um todo, é possível que acabemos por alterar esta primeira concepção.
May Day é mais um excelente (e forte) comentário político e social de Fitzgerald.
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0 The Ice Palace | Opinião
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3 estrelas,
F. Scott Fitzgerald,
Romance
Opinião
★★★✩✩
"(...) I want to go places and see people. I want my mind to grow. I want to live where things happen on a big scale."
Infelizmente, o que Sally está prestes a descobrir é que a vida no Norte não é bem o que ela estava à espera… e que está muito longe de ser, afinal, o que ela desejava para a sua vida.
Esta é uma curta história sobre a nossa inclinação para querer mais sem dar valor ao que já temos; de nunca nos considerarmos satisfeitos e de continuarmos a desejar aquilo que nos é, afinal de contas, desconhecido. E se é verdade que esta característica nos pode levar mais longe e promove a evolução nas nossas vidas também é verdade que, tal como Sally, acabamos muitas vezes desiludidos com que aquilo que passámos tanto tempo a ambicionar.
Sally precisou afastar-se do que tinha para lhe começar a dar valor; F. Scott Fitzgerald não podia ter tornado as diferenças mais óbvias, comparando pontos cardeais opostos onde se desenrolam estilos de vida muito divergentes.
…É muito simples - às vezes já temos aquilo que realmente precisamos para ser felizes.
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0 Bernice Corta o Cabelo | Opinião
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4 estrelas,
F. Scott Fitzgerald,
Romance,
Short Story
Autor: F. Scott Fiztgerald
Género: Conto
Original: Bernice Bobs Her Hair (1920)
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opinião
★★★★✩
Bernice Corta o Cabelo, escrito há mais de 90 anos, não está assim tão longe da nossa realidade actual. Continuamos a pender para o egocentrismo, obcecados em "pertencer" a algum grupo, a "encaixar" em algum lado, mesmo que isso nos custe parte da nossa individualidade. Influenciáveis, continuamos a ser seduzidos por estatutos sociais em vários tempos e contextos das nossas vidas; tentamos moldar-nos ao que e a quem nos rodeia, afadigando-nos com o ressentimento que acaba por se gerar. Naturalmente tímida e sossegada, Bernice transforma-se num completo oposto, comprometendo a sua personalidade, para poder encaixar no grupo da prima e ser olhada com admiração por pessoas em quem reconhece traços de crueldade e futilidade.
Este livro é interessante pela abordagem desta nossa orientação secular, mas também pela curiosidade e interesse sobre as práticas e hábitos do início do século XX. Miúda da cidade, na moda e popular, Marjorie explica e descreve os traços femininos que atraem os homens desta altura. O que era considerado de mau tom no tempo das mães destas duas jovens primas era agora visto como atraente. Ser atrevido estava agora em voga.
Gostei muito do enredo, mas a prosa do autor é ainda mais deslumbrante. Sem perder tempo com divagações, Fitzgerald compõe retratos completos que nos transportam imediatamente para o local de acção e permite-nos conhecer os seus personagens através de poucas palavras. Esta capacidade de delineamento e descrição é uma destreza que aprecio muito neste escritor e este livro deu-me a ideia de que acertou em cheio em cada palavra escolhida.
E quanto ao final do livro, este até pode ser mesquinho… mas é tão satisfatório!
Frases Prefridas
«(...) on novels in which the fenale was beloved because of certain mysterious womanly qualities, always mentioned but never displayed."
"At eighteen our convictions are hills from wich we look; at forty-five they are caves in wich we hide."
0 As Minhas Leituras | Janeiro 2016
★★★★★



★★★★✩





★★★✩✩


★★✩✩✩

Os meus preferidos de Janeiro foram O Vermelho e o Negro de Stendhal e Viagens na Minha Terra de Almeida Garrett. Stendhal impressionou-se pela forma suave com que avança pela narrativa, apresentando-nos a Julien, um personagem inesquecível, tecendo uma excelente crítica à sociedade em que este se insere enquanto que, ao mesmo tempo, narra os acontecimentos que levaram Julien ao seu final trágico.
Por sua vez, Garrett arrebatou-me com a sua prosa encantadora, também ela reflectindo e criticando a situação política e social da época ao mesmo tempo que narra um romance trágico. Admito que a história de Carlos e Joana não me diz muito; interessou-me «apenas» pela sua comparação simbólica à realidade vivida no país, reflectindo o embate entre ideais distintos.
Pequenos, fantasiosos mas bem significativos, Roverandom de Tolkien, História de um Gato e de um Rato que se Tornaram Amigos de Sepúlveda e As Aventuras de Tom Sawyer de Mark Twain são encantadores! A criatividade de Roverandom é simplesmente genial; Tolkien leva-nos numa maravilhosa aventura desde a superfície da Lua até às profundezas do mar!
Sepúlveda mostra-nos explica-nos com enorme simplicidade os princípios da amizade. Além de me levar a considerar a amizade no geral, este livro encantou-me pela chamada de atenção e pequena homenagem aos pequenos seres peludos de quatro patinhas que nos acompanham na vida e que infelizmente, e de forma tão dolorosamente injusta, não nos acompanham tempo suficiente.
Tom e Huckleberry, transportam-nos até tempos em que nos expressávamos com igual simplicidade, passando muitas vezes pela casmurrice [demasiadas vezes, no meu caso] e tirávamos as mais rápidas [e extremamente improváveis] conclusões, tomando inclusivamente a magia e o fantástico como bases plausíveis para justificar qualquer fenómeno que escapasse à nossa compreensão. Para além de me ter permitido retroceder alguns aninhos, a comicidade das sucessivas tropelias de Tom é genuína e a esperteza com que ele lida com as situações que se lhe apresentam é interessante o suficiente para que este possa ser também um livro para os mais crescidos.
O Príncipe de Maquiavel e Um Diamante do Tamanho do Ritz de Fitzgerald estavam ambos na minha prateleira de livros por ler à demasiado tempo!
Um Diamante do Tamanho do Ritz é o terceiro livro que leio de F. Scott Fitzgerald e, embora não suplante O Grande Gatsby, gostei muito. Aqui Fitzgerald deixa-nos uma crítica claramente uma crítica à importância que a sociedade dá ao dinheiro e aos que o possuem. O dinheiro e a obsessão pelo mesmo revelam-se uma prisão para os personagens do livro, resultando na perda de valores morais e na realização de actos terríveis. Por entre sátira, fantasia e hipérbole, F. Scott Fitzgerald arranjou uma forma bem real de ridicularizar a sociedade, narrando simultaneamente o romance de John Unger, a quem a provação em causa acaba por ensinar algumas coisas e desencadear o seu amadurecimento sem, no entanto, fazer com que ele perca um optimismo ligeira e propositadamente ridículo.
Sem escrúpulos, Niccolò Machiavelli analisa e expõe o comportamento que um governador deve adotar para subir ao poder e manter-se no topo. Bem-sucedidos ou completamente arruinados, o escritor serve-se de vários exemplos para fundamentar as suas conclusões - homens que reconheceram a oportunidade gerada pela atribulação e se serviram dela para revelar as excecionais mentes e forças que os colocariam na História. Com o seu tom direto e conciso, O Príncipe reúne verdades intemporais, tornando-se uma excelente e inquietante fonte de reflexão política.
Gostei muito de Um Caso Tipicamente Inglês da já nossa conhecida Elizabeth Edmondson. Além das várias suspeitas que Edmondson nos obriga a levantar sobre as diversas personagens do livro, a escritora cria um ambiente rural encantador, cheio de mexericos e curiosidade, numa época pós-guerra já de si muito interessante.Este é o primeiro livro da nova série da autora e eu mal posso esperar pelo próximo!
Também gostei muito de A Perfeição de Fiona - acreditem que vale bem a pena - mas a sua fraca representação literária leva-me a ficar, muito injustamente, admito, pelas três estrelas. Chesney tem o dom de distribuir comicidade não só na base da acção mas também nos pequenos pormenores e nas identidades e idiossincrasias dos seus personagens.
Também estou desejosa de ler o próximo livro desta série...e estas edições são tão bonitas!
Tenho lido alguns dos contos de H. P. Lovecraft e em Janeiro foi a vez de Herbert West: Reanimator, embora pessoalmente este conto não me tenha agradado muito, conheço a competência e criatividade do autor e sei que são ambas fantásticas portanto não tenho este trabalho, produzido ainda na imaturidade do escritor, como referência.
Pelo contrário, A Filha Desaparecida, para o qual tinha grandes expectativas, acabou por ser uma desilusão, especialmente porque estava a gostar do livro e do mistério que nele consta mas o final é uma grande desilusão e frustração! Ao longo do livro a falta de acção foi sendo largamente compensada pelo meu interesse na resolução do mistério, mas as expectativas que Shemilt foi criando acabaram por ficar longe de se verem correspondidas.
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