0 A Luz Entre Oceanos
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M. L. Stedman
A vida nesta ilha é pacata, mas Tom e Isabel vivem com a infelicidade de não terem filhos - Isabel não consegue dar à luz um bebé saudável.É depois de dois abortos espontâneos e de um nado-morto que dá à costa um barco onde viajavam um homem, agora morto, e um bebé, sobrevivente. Este episódio mudará para sempre a vida de Tom e de Isabel...e apenas mais tarde, quando lhes é revelada a história do bebé que acolheram, serão confrontados com as consequências da decisão que tomaram naquele dia...
Quando saem finalmente da ilha e regressam à sociedade, são relembrados de que existem mais pessoas no Mundo...e que uma delas está desesperada para encontrar o seu bebé...
Autor: M. L. Stedman
Editor: Editorial Presença (2012)
Páginas: 368
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A Minha Opinião:
M.L. Stedman leva-nos consigo numa viagem à Austrália
pós-guerra de 1918, tocando em pontos muito delicados como as cicatrizes
psicológicas deixadas nos sobreviventes; os traumas e as repercussões que uma
guerra desta envergadura pode deixar nos que ficam para a recordar.
É na construção de personagens que Stedman revela o seu
maior talento: a estruturação de personalidades multifacetadas e complexas
-realistas; que se mantêm consistentemente vincadas ao longo de toda a história.
Stedman tem a capacidade de intrincar tão maravilhosamente «O Bem» e «O Mal» em
cada uma destas personagens que torna-se difícil sequer distingui-los. Todos os
intervenientes têm os seus motivos solidamente justificados e as suas acções legitimadas com lógica: compreendemos o que levou cada um deles a fazer o que
fez, da forma como o fez, o que torna este livro nada menos que formidável.
Ex-combatente na guerra, Tom debate-se constantemente com
questões do seu passado, incluindo as terríveis vivências nos conflitos armados
mas também a ausência física da mãe na sua vida bem como a ausência sentimental
do pai na mesma. Tentando lidar o melhor possível com esta dor sombria e vazia
que lhe mancha a alma, Tom regressa ao seu país de origem para começar de novo.
De todos os faróis que salpicam a costa australiana,
mantendo as rotas de navegação seguras com o seu piscar interminável, há um que
parece chamar por Tom, levando-o a candidatar-se ao posto de faroleiro em Janus
Rock, uma ilha isolada que faria dele o único homem vivo em centenas de milhas.
E, como um farol que o guie pela escuridão dos terrores do
passado, até aportar num bem-aventurado futuro, Tom sente-se atraído pela
sinceridade de Isabel.
Mesmo numa ilha quase deserta, com um trabalho monótono e
repetitivo, os fantasmas do passado começam a dissolver-se e Tom é feliz, pois
basta-lhe Isabel para conjurar esta felicidade…Mas Isabel precisa de mais.
Precisa de um bebé a quem possa amar incondicionalmente…E depois de dois
abortos espontâneos e de um nascimento prematuro fatal, a dor da
impossibilidade de realizar este desejo abate-se sobre Isabel de forma quase
violenta.
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Por seu lado, Isabel parece alhear-se de toda esta
realidade, esforçando-se apenas por ser uma mãe dedicada e ignorando, não só o possível
sofrimento da verdadeira mãe da criança, mas também o facto de poderem estar a
prejudicar Tom profissionalmente, ou bem pior do que isso, se as suas ações
forem traduzidas como um crime legal. Isabel parece nem sequer perceber que as
suas perdas foram também as perdas do marido; que ele sufocou e calou o seu
sofrimento para poder acalmar o dela.
E entretanto «Lucy cresceu. A luz rodou. O tempo passou.»…
«A Luz Entre Oceanos» não é apenas comovente mas também inquietante:
torcemos ferozmente por todas as personagens envolvidas e ansiamos por um final
feliz para cada uma delas, porque afinal de contas «(…) ninguém é apenas a pior
coisa que já fez».
E a partir do momento em que entramos na trama, angustiamos
por conhecer a sua conclusão!
Nesta sua estreia, M. L. Stedman leva-nos a questionar até
onde iríamos para garantir a nossa felicidade, sabendo que cada momento dela
seria certamente vivido à custa da infelicidade de outros…
«A vida, (…) nunca se pode confiar nessa filha da mãe.»
«Resolve as coisas que podes resolver hoje e esquece as coisas antigas. Deixa o resto para os anjos, ou para o diabo, ou para quem quer que mande nelas.»
«(…) ninguém é apenas a pior coisa que já fez»
«Uma vida chegara e partira, e a natureza não se detivera nem um segundo por causa disso»
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