Mostrando postagens com marcador 4 estrelas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 4 estrelas. Mostrar todas as postagens

0 Porquê a Guerra? | Opinião


Wook.pt - Porquê a Guerra?Obra clássica sobre o pensamento e a natureza humana. Em 1931, o Instituto para a Cooperação Intelectual convidou Einstein, já então um físico reconhecido, para iniciar uma troca de ideias, sobre a natureza humana, política, guerra e paz, com alguém cuja dimensão intelectual e trabalho merecessem a admiração do próprio Einstein. O criador da teoria da relatividade, ainda que reticente acerca da psicanálise, escolheu Freud. O resultado está neste livro, que permite um lugar privilegiado para observar de perto o diálogo, os pensamentos e as argumentações de dois cérebros que marcaram a História e cujas ideias são ainda influentes no nosso tempo. Esse diálogo escrito, sobre os instintos violentos do homem, as enfermidades sociais ou os poderes do Estado, começaria com uma inquietação de Einstein: "Existe alguma forma de livrar a humanidade da ameaça da guerra?"

Autor: Sigmund Freud e Albert Einstein
Editor: Cultura Editora 
Género: Epístolas e Cartas
Páginas: 72
Original: Warum Krieg? (1933) 

opinião
★★★★


«Entre um passado de violência extrema e o devir de uma paz duradoura, Einstein e Freud pensaram a natureza bélica do homem» (pág. 14)

O livro Porquê a Guerra deixou-me dividida entre genuíno interesse pelo seu conteúdo e a sensação de ter sido induzida em erro pela contracapa. Isto porque este «diálogo escrito sobre os instintos violentos do homem» trata-se na realidade de uma carta de Einstein dirigida a Freud, da resposta deste último ao seu remetente e do comentário escrito pelo professor universitário Felipe Pathé Duarte (que constitui mais de metade do livro)…

A troca de ideias entre Einstein e Freud ocorre antes da criação de uma organização supranacional que emitisse julgamentos de autoridade incontestáveis, no pós-Primeira Guerra Mundial. Einstein coloca a questão: existe alguma forma de livrar a humanidade da ameaça da guerra? e Freud trabalhou a sua melhor resposta em volta desta dúvida.

A ideia de acabar de uma vez por todas com a guerra é, no mínimo, ingénua. Monopolizado pelo Estado desde o século XVII, o conflito armado tem como ponto de partida as relações internacionais, tratando-se de uma prossecução da Política por outros meios. Freud explora o instinto destrutivo do Homem e conclui que uma entidade mantém-se unida por força coerciva da violência e de laços emocionais, pelo que uma comunhão de sentimentos e identificações é a forma de contrariar a guerra.

Desde os conflitos que Einstein e Freud conheceram, temos vindo a observar a evolução da forma de fazer a guerra, conforme os avanços tecnológicos o permitem. Felipe Pathé Duarte alerta para «uma guerra sem emoções, uma guerra sem envolvimento humano», em que o soldado, longe do campo de batalha, é afetado pela dissociação e dessensibilização em relação à violência armada.

View all my reviews



Leia mais...

0 Menina Júlia | Opinião



Wook.pt - Menina Júlia
Júlia é uma jovem aristocrata que, por detrás de uma inocência aparente esconde um lado provocador. Numa noite de S. João, Júlia seduz e é seduzida por João, criado do senhor Conde e noivo de Cristina, a cozinheira da casa. Desejo, conflitos de poder, o choque violento das classes sociais e dos sexos que povoam aquela que será uma noite trágica.

Autor: August Strindberg
Editor: Bicho do Mato
Género: Teatro
Páginas: 80
Original: Fröken Julie (1888) 





opinião
★★★★☆

Inimigos e amantes, Júlia e João são um produto do seu tempo. Ambos são vítimas das circunstâncias, reféns da sua fraca natureza, exemplos da diferença entre classes.

Júlia aprendeu com a mãe a odiar os homens. É gozada e criticada pelos que a rodeiam, que a vêm como uma excêntrica. João é um mentiroso de duplo carácter, vive preocupado com a sua reputação, quer subir na vida e vê em Júlia – a filha do Conde – um meio para atingir um fim.

Acompanhamos os seus diálogos (propositadamente) incoerentes, os temas a mudar a uma velocidade vertiginosa, consequência da pouca atenção que dão às palavras um do outro. E seduzidos por este conflituoso romance que se desenrola à nossa frente, quando damos por isso já é tarde demais, tudo desmorona. João percebe que o ramo que escolheu como o primeiro para subir na vida estava afinal podre. Júlia, cansada e sem forças, não vê solução além da derradeira saída de cena “Não posso arrepender-me, não posso fugir, não posso ficar, não quero viver…nem morrer” – 77

É notável a habilidade que Strindberg tem para, em poupas palavras, nos deixar com tantas ideias e imagens, transmite-nos astutamente toda a multiplicidade que pretendia, deixando-nos por dentro dos objetivos, esperanças, receios e motivos dos seus personagens. A energia com que escreve e a economia de palavras com que o faz empurra-nos rapidamente para um final que, parecendo-nos que chega depressa demais, tem uma concretização verdadeiramente inquietante.


View all my reviews

Frases Preferidas
“Se é verdade que um ladrão pode entrar no céu e estar ao pé dos anjos, porque não há-de, nesta terra de Deus, o filho de um camponês brincar no parque com a filha do conde” – 38

“Se agora me deixasse levar pelo sentimento, deitava tudo a perder. Temos de encarar toda esta situação friamente, como pessoas sensatas.” – 46

“JÚLIA: E agora despreza-me. Vou a cair. Vou a cair.
JOÃO: Caia até à minha altura, e eu ajudo-a a pôr-se de pé.” – 47

“As tolices com fantasia é que atraem as mulheres.” – 49

“Não posso negar que estou feliz por afinal ter descoberto que afinal o que nos deslumbrava cá em baixo era só um reflexo da lua e que o dorso do falcão é cinzento também, tão cinzento como o pó que o cobre dessa cor suave, e que as unhas polidas podem encher-se de negro, e que o lenço perfumado às vezes está sujo.” – 51

“O mundo está cheio de amor, o que tem é que não dura muito.” - 57

 “Se cospe em cima de mim, não se espante de eu me limpar em si” – 59


“Ah! Fugir é possível, é possível sim, só que as recordações vão também nas carruagens do comboio, e os remorsos e a culpa” – 66




Leia mais...

0 Peças de Oscar Wilde

The Importance of Being Earnest

Wook.pt - The Importance Of Being EarnestOscar Wilde's madcap farce about mistaken identities, secret engagements, and lovers entanglements still delights readers more than a century after its 1895 publication and premiere performance. The rapid-fire wit and eccentric characters of The Importance of Being Earnest have made it a mainstay of the high school curriculum for decades. 
Cecily Cardew and Gwendolen Fairfax are both in love with the same mythical suitor. Jack Worthing has wooed Gwendolen as Ernest while Algernon has also posed as Ernest to win the heart of Jack's ward, Cecily. When all four arrive at Jack's country home on the same weekend the "rivals" to fight for Ernest's undivided attention and the "Ernests" to claim their beloveds pandemonium breaks loose. Only a senile nursemaid and an old, discarded hand-bag can save the day!
This Prestwick House Literary Touchstone Edition includes a glossary and reader's notes to help the modern reader appreciate Wilde's wry wit and elaborate plot twists.


Autor: Oscar Wilde
Género: Romance
Páginas: -
Original: The Importance of Being Earnest

Opinião
★★★★
The Importance of Being Earnest , a 5ª peça que leio de Oscar Wilde, está obviamente entre as minhas preferidas. 

 Despojando-se do melodrama que pontua as suas outras peças, aqui Wilde criou uma narrativa intrincada e genuinamente cómica, bem atestada com a inteligência e a perspicácia que caracterizam os diálogos dos seus personagens e que tornam esta leitura um verdadeiro prazer 😍

Frases Preferidas

"The truth is rarely pure and never simple."

"I do not approve of anything that tampers with natural ignorance. Ignorance is like a delicate exotic fruit; touch it and the bloom is gone."

"I'll bet you anything you like that half an hour after they have met, they will be calling each other sister.
Women only do that when they have called each other a lot of other things first." 

"In matters of grave importance, style, not sincerity, is the vital thing."

"He has nothing but he looks everything"



An Ideal Husband

Wook.pt - An Ideal HusbandAlthough Oscar Wilde (1854–1900) created a wide range of poetry, essays, and fairy tales (and one novel) in his brief, tragic life, he is perhaps best known as a dramatist. His witty, clever drama, populated by brilliant talkers skilled in the art of riposte and paradox, are still staples of the theatrical repertoire. An Ideal Husband revolves around a blackmail scheme that forces a married couple to reexamine their moral standards — providing, along the way, a wry commentary on the rarity of politicians who can claim to be ethically pure. A supporting cast of young lovers, society matrons, an overbearing father, and a formidable femme fatale continually exchange sparkling repartee, keeping the play moving at a lively pace. Like most of Wilde's plays, this scintillating drawing-room comedy is wise, well-constructed, and deeply satisfying. An instant success at its 1895 debut, the play continues to delight audiences over one hundred years later. An Ideal Husband is a must-read for Wilde fans, students of English literature, and anyone delighted by wit, urbanity, and timeless sophistication.

Autor: Oscar Wilde
Género: Romance
Páginas: -
Original: An Ideal Husband


Opinião
★★★★☆

Com as habituais doses de melodrama e sagacidade, An Ideal Husband traz-nos a história de um político cuja carreira – como a de tantos outros – tem origem em desonestidade. Assim, a sua carreira, posição social e casamento ficam sob ameaça quando Robert se vê alvo de um esquema de chantagem.

Mais uma vez, diverti-me bastante a imaginar um trabalho de Oscar Wilde em cena, criando cenários e personagens na minha imaginação. Contudo, apesar de ter apreciado a história, o seu conteúdo e mensagem não me interessaram tanto como nas outras peças. 

Frases Preferidas
“Sir Robert Chiltern: You think science cannot grapple with the problema of women?
Mrs. Chevely: Science can never grapple with the irrational.”

“You see, i tis a very dangerous thing to listen. I fone listens one may be convinced; and a man who allows himself to be convinced by na argumente is a thoroughly unreasonable person”

“Women have a wonderful instinct about things. They can discover everything except the obvious.”

“Do you really think ... that it is weakness that yields to temptation? I tell you that there are terrible temptations that it requires strength, strength and courage, to yield to.”

“When the gods wish to punish us they answer our prayers.”

“Well, she wore far too much rouge last night, and not quite enough clothes. That is always a sign of desperation in a woman.”

“It is always worth while asking a question, though it is not always worth while answering one.”

“Nothing is so dangerous as being too modern. One is apt to grow old-fashioned quite suddenly.”

"Morality is simply the attitude we adopt towards people we personally dislike"

“Oh, damn sympathy. There is a great deal too much of that sort of thing going on nowadays.”

“Everybody one meets is a paradox nowadays. It is a great bore. It makes society so obvious.”

“Lord Arthur Goring : I am glad you have called. I am going to give you some advice.
Laura : Oh pray, don't. One should never give a woman something that she can't wear in the evening.”

“My dear father, if we men married the women we deserved, we should have a very bad time of it.”

“Loveless marriages are horrible. But there is one thing worse than an absolutely loveless marriage. A marriage in which there is love, but on one side only; faith, but on one side only; devotion, but on one side only, and in which of the two hearts one is sure to be broken.”


A Woman of no Importance

Wook.pt - Woman Of No ImportanceOscar Wilde's audacious drama of social scandal centres around the revelation of Mrs Arbuthnot's long-concealed secret. A house party is in full swing at Lady Hunstanton's country home, when it is announced that Gerald Arbuthnot has been appointed secretary to the sophisticated, witty Lord Illingworth. Gerald's mother stands in the way of his appointment, but fears to tell him why, for who will believe Lord Illingworth to be a man of no importance?


Autor: Oscar Wilde
Género: Romance
Páginas: -
Original: A Woman of no Importance

Opinião
★★★★☆
All love is terrible. All love is a tragedy
Em A Woman of no Importance a sociedade britânica vê-se mais uma vez na mira do apuradíssimo sarcasmo de Oscar Wilde. Satirizando em especial a desigualdade de género, o autor mostra-nos, numa narrativa carregada de sarcasmo e comédia, como na época – tal como agora – a mesma situação pode ter desfechos muito diferentes para o homem e para a mulher.
“The secret of life is to apppreciate the pleasure of being terribly, terribly deceived.”

View all my reviews

Frases preferidas:
“Nothing should be out of the reach of hope. Life is a hope.”

“In a Temple every one should be serious, except the thing that is worshipped.”

“One should never trust a woman who tells one her real age. A woman who would tell one that would tell one anything.”

“Men always want to be a woman’s first love. That is theis clumsy vanity. We women have a more subtle instinct about things. What we like is to be a man’s last romance.”

“Whan a man is old enough to do wrong he should be old enough to do right also.”

“Every woman is a rebel, and usually in wild revolt against herself.”

“Men marry because they are tired; women because they are curious. Both are disappointed.”

“The only difference between the saint and the sinner is that every saint has a past, and every sinner has a future.”

“The secret of life is to apppreciate the pleasure of being terribly, terribly deceived.”

“Moderation is a fatal thing, Lady Hunstanton. Nothing succeds like excess.”

“Hearts live by being wounded. Pleasure may turn a heart to stone, riches may make it callous, but sorrow – oh, sorrow, cannot break it.”

“Children begin by loving their parents. After a time they judge them. Rarely if ever do they forgive them.”


“All love is terrible. All love is a tragedy”


O Leque de Lady Windermere


Wook.pt - O Leque de Lady Windermere
Beautiful, aristocratic, an adored wife and young mother, Lady Windermere is 'a fascinating puritan' whose severe moral code leads her to the brink of social suicide. The only one who can save her is the mysterious Mrs Erlynne whose scandalous relationship with Lord Windermere has prompted her fatal impulse. And Mrs Erlynne has a secret - a secret Lady Windermere must never know if she is to retain her peace of mind. 


Autor: Oscar Wilde 
Editor: Europa-América 

Género: Romance 

Páginas: 108 

Original: Lady Windermere's Fan (1893)








opinião
★★★★★

"We are all in the gutter but some of us are looking at the stars"

Diverti-me imenso a ler (…e a sublinhar cada preciosa frase) desta peça. Mais uma vez, Wilde dispõe de forma cómica e eficiente problemas e dilemas sociais, apontando constantemente o dedo à hipocrisia e ao cinismo que regularmente os acompanham.

Neste seu aniversário, a puritana Lady Windermere irá receber um leque…e uma grande lição!
A ela juntam-se vários outros personagens, uns que nos divertem com comentários práticos e desapaixonados sobre a vida e outros que nos pregam fervorosamente os seus moralismos.

Wilde encheu estas páginas de sabedoria e perspicácia e,o invés de exprimir a sua opinião sumária sobre alguns dos temas que aborda como a dualidade de critérios entre homem e mulher e o adultério, o autor fez algo bem mais valioso: confiou que seríamos capazes de tirar as nossas próprias conclusões.

“In this world there are only two tragedies. One is not getting what one wants, and the other is getting it.”

Frases Preferidas:


“if you pretend to be good, the world takes you very seriously. If you pretend to be bad, it doesn’t. Such is the astounding stupidity of optimism”



“it is absurd to divide people into good and bad. People are either charming or tedious. I take the side of the charming”



“I can resist everything, except temptation”



“I think that life is far too importante a thing ever to talk seriously about it”



“Misfortunes one can endure – they come from outside, they are accidents. But to suffer for one’s own faults – ah! There is the sting of life”



 “There are moments when one has to choose between living one's own life, fully, entirely, completely-or dragging out some false, shallow, degrading existence that the world in its hypocrisy demands.”



«Wicked women bother one. Good women bore one. That is the only difference between them»


"Oh! Gossip is charming! History is merely gossip. But scandal is gossip made tedious by morality.”

 “In this world there are only two tragedies. One is not getting what one wants, and the other is getting it.”

"Experience is the name everyone gives to theis mistakes"

“Actions are the first tragedy in life, words are the second. Words are perhaps the worst. Words are merciless. . .”

"maners before morals!"



Salomé

Wook.pt - SaloméOutraged by the sexual perversity of this one-act tragedy, Great Britain's Lord Chamberlain banned Salomé from the national stage. Symbolist poets and writers — Stéphane Mallarmé and Maurice Maeterlinck among them — defended the play's literary brilliance. Beyond its notoriety, the drama's haunting poetic imagery, biblical cadences, and febrile atmosphere have earned it a reputation as a masterpiece of the Aesthetic movement of fin de siècle England. Written originally in French in 1892, this sinister tale of a woman scorned and her vengeance was translated into English by Lord Alfred Douglas. The play inspired some of Aubrey Beardsley's finest illustrations, and an abridged version served as the text for Strauss' renowned opera of the same name.

Autor: Oscar Wilde
Editor: Assírio & Alvim
Género: Romance
Páginas: 128
Original: Salome (1891) 

opinião
★★★★☆
«There was a bitter taste on my lips. Was it the taste of blood?... Nay; but perchance it was the taste of love… They say that love hath bitter taste…»

Bem diferente das outras peças que li de Oscar Wilde, Salomé vem intensificar o drama e a perversidade da tão conhecida história bíblica de Salomé e João Baptista.

Wilde fez um trabalho extraordinário na composição desta peça. Repetitivos e monótonos, os personagens parecem perdidos no seu próprio discurso, alheios a quem os rodeia, deslumbrados pela elaboração das suas frases – tal como nós – criando assim uma atmosfera hipnótica e surreal que nos prende ao desenvolvimento da narrativa, atentos ao seu drama e simbolismo, incrédulos com o poder destrutivo dos sentimentos destes personagens, agitados com o desfecho da trama… apesar de este ser bem conhecido. Gostei imenso.
«the mistery of love is greater than the mistery of death»






Leia mais...

0 Vocês Não Me Conhecem | opinião


Wook.pt - Vocês não Me ConhecemApenas uma coisa interessa. Foi ele?

Antes das alegações finais, um jovem réu de origem africana despede o seu advogado e decide contar a sua história, defendendo-se da acusação de homicídio em primeiro grau.

Explica que o advogado lhe disse que tinha de deixar algumas partes da história de fora, porque às vezes a verdade é demasiado difícil de explicar e pouco verosímil. Mas com a sua voz única, e criando imensa empatia no leitor, ele decide contar a sua história, toda a verdade.

Existem oito provas contra si. O narrador desmonta cada uma delas, deixando a sua vida nas nossas mãos. O leitor, que é como um membro do júri, tem de decidir se o seu narrador é culpado ou inocente.


Autor: Imran Mahmood
Editor: Bertrand Editora (Maio, 2018)
Género: Policial | Thriller
Páginas: 304
Original: You Don't Know Me (2017) 

opinião
★★★★☆
Comecei a ler «Vocês Não Me Conhecem» sem qualquer expectativa, mas acabei presa às suas páginas do início ao fim!

Original em mais do que um sentido, o livro traz-nos a história de um jovem acusado de homicídio que apresenta, ao tribunal e a nós, a sua defesa. Sendo ele proveniente de um ambiente social comprometido e criminoso, onde as escolhas são, desde cedo, condicionadas pela necessidade de sobreviver, este jovem tem também o preconceito a dificultar a sua tarefa.

 Gostei muito do desafio que Imran Mahmood criou para nós neste livro. Adorei acompanhar a história fazendo os meus juízos de valor e tirando as minhas próprias conclusões… e o final - ainda que frustrante a início - completa a fantástica experiência que é ler «Vocês Não Me Conhecem».



Leia mais...

0 A Minha Avó Pede Desculpa | Opinião


Wook.pt - A minha avó pede desculpaElsa tem sete anos de idade, quase oito, e é diferente. Para já, tem como melhor - e única - amiga a avó de setenta e sete anos de idade, que é doida: não levemente taralhoca, mas doida varrida a sério, capaz de se pôr à varanda a tentar atingir pessoas que querem falar sobre Jesus com uma arma de paintball, ou assaltar um jardim zoológico porque a neta está triste. Todas as noites, Elsa refugia-se nas histórias da Avozinha, cujo cenário é o reino de Miamas, na Terra-de-Quase-Acordar, um reino mágico onde o normal é ser diferente.

Quando a Avozinha morre de repente e deixa uma série de cartas a pedir desculpa às pessoas que prejudicou, tem início a maior aventura de Elsa. As cartas levam-na a descobrir o que se esconde por detrás das vidas de cada um dos estranhíssimos moradores de um prédio muito especial, mas também à verdade sobre contos de fadas, reinos encantados e a forma como as escolhas do passado de uma mulher ímpar criam raízes no futuro dos que a conheceram.

A minha avó pede desculpa é uma belíssima história, contada com o mesmo sentido de humor e a mesma emoção que o romance de estreia de Fredrik Backman, o bestseller internacional Um homem chamado Ove.


Autor: Fredrik Backman    
Editor: Porto Editora (Março, 2018) 
Género: Romance
Páginas: 336
Original: Min mormor hälsar och säger förlåt (2013) 
 Goodreads Choice Award Nominee for Fiction (2015)


outros livros de Fredrik Backman →


opinião
★★★★☆

Demasiado madura para os seus sete anos, Elsa tem como melhor amiga a avó, a melhor contadora de histórias de sempre!
É nestas histórias que Elsa tem encontrado refúgio para os problemas da vida real, nomeadamente o bullying que sofre na escola e as mudanças no seio familiar, com o divórcio dos pais e agora o nascimento de um novo irmão. E é por isso que a súbita perda da avó deixa Elsa completamente devastada e desamparada. Sem a avó, apesar de toda a sua perspicácia, Elsa não passa de uma menina incompreendida, perdida num mundo de adultos ainda mais desorientados do que ela.

No entanto, é justamente quando a perde que Elsa acaba por ficar a conhecer melhor a avó, graças a uma espécie de Caça ao Tesouro que ela orquestrou antes de partir... Além de descobrir imensas coisas sobre o passado da avó, Elsa fica também a saber mais sobre os vizinhos e sobre a ligação destes à sua avó. Assim, a menina acaba por perceber que os contos de fadas eram mais do que simples histórias e que têm mais verdade do que ela alguma vez imaginou...

O ponto forte do livro são, sem dúvida, as suas personagens; a construção de cada uma e a interacção entre elas (especialmente avó e neta). O escritor faz questão de nos mostrar como é que cada um dos intervenientes chegou onde chegou e porquê, impelindo-nos para além do interesse e da curiosidade em relação a estas pessoas...levando-nos a sentir carinho por elas.

Este é o segundo livro que leio do sueco Fredrik Backman e, apesar de ter gostado mais de Um homem chamado Ove, posso dizer que gostei imenso de A minha avó pede desculpa. Divertido e comovente, este é um livro sobre ser diferente, sobre o que isso representa na família e na amizade e de como tal se deve fazer sempre acompanhar de amor, perdão e compreensão (de ambos os lados).
«Só as pessoas diferentes podem mudar o mundo», costumava observar a Avozinha. «Nunca uma pessoa normal mudou porcaria nenhuma.» 86

Frases Preferidas:
«Quando não conseguimos livrar-nos do mau, temos de o enterrar por baixo de mais boazices» 15

«Só as pessoas diferentes podem mudar o mundo», costumava observar a Avozinha. «Nunca uma pessoa normal mudou porcaria nenhuma.» 86

«Para lhe ensinar que nem todos os monstros começam por ser monstros, e que nem todos os monstros se parecem com monstros. Alguns trazem a sua monstruozidade por dentro» 117

«Porque nem todos os monstros eram monstros, a princípio. Alguns são monstros nascidos da dor.» 118


«É estranho como o amor e o medo vivem tão perto um do outro» 179

View all my reviews




Leia mais...

0 A Boa Filha | Opinião


Wook.pt - A Boa FilhaKarin Slaughter é uma das escritoras de suspense e ficção policial mais galardoadas do panorama literário atual, com mais de 30 milhões de exemplares vendidos.

No romance A Boa Filha tudo começa com duas meninas que são obrigadas a entrar num bosque com uma pistola apontada. Uma foge para salvar a vida. A outra fica para trás.


Autor: Karin Slaughter
Editor: HarperCollins (Outubro, 2017)
Género: Thriller
Páginas: 512
Original: The Good Daughter (2017) 

opinião
★★★★☆
Grande thriller! E não me refiro ao tamanho do livro...

Karin Slaughter constrói a história com enorme habilidade logo desde o início, deixando-nos presos às suas palavras. 

Com descrições que me causaram palpitações, mudanças de enredo que me provocaram genuína ansiedade e personagens tão bem desenvolvidas que só me apetecia entrar no livro para resgatá-las da "malvadez" de Slaughter, este é definitivamente um livro que recomendo. Não se deixem intimidar pelas mais de 500 páginas: do mesmo género literário já li livros bem mais pequenos e que me levaram mais tempo a terminar. 

A Boa Filha é menos perturbador e menos violento que Flores Cortadas, o único livro que li de Karin Slaughter, mas igualmente viciante. Comprei este livro precisamente por ter gostado tanto de Flores Cortadas e agora tenho um problema: vou ter que comprar - e devorar - os outros todos!


Frases Preferidas
* É esse o problema da vida, Sam. Quando não estamos a subir, estamos a descer. - p. 404

* Mas um gato... tens de conquistar o respeito do gato todos os dias da tua vida. se o perdes... - Estalou os dedos. - Era isso que a tua mãe era para mim. Era o meu gato. Mantinha a minha bússula apontada para o verdadeiro Norte. - 419

* Preferira sempre aplicar a lógica aos problemas, mas, tal como a meteorologia, a vida existia num delicado equilíbrio dinâmico entre os campos de massa e movimento. Essencialmente, às vezes a merda acontecia. - 435


«Sigo-a e segui-la-ei em todos os seus livros.» Gillian Flynn 

«Romance negro em estado puro.» Michael Connelly

«A escritora de thrillers mais audaz do momento.» Tess Gerritsen








Leia mais...

0 Lenine, o Ditador | Opinião


Wook.pt - Lenine, o DitadorEsta biografia íntima de Lenine constitui um trabalho ímpar sobre uma das figuras mais significativas o século XX.

Lenine acreditava que o político é o pessoal, e, de modo algum ignorando sua vida política, o foco de Sebestyen será sobre Lenine, o homem - um homem que amou a natureza quase tanto quanto amava fazer a revolução e cujos laços e as amizades estabeleceu-as com mulheres.

A sua largamente escondida ménage a trois com a esposa, Nadezhda Krupskaya, e a amante e camarada, Inessa Armand, revela uma personagem diferente da figura fria e unidimensional da lenda.


Autor: Victor Sebestyen
Editor: Objectiva (Outubro, 2017)
Género: Biografia
Páginas: 680

opinião
★★★★☆
Robert Lessing: "O bolchevismo é a coisa mais odiosa e monstruosa que a mente humana alguma vez concebeu (…) Encontra os seus adeptos entre os criminosos, os depravados e os deficientes mentais" - página 505


Com a execução do irmão, Vladimir Ulianov, a criança mais barulhenta e mal comportada de uma família afectuosa, radicalizou-se de um dia para o outro. Viveria muitos anos em exílio até chegar finalmente ao poder, mantendo-se sempre activo na causa, revelando uma fé fanática pela mesma.

Neste livro, Victor Sebestyan relata a vida de Lenine enquanto nos pinta um excelente retrato do seu carácter. Lenine não conhecia meio-termo, não permitia que os que lhe estavam próximos discordassem das suas ideias, exigindo que todos se vergassem às suas vontades. O seu grande talento era demolir a argumentação do adversário, adquirindo um tom rude e agressivo, recorrendo à ridicularização e ao obsceno se necessário fosse.

Ideólogo, dono de uma vontade de ferro e com enorme autoconfiança, Lenine fazia uma interpretação fria do marxismo, adaptando-o aos seus propósitos. Ignorava o verdadeiro significado de liberdade bem como os Direitos do Homem, não respeitava as classes trabalhadoras pelas quais se propunha fazer a revolução, "prometeu tudo e mais alguma coisa ao povo. Propôs soluções simples para problemas complexos. Mentiu desavergonhadamente." (página 23).

Sob o seu regime, os bolcheviques apropriaram-se de activos estrangeiros, confiscaram propriedade individual, recusaram o pagamento de empréstimos contraídos pelo governo czarista e levaram a cabo uma repressão violenta da religião. Milhões de pessoas morreram à fome, ao ponto do canibalismo se tornar uma solução, ao passo que eram distribuídas regalias pela elite comunista, cada vez mais apartada do povo.

Mas Sebestyen vai além de Lenine, apresentando-nos diversas outras personagens suas contemporâneas. Perde inclusivamente algum tempo com a esposa do ditador, Nadia, uma revolucionária convicta que sempre o apoiou e com Inessa, a amante, uma feminista convicta e apaixonada, emocionalmente exigente e uma fonte inesgotável de vida. O escritor contextualiza toda a história da vida de Lenine colocando-a a par com a história do seu país: as falhas imperdoáveis de Nicolau II, as guerras que se revelariam desastrosas para a Rússia, o consequente ódio pela monarquia que culminaria na Revolução que Lenine queria levar ao resto do mundo numa insurreição coletiva contra o capitalismo.

Este livro, bem escrito, bem sintetizado e definitivamente bem pensado satisfez sem dúvida a minha curiosidade em relação a esta figura histórica. O único aspeto negativo, na minha opinião, é o abuso de notas de rodapé que quebram constantemente o ritmo da leitura.

«Há décadas em que nada acontece. E há semanas em que acontecem décadas.» (Lenine)




Leia mais...