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0 O Fio da Felicidade | Opinião


Wook.pt - O Fio da FelicidadeDe um erro terrível nasce algo maravilhoso. Será que o azar pode trazer sorte?

Bastou um clique para Essie ficar sem casa, trabalho, namorado e tornar-se a mais recente piada da Internet. Tudo por causa de um e-mail infeliz enviado acidentalmente a TODOS os contactos; uma carta privada onde, bem…, desabafara coisas horríveis sobre a mãe do seu namorado (que, já agora, também era sua chefe!).

E quando a vida perfeita de Essie é arruinada, só lhe resta uma solução: começar de novo noutro sítio, fazer amigos e encontrar um emprego (de preferência, um de que goste).

E é assim que o azar de Essie a leva a uma nova cidade, onde conhece uma octogenária determinada a ser sua fada madrinha e um grupo de desconhecidos que lhe mostram o quanto do mundo ainda há para desfrutar.

Mas o que Essie não esperava era voltar a ver Lucas… O homem responsável pelo envio acidental do e-mail. Conseguirá ela perdoá-lo pela forma como a sua vida mudou?

Divertido e emocionante, é o livro perfeito para as leitoras que gostam de Sophie Kinsella, Jojo Moyes e de leituras absolutamente viciantes.

Uma história sobre bondade, perdão, e sobre como nos devemos apoiar nas pessoas que nos ajudam a encontrar a felicidade.

Autor: Jill Mansell  
Editor: TopSeller (Outubro, 2018) 
Género: Romance
Páginas: 368
Original: This Could Change Everything (2018) 

opinião
★★★★☆


My rating: 4 of 5 stars

Já perdi conta às vezes que disse isto mas cá vai mais uma: podemos sempre contar com Jill Mansell para umas horas bem passadas!

Divertido e descomplicado, um livro ideal para as nossas pausas nas leituras mais pesadas e sérias. Gostei bastante.


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0 O Crime do Padre Amaro - Opinião


Wook.pt - O Crime do Padre AmaroNa versão definitiva desta obra (1880), conjugam-se três fatores já previamente salientes na carreira de Eça mas cuja importância relativa e cujo significado se irão modificando: um dado propósito de crítica social contemporânea; uma dada perceção de como determinadas personagens, enganando as outras, se enganam afinal a si próprias, fingindo acatar pautas morais de comportamento; e uma certa auréola de sonho que elas exalam. Assim, em qualquer das três versões deste romance se evidencia uma violenta crítica ao clero católico que já tem raízes nos Iluministas ou no romantismo liberal, e aos efeitos da sua burocratização constitucionalista, da sua presença em lares burgueses.


Autor: Eça de Queirós
Editor: Porto Editora 
Género: Romance
Páginas: 512



opinião
★★★★☆
Amor, Paixão, Posse, Martírio – como uma semente impercetível que mal se sente entre os dedos e que se torna, com um pouco de sol e uma pouca de humidade, árvore enorme onde os pássaros cantos e os ventos rugem – 271

Gostei bem mais deste romance proibido entre um padre e uma beata provinciana do que estava à espera graças ao tom crítico e irónico – que chegaria a ser cómico se não refletisse uma triste realidade do seu tempo – com que Eça de Queirós o escreveu.

O escritor arranca do altar estes hipócritas membros do clero lá colocados por um país extremamente religioso, cheio de cegos e devotos seguidores, permitindo-lhes impor ao povo regras que os próprios quebravam sem qualquer consequência.

A corrupção moral destes homens – não mais que isso – é assim exibida; o modo como controlavam os crentes por meio da sua fé, manipulando-os em benefício próprio.

Um clássico que merece bem a nossa atenção.







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0 Em Tudo Havia Beleza | Opinião


Wook.pt - Em Tudo Havia BelezaImpelido por esta convicção, Manuel Vilas compõe, com uma voz corajosa, desencantada, poética, o relato íntimo de uma vida e de um país. Simultaneamente filho e pai, autor e narrador, Vilas escava no passado, procurando recompor as peças, lutando para fazer presente quem já não está. Porque os laços com a família, com os que amamos, mesmo que distantes ou ausentes, são o que nos sustém, o que nos define. São esses mesmos laços que nos permitem ver, à distância do tempo, que a beleza está nos mais simples gestos quotidianos, no afecto contido, inconfessado, e até nas palavras não ditas.

Falando desde as entranhas, Vilas revela a comovente debilidade humana, ao mesmo tempo que ilumina a força única da nossa condição, a inexaurível capacidade de nos levantarmos de novo e seguirmos em frente, mesmo quando não parece possível. É desenhando um caminho de regresso aos que amamos que o amor pode salvar-nos.

Confessional, provocador, comovente, Em tudo havia beleza é uma admirável peça de literatura, em que se entrelaçam destino pessoal e colectivo, romance e autobiografia. Manuel Vilas criou um relato íntimo de perda e vida, de luto e dor, de afecto e pudor, único na sua capacidade de comover o leitor, de fazer da sua história a história de todos nós.


Autor: Manuel Vilas
Editor: Alfaguara Portugal (Fevereiro, 2019)
Género: Romance
Páginas: 400
Original: Ordesa (2018) 

opinião
★★★★☆
Em tudo havia beleza [Ordesa]Em tudo havia beleza [Ordesa] by Manuel Vilas
My rating: 4 of 5 stars

A esperança de voltar a ver-vos, papá, mamã.
Sou apenas isso: esperança de voltar a ver-vos.


Tenho sentimentos mistos em relação a Em Tudo Havia Beleza; no final, acabei com um livro bastante sublinhado, cheio de frases que adorei, fonte de imensa e profunda reflexão, mas que na verdade pouco prazer me deu ler e que pouco me entusiasmou no processo.

Facilmente nos identificamos com os temas explorados neste livro – as perdas que sofremos ao longo da nossa vida, o inevitável fim e o triste envelhecimento que lhe precede – mas o modo desordenado como o autor partilha estas ideias e a frequência com que as repete, bem como a ausência de uma história propriamente dita, pode aborrecer-nos de morte.

Em suma, gostei do livro, de toda a sua melancolia e tristeza, de toda a sua sabedoria, de toda e cada frase preciosa, construída em moldes de perfeição, mas passei momentos muito maçadores na sua companhia.
Era o paraíso. Foi o meu paraíso. Foram eles o meu paraíso, o meu pai e a minha mãe, como gostei deles, como fomos felizes e como nos desmoronámos. Que bela foi a nossa vida em conjunto, e tudo está perdido agora. E parece impossível – 235

Frases Preferidas:
Somos todos pobre gente, metidos no túnel da existência – 12

Por muito mal que nos corra a vida, há sempre alguém que nos inveja. É uma espécie de sarcasmo cósmico – 14

Os bancos arrasam-nos a caixa de correio com cartas deprimentes. Uma série de extractos bancários. Vêm dizer-nos o que somos – 15

A vida de um homem é, na sua essência, a tentativa de não cair na ruina económica. (…) Ninguém sabe se é possível viver sem ser socialmente. A estima dos outros acaba por ser a única cédula da nossa existência – 16

Quando o nosso passado se apaga da face da Terra, apaga-se o universo, e tudo é indignidade. Não há nada mais indigno que o cinzentismo da existência. Abolir o passado é abjecto. A morte dos nossos pais é abjecta. É uma declaração de guerra que a realidade nos faz – 31

Somos vulgares, e quem não reconhecer a sua vulgaridade é ainda mais vulgar.  O reconhecimento da vulgaridade é o primeiro gesto de emancipação rumo ao extraordinário – 35

(…) e o demónio não é senão uma degeneração neuronal hereditária que afecta o nervo óptico e se transforma em vagas de conexões químicas apagadas ou titubeantes, e nessa deterioração elétrica da transmissão da realidade incubam as bactérias da psicose, e a forma orgânica da vontade vai apodrecendo numa massa de ordens alheias ao mundo social e vou-me transformando num museu de secura, de solidão, de suicídio, de surdez e de sofrimento – 60

O problema do Mal é que nos transforma em culpados ao tocar-nos. É esse o grande mistério do Mal: as vítimas acabam sempre culpadas de algo cujo nome é outra vez o Mal. As vítimas são sempre excrementícias. As pessoas simulam uma compaixão pelas vítimas, mas no seu interior só há desprezo – 70

Porque a literatura é matéria, como tudo. A literatura são palavras gravadas num papel. É esforço físico. É suor. Não é espírito. Já basta de menosprezar a matéria – 72

Toda a historia ocidental frequenta o idealismo, ninguém parou para olhar para as coisas de outra maneira; especialmente da maneira mais simples, a que se lembra da matérias, e das vãs realidades – 72

Quando a vida nos deixa ver o casamento do terror com a alegria, estamos prontos para a plenitude – 75

O passado tem cada vez menos prestígio – 210

Porque a condenação é o resultado de qualquer julgamento que se preze. A absolvição é insubstancial e esquecível. Só recordamos as condenações. A absolvição não tem memória, os seres humanos são assim – 224

Era o paraíso. Foi o meu paraíso. Foram eles o meu paraíso, o meu pai e a minha mãe, como gostei deles, como fomos felizes e como nos desmoronámos. Que bela foi a nossa vida em conjunto, e tudo está perdido agora. E parece impossível – 235

Todos caímos na armadilha do dinheiro. E todos acabamos por ver o dinheiro como a forma final, e justa, de medir as coisas. É como o passo definitivo rumo à objectividade. O dinheiro vem de uma ansia de objectividade. Ânsia de inapelável. O dinheiro é a firmeza: perdê-lo enlouquece-nos; não o ganhar transforma-nos em deficientes mentais, em tarados; o dinheiro é a veracidade suprema, e isso é um espectáculo, é onde a nossa espécie consegue a sua maior densidade, a sua gravidade – 251

Porque as angústia tem as caras mais estranhas do mundo – 296


Chega-se à indiferença por via da dor, da vacuidade, da falta de gravidade – 304


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0 Maria Stuart | Opinião

Wook.pt - Maria Stuart

Maria Stuart é uma obra biográfica da autoria do notável escritor Stefan Zweig sobre a rainha da Escócia (1542-1587), também rainha consorte de França entre 1559-60 e pretendente ao trono inglês, enquanto descendente de Henrique VII. Condenada por traição e presa durante 22 anos por ordem de sua prima Elizabeth I, rainha de Inglaterra, Maria Stuart ascendeu ao trono com apenas seis dias de idade e viveu uma vida repleta de intrigas políticas.


Autor: Stefan Zweig
Editor: Alêtheia Editores (2015)
Género: Biografia
Páginas: 320
Original: Maria Stuart (1935) 



opinião
★★★★☆

“Nada contribuiu mais para colocar Maria Stuart no plano da lenda do que a injustiça sofrida; nada diminuiu tanto moralmente Isabel como não ter querido mostrar-se grande num grande momento” – 269

A beleza da lenda de Maria Stuart vence a realidade e impressiona-nos até aos dias de hoje. Desde sempre prisioneira da política e da diplomacia, mais corajosa que sensata, Maria Stuart tomou decisões imprudentes que, aliadas à incompetência ou vilania dos que a rodeavam, acabaram por colocá-la em situações, no mínimo, muito indignas.

Através de uma prosa trabalhada, fácil de acompanhar, Stefan Zweig contempla neste livro a vida de Maria Stuart desde o nascimento até à morte. Dando-nos uma opinião muito honesta, destaca as qualidades de ambas as rainhas, condena os seus defeitos e comenta a viabilidade das provas apresentadas tanto a favor como contra Maria Stuart, mas sem que nos aborreça com pormenores desnecessários, o que contribui para o tom enérgico do livro, pouco usual numa biografia.

Frases Preferidas:
“a razão e a política raramente seguem o mesmo caminho e talvez sejam estas possibilidades falhadas que dão à história o seu carácter dramático” – 47

“A imprudência e a coragem marcham quase sempre a par, como o perigo e a virtude, como o inverso e o reverso de uma medalha: só os cobardes e os timoratos tremem com a aparência duma falta e procedem com cálculo e premeditação” – 117

“As naturezas mais cobardes são sempre as mais ferozes quando se sentem apoiadas” – 119

“Um ódio que sabe calar-se, é ainda mais perigoso que uma ameaça aberta” – 123

“Aquilo que se escreve com tinta, pode ser apagado com sangue” – 203

“Antes um fim com pavor do que o pavor sem fim” – 208


“E sempre a coroa exerce uma fascinação que dá coragem mesmo aos cobardes, que torna ambiciosos os mais indiferentes e loucos os mais reflectidos” – 263



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0 A Mulher à Janela | Opinião


Wook.pt - A Mulher à JanelaAnna Fox não sai à rua há dez meses, um longo período em que ela vagueou pelos quartos da sua velha casa em Nova Iorque como se fosse um fantasma, perdida nas suas memórias e aterrorizada só de pensar em sair à rua. A ligação de Anna ao mundo real é uma janela, junto à qual passa os dias a observar os vizinhos. Quando os Russells se mudam para a casa em frente, Anna sente-se desde logo atraída por eles - uma família perfeita de três pessoas que a fazem recordar-se da vida que já teve. Mas um dia, um grito quebra o silêncio e Anna, da sua janela, testemunha algo que ninguém deveria ter visto e terá de fazer tudo para encobrir o que presenciou . Mas mesmo que decida falar, irá alguém acreditar nela? E poderá Anna acreditar em si própria?

Um thriller eletrizante onde nada nem ninguém é o que parece.

Autor: A. J. Finn
Editor: Editorial Presença (Março, 2018) 
Género: Thriller
Páginas: 488
Original: The Woman in the Window (2018) 
 Goodreads Choice Award Nominee for Mystery & Thriller and for Debut Author (2018)

opinião
★★★★
«Sou uma prisioneira no meu mundo. E fora dele.» - p. 281

Anna não sai de casa há quase um ano. Vive sozinha - o marido e a filha já não moram com ela - sofre de stress pós-traumático e toma imensa medicação, incluindo, psicotrópicos, gasta parte do seu tempo a observar os vizinhos através da lente da sua Nikon e outra parte a usar os seus conhecimentos como psicóloga infantil para ajudar pessoas com quem conversa num fórum online. E bebe. Anna bebe muito…

Entretanto há uma novidade no bairro, os Russell, e Anna não se inibe de os espiar. Depressa fica a conhecer o filho, um adolescente tímido e claramente assustado com alguma coisa, o Sr. Russell, um homem aparentemente controlador e passa ainda uma agradável tarde a jogar xadrez e a conversar com a Sra. Russell.

Numa das suas sessões de «espionagem», Anna assiste ao brutal homicídio da Sra. Russell através da janela mas ninguém acredita nela, muito menos quando a Sra. Russell aparece à frente da polícia para dizer que não passa tudo de uma invenção. Mas Anna sabe o que viu, sabe que viu a Sra. Russell ser assassinada e sabe também que aquela mulher que ali está não é a Sra. Russell que passou a tarde na casa dela. Ou será tudo um produto da combinação de Merlot com a medicação?
«a minha mente é um profundo pântano de águas salobras: a verdade e a mentira misturam-se e confundem-se»

J. Finn avança com rapidez pela narrativa, mantendo-nos sempre interessados, surpreendendo-nos com algumas revelações e deixando-nos chegar às nossas próprias suspeitas e conclusões. Ao escrevê-lo na primeira pessoa, Finn prende-nos dentro de casa com Anna, dentro da sua mente torpe, sem saber se o que ela nos conta é sequer verdade!







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0 A Pensar em Ti | Opinião


Wook.pt - A Pensar em TiQuando a filha única de Ginny Holland sai de casa para a universidade, Ginny fica desesperadamente sozinha. Com um divórcio amigável para trás, quer começar de novo e preencher as horas solitárias sem a filha. Infelizmente, o primeiro homem que Ginny pensa ter ficado atraído por ela, acusa-a de tentar roubar um pavão de cerâmica que ela se esquecera que tinha na mão ao sair da loja. Decidida a conhecer pessoas novas, aluga um dos quartos da sua casa, mas o que consegue é a companhia de uma mulher que só fala do ex-namorado. Para piorar as coisas, quando Ginny arranja emprego num restaurante, descobre que o novo patrão é o mesmo que a acusou de roubar na loja. Será que as coisas ainda podiam ficar pior? Claro que sim! É que a sua filha, ainda a aprender a viver sozinha, acaba de cometer uma grande asneira e perder a melhor amiga. E, mais uma vez, vai ter de ser a mãe a resolver tudo!

Autor: Jill Mansell  
Editor: Edições Chá das Cinco (Maio, 2011)
Género: Romance
Páginas: 336
Original: Thinking of You (2007) 

opinião
★★★★☆

Não me apercebi das saudades que tinha de Jill Mansell até ter pegado neste livro – a narrativa pode ser pouco original e relativamente previsível (especialmente se já lemos alguns livros da autora), mas a forma como Jill nos conta as suas histórias nunca me cansa e, no final, fico sempre com pena por ter que abandonar os personagens à sua sorte.

A Pensar em Ti é um livro cómico e divertido em que há sempre qualquer coisa a acontecer e, na maior parte das vezes, qualquer coisa hilariante! Jill não se inibe de envergonhar os seus personagens e acabamos por dar com eles em situações tão ridiculamente comprometedoras que até nós coramos de vergonha.

Ginny sente-se sozinha com a saída de casa da filha que parte para a universidade. Numa nova fase da sua vida, Ginny acaba por arranjar um novo emprego, uma nova (e indesejada) inquilina e um novo namorado, aliando todas estas novidades à presença constante da sua melhor amiga e do ex-marido. Mas nada disto está realmente sob o controlo de Ginny, que se encontra sempre em situações indesejadas apenas porque prefere ficar calada a magoar a sensibilidade de alguém.

Alegrias, desilusões, muitas peripécias hilariantes e diálogos afiados… qualquer tempo com Jill Mansell é tempo bem passado!





outros livros de Jill Mansell →





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0 Becoming - A Minha História | Opinião


Wook.pt - Becoming - A Minha HistóriaNas suas memórias, uma obra de reflexão profunda e uma narrativa fascinante, Michelle Obama convida os leitores a entrar no seu mundo, relatando as experiências que a moldaram - desde a infância na zona sul de Chicago, passando pelos anos como executiva, equilibrando as exigências da maternidade e o trabalho, até ao tempo passado no endereço mais famoso do mundo..Terno, sábio e revelador, BECOMING é um relato íntimo de uma mulher de alma e substância que desafiou constantemente as expectativas - e cuja história nos inspira a fazer o mesmo.

Autor: Michelle Obama  
Editor: Objectiva (Novembro, 2018) 
Género: Memórias
Páginas: 400
Original: Becoming 
 Goodreads Choice Award Nominee for Memoir & Autobiography (2018)


opinião
★★★★☆
Com uma escrita honesta, direta e despretensiosa que combina muito bem com a imagem que temos de Michelle Obama, a ex-Primeira Dama dos Estados Unidos conta-nos o percurso da sua vida desde a infância até à atualidade; como se tornou na mulher que hoje conhecemos.

Com simplicidade, Michelle desmistifica a presidência e o dia-a-dia na Casa Branca na sua posição delicada de Primeira Dama que não chega a ser um cargo, não é um emprego e não tem funções definidas mas que Michelle usou como plataforma para uma influência positiva, recusando-se a ser um mero acessório na presidência. Estamos longe de ter uma ideia de como as coisas funcionam realmente na Casa Branca e é claro que Michelle não nos conta nem metade, mas esclarece algumas coisas sob o seu ponto de vista interessantíssimo.

Não conseguimos sequer imaginar a pressão sofrida por toda a família Obama durante os 8 anos que passaram na Casa Branca, com os olhos sempre postos em si, com todos os seus movimentos controlados e condicionados, com expectativas irreais para satisfazer. Não pode ter sido fácil.

Michelle sabe como chegar às pessoas e é inspiradora a boa disposição com que o casal parece encarar a vida, aliando-a a um sentido de responsabilidade que está a fazer muita falta hoje em dia para aqueles lados…E depois de tanto trabalho e esforço não imagino a frustração de olhar para o trabalho do sucessor e ver tanto progresso ser esmagado de modo absurdo, o estatuto da presidência ridicularizado diariamente.

Políticas à parte, Michelle Obama é uma pessoa com a qual simpatizei desde o início e gostei muito de a acompanhar neste livro.


Frases preferidas:
“A maioria das pessoas são boas pessoas desde que as tratemos bem” – 43

“O declínio é algo que pode revelar-se difícil de medir, sobretudo quando somos apanhados no meio” – 48

“Esse é capaz de ser o principal problema de nos preocuparmos muito com a opinião dos outros: pode pôr-nos no caminho já estabelecido! (…) Se calhar impede-nos de fazer um desvio, de alguma vez considerar sequer fazer um desvio, pois aquilo que nos arriscamos a perder, quanto à alta conta em que os outros nos têm, pode parecer-nos um preço demasiado alto para pagar” - 120

“Uma coisa era uma pessoa tentar sair de um lugar encalhado. Outra bem diferente era tentar desencalhar o lugar propriamente dito.” – 148

“Ou desistimos ou trabalhamos para mudar as coisas” - 148

“Vivemos à luz dos paradigmas que conhecemos” - 239




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