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0 O Rouxinol | Opinião


Wook.pt - O RouxinolNa  tranquila vila de Carriveau, Vianne despede-se do marido, Antoine, que parte para a frente da batalha. Ela não acredita que os nazis vão invadir a França… mas é isso mesmo que fazem, em batalhões de soldados em marcha, em caravanas de camiões e tanques, em aviões que enchem os céus e largam as suas bombas por cima dos inocentes. Quando um capitão alemão reclama a casa de Vianne, ela e a filha passam a ter de viver com o inimigo, sob risco de virem a perder tudo o que têm. Sem comida, dinheiro ou esperança, e à medida que a escalada de perigo as cerca cada vez mais, é obrigada a tomar decisões impossíveis, uma atrás da outra, de forma a manter a família viva. Isabelle, a irmã de Vianne, é uma rebelde de dezoito anos, que procura um objetivo de vida com toda a paixão e ousadia da juventude.

Enquanto milhares de parisienses marcham para os horrores desconhecidos da guerra, ela conhece Gäetan, um partisan convicto de que a França é capaz de derrotar os nazis a partir do interior. Isabelle apaixona-se como só acontece aos jovens… perdidamente. Mas quando ele a trai, ela junta-se à Resistência e nunca olha para trás, arriscando vezes sem conta a própria vida para salvar a dos outros. Com coragem, graça e uma grande humanidade, a autora best-seller Kristin Hannah capta na perfeição o panorama épico da Segunda Guerra Mundial e faz incidir o seu foco numa parte íntima da história que raramente é vista: a guerra das mulheres.

O Rouxinol narra a história de duas irmãs separadas pelos anos e pela experiência, pelos ideais, pela paixão e pelas circunstâncias, cada uma seguindo o seu próprio caminho arriscado em busca da sobrevivência, do amor e da liberdade numa França ocupada pelos alemães e arrasada pela guerra. Um romance muito belo e comovente que celebra a resistência do espírito humano e em particular no feminino. Um romance de uma vida, para todos.


Autor: Kristin Hannah   
Editor: Bertrand Editora (Junho, 2016) 
Género: Romance
Páginas: 504
Original: The Nightingale (2015) 
 Audie Award for Fiction (2016)
 Goodreads Choice Award for Historical Fiction (2015)

opinião
★★★★★

Comovente e inspirador, O Rouxinol é sobre todas as mães, esposas e filhas que ficaram para trás enquanto os maridos e filhos lutavam na guerra e que se viram obrigadas a lutar para sobreviver. É sobre toda a força, coragem e sacrifício que a sobrevivência exigiu. E sobre as consequências físicas, psicológicas e emocionais que resultariam dessa mesma sobrevivência.

Com uma escrita vívida e poderosa, Kristin Hannah leva-nos a acompanhar bem de perto as irmãs Vienne e Isabelle no início da Segunda Guerra Mundial, em França. Embora muito diferentes uma da outra, tanto Vienne como Isabelle, rodeadas de sofrimento, fome, violência e morte, se vêm forçadas a tomar decisões muito difíceis para conseguirem resistir durante anos tão difíceis e com tantas perdas. Cada uma à sua maneira, ambas revelam imensa coragem, arriscando tudo para tentar ajudar os outros.

Adorei o livro!






'The Nightingale is a heart-pounding story, based on a real Belgian woman who did what Isabelle did. Hannah's book is most searing as the horrors of war ratchet upward, from lines of hungry refugees fleeing their homes to Jews who are fired from their jobs, cut off from food supplies and forced to wear the cloth star of David that will mark them for the death camps. The novel's soaring finale proves that love conquers even Nazis.' - USA Today












Kristin Hannah nasceu em 1960 no sul da Califórnia. Aos 8 anos a família mudou-se para Western Washington. Trabalhou em publicidade, licenciou-se em Direito e trabalhou alguns anos em advocacia, em Seattle. Quando a gravidez a obrigou a ficar de cama durante vários meses, Kristin retomou uns textos antigos que tinha escrita em parceria com a falecida mãe, que sempre dissera que ela seria escritora. O marido encorajou-a e assim que o filho nasceu, Kristin abandonou a anterior atividade profissional e dedicou-se à escrita a tempo inteiro. O primeiro êxito surgiu em 1990 e desde então que a sua profissão é escrever. A autora já publicou 19 romances. Ganhou prestigiados prémios como um "Rita Award" (Romance Writers of América) em 2004 com Between Sisters, e o National Reader's Choice. A sua obra está traduzida em várias línguas. Vive com o marido e filho na costa noroeste dos Estados Unidos.


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0 O Som e a Fúria | Opinião


Wook.pt - O Som e a FúriaSom e a Fúria é a tragédia da família Compson, apresentando algumas das personagens mais memoráveis da literatura: a bela e rebelde Caddy, Benjy, o filho varão, o assombrado e neurótico Quentin; Jason, o cínico brutal, e Dilsey, o criado negro. Com as suas vidas fragmentadas e atormentadas pela história e pela herança, as suas vozes e ações enredam-se para criar o que é, sem dúvida, a obra-prima de Faulkner e um dos maiores romances do século XX.

William Faulkner afirmou muitas vezes que O Som e a Fúria era o romance mais próximo do seu coração porque era o que lhe tinha causado mais sofrimento e angústia a escrever. Neste magnífico romance, publicado pela primeira vez em 1929, Faulkner criou a «menina dos seus olhos», a bela e trágica Caddy Compson, cuja história nos conta através dos monólogos separados dos seus três irmãos: Benjy, o idiota; Quentin, o suicida neurótico; e o monstruoso Jason.

O Som e a Fúria é o seu quarto romance e a primeira das suas obras-primas indiscutíveis, aquela que, mais do que qualquer outra, confirmou Faulkner como figura central da literatura do século XX.


Autor: William Faulkner    
Editor: Leya (11/2017) 
Género: Romance
Páginas: 304
Original: The Sound and the Fury (1929) 
 xxxpremio

opinião
★★★★★


My rating: 5 of 5 stars

Produto do seu tempo e espaço, obcecados com as aparências e refugiados nos ideais que sempre lhes serviram de bússola, os Compson têm imensa dificuldade em acompanhar as mudanças que têm lugar na primeira metade do século XX, no Mississípi, onde a segregação social e a distinção social são ainda realidades diárias.

A decadência da família é uma história trágica, carregada de dor e desespero. Afetados de diferentes maneiras pelos mesmos acontecimentos, cada Compson segue um caminho divergente… e é neste ponto que o escritor fez um trabalho brilhante: Faulkner criou uma narrativa única recorrendo a diferentes pontos de vista cheios de lacunas, contradições e opiniões muito próprias. Sem nos dar qualquer informação de antemão ou sequer algumas pistas, o autor anda com a história para a frente, arrastando-nos com ele, confusos, tentando recolher e juntar as diferentes peças a que vamos tendo acesso. A ausência de uma narrativa linear, torna a leitura difícil e confusa, mas que compensa largamente.

É Benjy, doente mental, que nos apresenta à família. A sua é a perspectiva mais confusa, com saltos no tempo e no espaço sem qualquer aviso ou lógica. Temos que fazer um esforço extra para o acompanhar e tentar perceber o que se passa à sua volta através de um ponto de vista patologicamente comprometido. Senti-me presa com Benjy no meio da confusão e da incompreensão; fui atingida por uma sensação de impotência e tristeza que acabou por tornar esta primeira parte a minha preferida do livro. Ninguém tenta compreender Benjy, não tentam sequer comunicar com ele, consideram-no um fardo, um castigo, e perdemos a conta ao número de vezes que o mandam calar sem tentar perceber o que se passa com ele, que ideia pode estar a tentar transmitir. E é com ele que começamos a perceber muito superficialmente os problemas da família e o carácter de alguns dos seus membros. E é também com Benjy que ficamos com um sentimento de triste inevitabilidade em relação ao futuro dos Compson.

Continuamos o nosso tempo com a família com os irmãos de Benjamin: o neurótico, deprimido, obcecado e atormentado Quentin e depois com o hipócrita, racista, frustrado e cruel Jason, o preferido da mãe, que adora fazer-se de vítima e fazer julgamentos sobre a vida alheia.

O Som e a Fúria, fortemente subjetivo, habilmente complexo e extraordinariamente emotivo é um livro poderosíssimo ao qual não conseguimos ficar indiferentes.


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 Frases Preferidas 
«Qualquer homem vivo está melhor do que qualquer homem morto, mas nenhum homem vivo ou morto está muito melhor do que outro homem vido ou morto» - 106

«Tento tratar bem toda a gente - disse ele. - Não faço distinções sociais. Para mim, um homem é sempre um homem, onde quer que o encontre» - 104

«Estás a confundir pecado com moralidade, as mulheres não fazem isso» - 106

«O homem é o somatório das suas desgraças» - 108

«As mulheres têm afinidade com o mal, por não acreditarem que mulher alguma é digna de confiança, mas que alguns homens são ingénuos demais para se protegerem delas» - 109

«Suponho que as pessoas, à força de se gastarem tanto a si e aos outros pelas palavras, são pelo menos coerentes ao reconhecerem sabedoria numa língua calada» - 120

«o dinheiro tem sarado mais chagas que Jesus» - 174

«e eu temporário e ele era a palavra mais triste de todas nada mais existe no mundo não é o desespero até ao fim do tempo não é sequer o tempo de dizermos foi» - 174


«é sempre alguém que nunca fez grande coisa na vida que nos vem dizer como havemos de governar a nossa» - 236




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0 A Inquilina de Wildfell Hall | Opinião

Wook.pt - A Inquilina de Wildfell Hall

Quando Wildfell Hall foi habitada por uma moradora, todos nos vilarejo ficaram especulando quem seria a misteriosa inquilina.Jovem e bonita, porém avessa a atividades sociais, a viúva e o filho despertaram muita curiosidade, falatórios e o interesse do belo Gilbert Markhan, um jovem fazendeiro que descobre que Helen Graham é uma pintora de paisagens de grande capacidade. O ar de segredo de Mrs. Graham, contudo, induz o cavalheiro a supor que ela está se escondendo de alguém. Mas, de quem?

Autor: Anne Brontë
Editor: Publicações Europa-América
Género: Romance
Páginas: 400
Original: The Tenant of Wildfell Hall (1848) 

Opinião
★★★★★

Quando Helen Huntingdon se muda com o filho para as redondezas, o jovem Gilbert não consegue deixar de ficar curioso sobre o mistério que rodeia o seu passado. Os rumores, tendencialmente maldosos, espalham-se rapidamente pela população local, mas só Gilbert consegue descobrir a verdade. Helen fugiu do inferno que era o seu casamento com um bêbado conflituoso, irresponsável e negligente.

A coragem por detrás desta decisão, não apenas escandalosa mas ilegal na época, torna Helen uma personagem notável! Tendo sofrido imenso durante anos nas mãos do marido, aguentando estoica e pacientemente os abusos de que era vítima e tentando responder sempre do modo mais sensato possível, Helen decide que já chega. Brontë foi muito inteligente ao permitir-nos acesso aos diários pessoais de Helen já que nos aproxima muito do seu sofrimento ao mesmo tempo que nos mostra como a inteligência e independência de Helen contrastam notavelmente com as das mulheres do seu tempo. Apesar de extremamente paciente, não há resignação possível quando está em risco o próprio filho e Helen decide arriscar tudo para garantir a sua segurança.

The Tenant of Wildfell Hall é um livro fantástico que explora, de forma bastante emocional mas sem floreados e agradavelmente explícita para a época, temas como o alcoolismo e o peso que esse vício tem no ambiente familiar, a violência doméstica, o adultério e a falta de voz que as mulheres tinham perante todas estas situações. Vivendo exclusivamente como uma extensão dos seus maridos, era esperado que as mulheres sofressem em silêncio, sem objetivos próprios, sem sonhos ou esperanças além das dos cônjuges. É fantástico ver Helen quebrar todas estas barreiras.


Frases Preferidas [ISBN: 9781853264887]:

"you prefer her faults to other peoples perfections?" 13

“There is such a thing as looking through a person's eyes into the heart, and learning more of the height, and breadth, and depth of another's soul in one hour than it might take you a lifetime to discover, if he or she were not disposed to reveal it, or if you had not the sense to understand it.” 75

"however little you may value the opinions of those about you - however little you may esteem them as individuals, it is not pleasent to be looked upon as a liar and a hypocrite, to be thought to practice what you abhor, and to encourage the vices you would discountenance, to find your good intentions frustrated, and your hands crippled by your supposed unworthiness, and to bring disgrace on the principles you profess" 80

"I would rather have your friendship than the love of any other woman in the world" 82

"reason forbids, but passion urges strongly; and I must pray and struggle long ere I subdue it." 247

"He knows that God is just, but cannot see his justice now: he knows this life is short, and yet death seems insufferably far away; he believes there is a future state, but so absorbing is the agony of this that he cannot realize its rapturous repose. He can but bow his head to the storm, and cling, blindly, despairingly, to what he knows to be right." 271




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1 O Reino do Meio | Opinião

As Flores de Lótus
Trilogia do Lótus 1
Pode uma ideia mudar o mundo?
 O século XX nasce, e com ele germinam as sementes do autoritarismo. Da Europa à Ásia, as ondas de choque irão abalar a humanidade e atingir em cheio quatro famílias.

Inspirando-se em figuras históricas como Salazar e Mao Tse-tung, o novo romance de José Rodrigues dos Santos conduz o leitor numa viagem arrebatadora que nos leva de Lisboa a Tóquio, de Irkutsk a Changsha, do comunismo ao fascismo o que faz de As Flores de Lótus uma das mais ambiciosas obras da literatura portuguesa contemporânea.


Autor: José Rodrigues dos Santos  
Editor: Gradiva (Outubro, 2015) 
Género: Romance
Páginas: 688


Excerto
O olhar de Salazar desviou-se momentaneamente para a janela do automóvel. Caíam lá fora os primeiros pingos de chuva, provenientes da treva, que deslizavam em ziguezague pelos vidros como se a noite despejasse lágrimas, mas logo surgiram nos passeios as luzes amareladas dos candeeiros noturnos, sinal seguro de que entravam em Lisboa.
“Para que se fez esta revolução se é para ficar tudo na mesma?”
“Na mesma?”, admirou-se o general Carmona. “O que quer o senhor dizer com isso?”
“O problema do país, senhor general, são os partidos!”, exclamou Salazar, a voz a ganhar veemência. “Os partidos, está vossa excelência a entender? Foi justamente a ação nefasta dos políticos e dos partidos que pôs o país onde ele está, senhor general. Ao contrário do que apregoam aos quatro ventos, os partidos não existem para servir o povo, mas para servir as suas clientelas. Fingindo servir a população, os partidos servem-se a si mesmos e apenas deixam ao país umas migalhas do banquete que engorda as suas gentes. Essa é que é a raiz do problema!”


Opinião
★★★★★
O livro As Flores de Lótus é, para mim, os dos trabalhos mais entusiasmantes do autor. Através deste primeiro livro, cuja continuação será intitulada O Pavilhão Púrpura, acompanhamos a evolução política internacional no início do século XX, através de quatro famílias: os Teixeiras de Portugal, os Yang da China, os Satake do Japão e os Skuratov da Rússia.

Esta diversidade faz-se obviamente acompanhar de grande complexidade e, por isso, não aconselho a leitura deste livro a quem não se sentir atraído pelo tema político, já que este é vastamente explorado através de uma considerável quantidade de informação, como já é imagem de marca do autor, e com algumas das noções a serem inclusivamente repetidas ao longo da narrativa.

José Rodrigues dos Santos já nos escreveu o suficiente para sabermos de antemão que os seus romances não serão sobre casais que se encontram por capricho do destino para viver um romance em tempos difíceis…aqui os tempos absorvem o protagonismo da narrativa e o conhecimento, mais do que motivos de entretenimento, perfaz o livro.

Nomes como Marx, Engel, Lenine, Mussolini, Mão Tse Tung, Confúcio, Estaline, Maquiavel e Salazar, entre outros, são referenciados para narrar o encaminhamento que conhecemos hoje à História. Além das crises sucessivas que decorreram em Portugal e que levariam à ditadura de Salazar, acompanhamos a revolução bolchevique. Observamos como, depois de instaladas na Rússia, as perigosas correntes do pensamento comunista são exportadas para a China, país que teve a sua quota de derrotas e onde se pretende agora que a revolução elimine de uma vez o imperialismo e o feudalismo.

Sob a interpretação de que a violência é uma força criadora, a luta entre classes e a instabilidade social desdobra-se pelo Mapa-mundo. O proletariado é levado a conjeturar que entre impetuosidade, violência, ditadura e desrespeito pela autoridade encontrará a sua vitória mas nós «vemos» nesta narrativa a sucessão de contradições e incoerências produzidas. A propriedade científica do socialismo é manifestamente contestada quando se torna óbvio que mudanças positivas para o povo podem ocorrer, sem violência, dentro de um sistema democrático e capitalista. A comparativamente frágil Rússia rende-se ao comunismo, quando países ocidentais mais poderosos e bem-sucedidos seguem políticas diferentes e onde os trabalhadores adquirem mais direitos sem recorrer à revolução.

Por se debruçar sobre temas pelos quais sempre me senti naturalmente atraída, calculei de que fosse apreciar este livro, mas fiquei positivamente surpreendida com a inclusão da tradição/cultura japonesa, decorrente de reflexões e interpretações existenciais tão diferentes das nossas. Fukui - uma das minhas personagens preferidas do livro - aprende desde cedo que, no Japão, fingir era bem mais adequado do que mostrar fraqueza e que o sentido de honra era para ser elevado ao expoente máximo, potencialmente sacrificial.

Fiquei igualmente agradada por encontrar algumas melhorias no escritor, como romancista. Mas, embora compreenda que seja uma forma de envolver personagens com conteúdo histórico, não nego que me vi algumas vezes arreliada por constatar que o autor continua a insistir em enfiar a maioria do esclarecimento teórico nas palavras dos seus personagens, resultando em alguns diálogos que ou são improváveis ou ocorrem em alturas inverosímeis… ou ambos.

Ignorando parte deste último parágrafo, gostei muito do livro e estou, como disse, desejosa de ler o próximo!


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Frases Preferidas
«um político mentiroso não devia ser corrido? No fim de contas, se a república significa a sabedoria do povo, e se os políticos mentem ao povo, não deveriam ser imediatamente afastados?» - p. 292
«A turba prefere sempre os pratos saborosos do cozinheiro aos remédios amargos do médico» - p. 294

O Pavilhão Púrpura
Trilogia do Lótus 2
Wook.pt - O Pavilhão PúrpuraNova Iorque, 1929. A bolsa entra em colapso, milhares de empresas fecham, milhões de pessoas vão para o desemprego. A crise instala-se no planeta.

Salazar é o ministro das Finanças em Portugal e a forma como lida com a Grande Depressão granjeia-lhe crescentes apoios. Conta com Artur Teixeira para subir a chefe de governo, mas primeiro terá de neutralizar a ameaça fascista.

O desemprego lança o Japão no desespero. Satake Fukui vê o seu país embarcar numa grande aventura militarista, a invasão da Manchúria, na mesma altura em que tem de escolher entre a bela Harumi e a doce Ren.

Lian-hua escapa a Mao Tse-tung e vai para Peiping. É aí que a jovem chinesa e a sua família enfrentam as terríveis consequências da invasão japonesa da Manchúria.

A crise mundial convence os bolcheviques de que o capitalismo acabou. Estaline intensifica as coletivizações na União Soviética e o preço, em mortes e fome, é pago por milhões de pessoas. Incluindo Nadezhda.

O mundo à beira do abismo.

Considerado pelos portugueses o seu maior escritor, José Rodrigues dos Santos acompanha-nos numa viagem palpitante à perigosa década de 1930 na companhia de figuras históricas como Salazar e Chiang Kai-shek. O Pavilhão Púrpura traz-nos o segundo tomo da mais ambiciosa saga da literatura portuguesa contemporânea.


Autor: José Rodrigues dos Santos  
Editor: Gradiva (Maio, 2016) 
Género: Romance
Páginas: 702


Opinião
★★★★✩
As personagens de José Rodrigues dos Santos não conversam, discursam.

Em cada trabalho, José Rodrigues dos Santos aprofunda muito pormenorizadamente um tema central e é por esse motivo que eu começo por dizer, à laia de aviso, que se não temos interesse no tema principal de um dos seus livros, como já me aconteceu no passado, mais vale deixar que nos passe ao lado. As longas exposições teóricas já fazem parte do estilo do escritor.

Posto isto, uma vez que o conteúdo documentado nesta trilogia me interessa sobremaneira, posso dizer que gostei muito tanto de Flores de Lótus como deste O Pavilhão Púrpura. Livros que, já agora informo, devem mesmo ser lidos pela ordem de publicação. 

Neste segundo volume encontramos o capitalismo e, consequentemente, a democracia manchados pela Grande Quebra de Wall Street. Em Portugal, as medidas de Salazar impediram que a tragédia se fizesse sentir em maior extensão, mas o grande rigor orçamental deste ministro das finanças que ansiava chefiar o governo abre espaço para algum descontentamento, nomeadamente entre os militares. 

Na união soviética, disposto a tudo para ultrapassar os países capitalistas e mostrar a superioridade do comunismo, Estaline avança com a sua 'fantasia teórica', cometendo enormes atrocidades contra o povo, obrigando-os a uma vida de miséria e servidão pior que a que levavam anteriormente. 'O comunismo viera para os libertar, mas estava a escravizá-los' - p. 91
Japão começa a afastar-se das ideias tradicionais do xintoísmo e do confucianismo. A grande quebra nas exportações nacionais virou-os contra o capitalismo e a democracia ocidentais; encontraram salvação durante a terrível depressão económica na Manchúria, mas o nacionalismo chinês ameaça os interesses japoneses.  Em vários pontos do mundo ouve-se falar sobre higiene racial - a eugenia... E da Alemanha começam a chegar notícias de um tal senhor Hitler. 

É no meio destes acontecimentos e importantes nomes da História que se encontram as personagens que começámos a acompanhar no livro anterior. Com existências muito diferentes e experimentando o início do século de forma distinta,  Fukui, Artur, Lian-hua e Nadija têm as suas próprias lutas para travar e problemas para ultrapassar. Artur tem especial interesse por nos aproximar de Salazar, das suas ideologias, opiniões, estratégias e manipulações. 
'(...) o Artur, o Fukui, a Lian-hua e a Nadija, pessoas ordinárias que se viram em situações extraordinárias e que, pela forma como as souberam superar, se tornaram elas próprias extraordinárias.' - p. 695
Inicialmente, o ritmo consideravelmente lento da narrativa manteve-me ligeiramente desiludida, mas o escritor acabou por aumentar a passada, a acção e, desta forma, também o meu interesse. Claro que há sempre espaço para melhoria, a mim parece-me que José Rodrigues dos Santos tem especial dificuldade em colocar-se na pele das suas personagens, o que resulta no género de falta de emoção que não gostamos de encontrar num romance. Além disso, já o disse antes mas repito, aborrece-me a insistência do autor em querer enfiar o máximo de informação nos diálogos, fazendo assim com que as conversas me soem falsas e pouco realistas. 

Ignorando isso - estou a gostar muito desta viagem pelo conturbado século XX que me permitiu aprender sobre as tradições e filosofias do mundo oriental e assistir ao prólogo das diversas circunstâncias que viriam a mudar o mundo!



Frases Preferidas
'Uma das razões pelas quais o parlamentarismo lançou o país no caos foi justamente a política de cunhas e trocas de favores e tráfico de influências que se instalou de forma endémica, com a colocação de pessoas não qualificadas em funções de responsabilidade. (...) Povoado de incompetentes bem-falantes em lugares de chefia, o país começou a definhar' - p. 374-375

'O poder só pode agradar aos tolos ou aos predestinados.' - p. 375

'Com os obstáculos que o destino nos ergue pelo caminho seremos capazes de nos tornar pessoas melhores, de aprender que a vida deve ser vivida como se cada minuto fosse o último, como se cada instante encerrasse um tesouro? Ou tornar-nos-emos seres amargos e atormentados que encaram o privilégio da existência como um fardo que se arrasta penosamente? O que é a vida senão um exame?' - p. 694

'O conhecimento, a cultura, não servem para mobilar um espírito mas para formá-lo.' - p. 544

O Reino do Meio
Trilogia do Lótus 3
Wook.pt - O Reino do MeioA guerra rebenta em Espanha e o Japão invade a China. Uma relação extraconjugal nos Açores, o atentado contra Salazar e as intrigas palacianas em Tóquio aproximam o coronel Artur Teixeira do cônsul Satake Fukui na mais imprevisível e perigosa das cidades - a Berlim de Adolf Hitler. Lian-hua, a chinesa dos olhos azuis, está prometida a um desconhecido quando vê os japoneses entrarem em Pequim e a sua vida se transforma num inferno. O mesmo espetáculo é observado pela russa Nadezhda Skuratova em Xangai, onde se apaixona por um português que a forçará a uma escolha impossível. A Berlim do blackout, dos boatos e das anedotas, do Hotel Adlon, das suásticas que brilham à noite e das lojas vazias com vitrinas cheias; a Pequim das mei po casamenteiras, dos chi pao de seda, dos cules e dos riquexós; a Tóquio do Hotel Imperial, dos golpes no Kantei, do zen e dos códigos de honra giri e ôn; e a Xangai da Concessão Internacional, dos portugueses do Clube Lusitano, dos néones, do Bund, das taxi-girls russas e dos bordéis. Senhor de uma prosa sem igual, José Rodrigues dos Santos está de regresso ao grande romance com a conclusão da história inesquecível das quatro vidas que o totalitarismo moldou. Lendo-se como um romance autónomo, O Reino do Meio encerra em grande estilo a polémica Trilogia do Lótus, uma das mais ambiciosas e controversas obras da literatura portuguesa contemporânea.

Autor: José Rodrigues dos Santos  
Editor: Gradiva (Setembro, 2017) 
Género: Romance
Páginas: 704

Opinião
★★★
O Reino do Meio encerra a Trilogia do Lótus; uma trilogia que segui com muito interesse não apenas as histórias dos personagens mas também esta reflexão de José Rodrigues dos Santos sobre os autoritarismos e totalitarismos que se instalaram, não sem contexto nem ao acaso, na primeira metade do século XX.

Embora menos do que dos dois livros que o antecedem, gostei consideravelmente d'O Reino do Meio. Sendo, dos três livros, o de menor carga teórica este terceiro volume foi, em consequência disso mesmo, o menos interessante para mim. Fiquei também um bocadinho desiludida com o final; vendo bem quem é que gosta de seguir um personagem ao longo de três livros e ver o seu futuro ser rematado desta forma: «teve o seu próprio destino e decerto um dia alguém o contará, alguém que não eu, entenda-se»? Acho que estes fantásticos personagens - e o leitor também - mereciam uma conclusão menos apressada.

Pormenores à parte, é de louvar a conclusão de um projeto tão ambicioso tendo em conta a complexidade das dinâmicas que aborda - o seu autor está definitivamente de parabéns!


Frases Preferidas
«Que estranho fenómeno era aquele que dava aos homens tanto ânimo para enfrentarem o perigo e tanto medo de encararem uma mulher? Porque se dispunham a correr para as balas assassinas e a fugir das lágrimas femininas? O que haveria no campo de batalha dos sentimentos que tanto os assustava? A intimidade? A fraqueza? A exposição da sua fragilidade?» - 100 
«uma conversa em que uma das pessoas fala sem cessar e a outra finge que ouve enquanto deambula na solidão dos seus pensamentos» - 103 
«As palavras bonitas fazem parte da relação correta entre as pessoas e cultivam os bons sentimentos. Porquê evitá-las?» - 176 
«(…) os socialismos nacionalistas russo, italiano e alemão são respostas à fraqueza, às derrotas e à humilhação da Rússia, da Itália e da Alemanha durante a guerra e diante das potências capitalistas ocidentais» - 225 
«As ideias nazistas não apareceram de repente, vindas do nada. Têm um contexto e são a concretização política de um conjunto de conceitos que vêm do século XV, que foram alimentados por grandes vultos intelectuais (…)» - 446





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