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0 Uma Questão de Conveniência | Opinião


Wook.pt - Uma Questão de ConveniênciaKeiko foi sempre estranha – e os pais perguntam-se onde encaixará ela no mundo real. Por isso, quando a rapariga resolve ir trabalhar para uma loja de conveniência, a notícia é recebida com entusiasmo, até porque na loja ela encontra um mundo bastante previsível, que domina com a ajuda de um manual e copiando os colegas até na forma de falar. Mas aos 36 anos é ainda na mesma loja de conveniência que trabalha, e além disso nunca teve um namorado, frustrando as expectativas da sociedade... Embora Keiko não se importe com isso, sabe que a família e os amigos estão mais ou menos desesperados. Um dia, porém, é contratado para a loja um rapaz com o qual Keiko tem algumas afinididades. Não será então aconselhável para ambos um relacionamento?Sayaka Murata, uma das vozes mais originais e talentosas da ficção contemporânea japonesa, capta brilhantemente a atmosfera de uma loja de conveniência e satiriza as obsessões que regem a sociedade contemporânea e a pressão exercida sobre as mulheres no sentido de cumprirem expectativas alheias, com o pretexto de terem uma vida «normal». Uma Questão de Conveniência, que venceu o prémio Akutagawa e foi traduzido em mais de vinte países, é o retrato de uma heroína deliciosa que promete ser tão memorável como Amélie Poulain


Autor: Sayaka Murata
Editor: Dom Quixote (Fevereiro, 2019)
Género: Romance
Páginas: 168

opinião
★★★☆☆
Uma Questão de Conveniência by Sayaka Murata
My rating: 3 of 5 stars

Keiko sempre foi considerada estranha pelos colegas e familiares. Assim, e não sem se ver como protagonista de umas quantas situações menos felizes antes disso, ela decide falar o mínimo possível; deixar de fazer o que quer que seja por iniciativa própria e apenas imitar os outros, assimilando cada som e cada gesto.

E foi assim, sempre com a ideia de que precisava de me curar de alguma coisa, que me fui tornando adulta – p. 20

Ser um Funcionário da loja de conveniência é, para ela, a única coisa que a tona um ser humano normal, “uma peça na engrenagem do mundo” e quando dá por isso está a trabalhar há 18 anos como funcionária temporária. Keiko é uma “desajustada”, uma introvertida, num mundo em que toda a gente tem uma opinião a dar (ainda que não solicitada).

Uma Questão de Conveniência reflete como vivemos de acordo com as expectativas dos outros, como moldamos a nossa vida conforme o que é suposto – aos 30 anos a carreira deve estar definida, o casamento já deve ter acontecido, a mulher deve ter um filho nos braços e o homem deve conseguir sustentar a sua família. Mas e se não quisermos nada disto? E se quisermos viver a nossa vida da forma que nos apetecer? Nesse caso somos julgados, comentados, censurados. Somos postos de lado. Somos “estranhos”.

Tal como a protagonista, passamos demasiado tempo a arranjar desculpas, a tentar justificar-nos e a tentar explicar aos outros porque é que a nossa vida não é como eles pensam que deveria ser.

Este é um livro divertido e simples, a tender para o bizarro, mas muito pertinente na ideia que pretende transmitir. A escritora esteve muito bem em fazê-lo pequeno; transmite aquilo que pretende transmitir e termina logo em seguida, antes de se tornar repetitivo.

Não somos todos iguais e não deveríamos ter que nos esforçar – comprometendo muitas vezes a nossa vontade – para parecer que somos.

Frases Preferidas 
O padrão do mundo é rígido e os corpos estranhos são eliminados sem alarde. Os seres humanos fora do padrão acabam por ser ajustados e corrigidos – 83

As pessoas falam muito sobre a sociedade moderna, o individualismo, mas se alguém não se esforça por fazer parte da aldeia é um estorvo e acaba por ser pressionado por todos, acabando expulso – 91

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